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A fortuna escondida do primeiro-ministro chinês

A história é revelada numa investigação do "New York Times". A China já bloqueou o acesso ao site do jornal, bem como as outras formas de chegar ao artigo. 

Alexandre Costa (www.expresso.pt)

O "New York Times" fez uma investigação sobre o enriquecimento da família do primeiro-ministro da China, de tal forma aprofundada e detalhada que a sua publicação já levou as autoridades chinesas a bloquear o acesso ao site do jornal norte-americano e a apagar ligações ao artigo publicadas em redes sociais chinesas, como o Sina Weibo.

A publicação da investigação jornalística surge num momento sensível para o poder chinês, já que o Partido Comunista se prepara para o congresso de novembro, em que será escolhida a liderança para a próxima década, e quando faltam cinco meses para Wen Jiabao, de 70 anos, terminar o segundo e último mandato à frente do Governo de Pequim.

Segundo o "New York Times", muitos dos bens e acções dos familiares de Wen Jiabao estão dissimulados em sociedades e investimentos efetuados em nomes de terceiros, mas a fortuna do círculo familiar valerá pelo menos dois mil milhões de euros.

Enriquecimento após ascensão política

A mãe é uma professora reformada, mas em apenas um dos seus investimentos, efetuado há cinco anos, adquiriu 90 milhões em ações. A mulher, especialista em pedras preciosas, controla o comércio de diamantes, conta o jornal.

A empresa do irmão mais novo, por seu turno, estabeleceu contratos para tratamento de resíduos líquidos e hospitalares em algumas das maiores cidades chinesas no valor de 23 milhões. As ações da mulher do filho valem cerca de 320 milhões.

O próprio primeiro-ministro chinês, conhecido como um reformista, referira num recente discurso, vir de uma família humilde e o extremo enriquecimento do seu círculo familiar ocorreu após sua ascensão política. Em 1998 assumiu a vice-presidência, em 2003 a chefia do Governo.