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Abbas: negociações com Israel são "inúteis" sem normas claras

Abbas considera que "as negociações serão insignificantes enquanto o exército de ocupação no terreno continua a consolidar a sua ocupação"

Andrew Gombert/EPA

Presidente da Autoridade Palestiniana dirigiu-se ao plenário das Nações Unidas e declarou ser a favor da negociação de uma "solução duradoura" para o conflito com Israel, com base na "legitimidade internacional" e "fim da colonização".

O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, considerou hoje ser "inútil" negociar com os israelitas sem normas claras e um calendário específico e enquanto continuar a colonização.

"É inútil entrar em negociações sem parâmetros claros e na ausência de credibilidade e de um calendário específico", declarou Abbas, dirigindo-se ao plenário das Nações Unidas.

"As negociações serão insignificantes enquanto o exército de ocupação no terreno continua a consolidar a sua ocupação (...) e continua a mudar a demografia do nosso país para criar uma nova base para alterar as fronteiras", adiantou.

"É tempo para uma primavera palestiniana"

O presidente da Autoridade Palestiniana defendeu ser tempo para uma "primavera palestiniana" numa altura de "primavera árabe".

"Numa altura em que os povos árabes afirmam a sua busca pela democracia - a Primavera árabe - o tempo é agora para a Primavera palestiniana, para a independência", declarou ao discursar na Assembleia-Geral da ONU.

Abbas disse ter entregue ao secretário-geral da ONU, antes de se dirigir ao plenário, o pedido para a admissão do Estado da Palestina "com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967 e com Al-Quds Al-Sharif (Jerusalém Oriental) como sua capital".

Apelo para "agilizar" admissão do Estado da Palestina

"Apelo ao secretário-geral para agilizar a transmissão do nosso pedido ao Conselho de Segurança e apelo aos ilustres membros do Conselho de Segurança para que votem a favor da nossa plena adesão", adiantou.

Assinalando que "o objetivo do povo palestiniano é a realização do seu inalienável direito a um Estado independente da Palestina", o dirigente palestiniano pronunciou-se a favor da negociação de uma "solução duradoura" para o conflito israelo-palestiniano.

"Aderimos à opção de negociar uma solução duradoura para o conflito de acordo com resoluções de legitimidade internacional", disse.

"Aqui, declaro que a Organização para a Libertação da Palestina está pronta para regressar imediatamente à mesa de negociações com base nos termos de referência com legitimidade internacional e com o fim da colonização", adiantou.

"Não assumimos medidas unilaterais"

Abbas salientou que o pedido da Autoridade Palestiniana à ONU confirma a sua opção pela política e pelo diplomacia.

"É uma confirmação de que não assumimos medidas unilaterais", acrescentou, numa referência a Israel que criticou esta iniciativa palestiniana, designando-a de unilateral.

Dirigindo ao "governo e ao povo de Israel", Mahmud Abbas pediu: "Vamos urgentemente construir juntos um futuro para as nossas crianças (...). Vamos construir as pontes do diálogo (...) relações de cooperação com base na paridade e equidade entre dois Estados vizinhos - Palestina e Israel".

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Pedido de adesão analisado "rapidamente" 

O pedido de adesão do Estado da Palestina à ONU será examinado "rapidamente" e transmitido ao Conselho de Segurança, garantiu hoje o porta-voz das Nações Unidas, Martin Nesirky.

"Depois de receber a carta, o processo de apreciação do pedido no secretariado da ONU será rápido e seguirá para o presidente do Conselho de Segurança e para o presidente da Assembleia Geral", disse Nesirsky aos jornalistas.

Washington pede diálogo "direto"com Israel

Os EUA exortaram hoje o presidente palestiniano, Mahmud Abbas, a retomar "as negociações diretas" com Israel apesar do pedido de adesão do Estado da Palestina à ONU.

"Hoje, quando todos os discursos terminarem teremos de reconhecer que a única via para a criação de um Estado passa por negociações diretas. Não por atalhos", declarou a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice.