2 de outubro de 2014
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Cantinas sociais com mais procura

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A Voz de Trás-os-Montes - Cantinas sociais com mais procura

A Santa Casa de Misericórdia de Vila Real é uma das quatro instituições que fornecem refeições às pessoas mais carenciadas e protocoladas com o Ministério da Solidariedade Social. Após alguns meses da entrada em vigor destes apoios, o Nosso Jornal abordou este assunto junto de entidades responsáveis, como a Misericórdia de Vila Real.

António Vale, colaborador desta instituição, lembrou que as cantinas sociais foram criadas através de um programa do Governo. "Nós já tínhamos aberto o refeitório social há 4 anos. A cantina social foi criada pela Santa Casa da Misericórdia e nasceu da necessidade de se apoiar um crescente número de pessoas que nos últimos tempos começaram a deambular pela cidade de Vila Real, com evidentes sinais de desleixo e má nutrição, como pessoas vindas de outros países, com uma média de idade a rondar os 40 anos". "Temos um protocolo com a Segurança Social para 100 refeições diárias, ainda não as atingimos, estamos com cerca de 80, embora nestas refeições muitas são na totalidade suportadas por nós.

A procura tem vindo a aumentar ligeiramente. "Realço que, às terças e sextas-feiras, os nossos quatro técnicos, onde se incluiu uma nutricionista, fazem uma consulta individual para triagem de pessoal. Neste momento, temos uma cantina social na Marechal Teixeira Rebelo, e uma outra de entrega num estabelecimento. O protocolo com a Segurança Social dá-nos apenas uma pequena ajuda. Assim, continuamos a atender pessoas que vêm da Segurança Social, assim como outras que nos apareçam de repente. No entanto, ao fim de 4 dias, são reencaminhadas novamente para a Segurança Social".

A Santa Casa de Misericórdia de Vila Real tem outro serviço de refeições dirigido a famílias com filhos. "Os familiares com crianças não são atendidos na cantina, são encaminhados para uma outra unidade de acolhimento na cidade, onde à noite lhes é entregue, num recipiente próprio, as refeições para levar para casa, evitando assim expor as crianças. Não se trata de qualquer descrédito para as pessoas que recorrem ao refeitório social, mas sim uma questão de preservar a privacidade das crianças".

O programa contempla apenas uma refeição por dia, "mas nós complementamos com jantar". "Temos 56 refeições (almoço e jantar) na rua Marechal Teixeira Rebelo, e na outra unidade 18. Quase todos os utentes vêm do Rendimento Social Inserção".

"Sublinho que grande parte dos utentes são toxicodependentes e ex-reclusos, mas agora já temos de acudir também a outras pessoas, fruto da crise que atravessamos. Ainda não sentimos que venham muitas pessoas que estejam desempregadas, contudo notamos que há gente a passar muito mal", realçou o provedor da Misericórdia, padre José Gomes.

A ementa diária é igual para todos. "Todos comem o mesmo. Diariamente, temos um prato de carne e de peixe, com boa qualidade, a sopa, o pão, a sobremesa e água", concluiu.

Constantim e Campeã com cantinas sociais

No concelho de Vila Real, há quatro centros de distribuição de refeições. Além da Santa Casa de Misericórdia de Vila Real, o Centro Social e Paroquial de Campeã, S. Tomé de Castelo e Constantim estão imbuídos nas mesmas funções sociais.

Fernando Cordeiro, diretor do Centro Paroquial de Constantim, referiu, ao Nosso Jornal, que, ultimamente, são os casais jovens desempregados que está a procurar a cantina social. "Temos famílias na casa dos 20/30 anos, ambos desempregados, que recorrem às refeições. Neste momento, protocolamos 65 refeições com o Ministério da Solidariedade, mas não pedimos reforço para 2013. Julgo que estamos a desempenhar bem o nosso papel que vai ao encontro as necessidades das pessoas".

Além da freguesia de Constantim, este centro tem como área de influência as congéneres de Andrães, Nogueira, Abaças e Vale de Nogueiras. Em muitas destas localidades foram realizados pequenos acordos com algumas instituições particulares de solidariedade social. No terreno, o Centro de Constantim abrange diretamente Arroios, Sabroso e Vila Nova.

O Centro Social e Paroquial de Campeã também tem vindo a prestar este tipo de apoio, mas assente numa distribuição de refeições noutros Centros com mais proximidade junto das populações, conforme nos contou o diretor padre Queirós. "Na zona da Campeã, este programa não tem muitos utentes, são apenas 6 as pessoas a quem prestamos assistência. No entanto, sob a nossa abrangência, existe o Centro Social e Paroquial de Torgueda e a Cáritas".

"Das 65 refeições, 50 já são servidas, sendo que os agregados familiares são aqueles os que mais nos procuram. Recorde-se que, os distritos de Porto e Vila Real reforçaram em cerca de 20 por cento o número de refeições que podem ser servidas nas cantinas sociais".

Por várias vezes, tentamos obter informação do Centro Social e Paroquial de S. Tomé de Castelo, mas não foi possível em tempo útil um esclarecimento sobre os dados deste Centro.

Segundo dados dos Centros Distritais da Segurança Social, o distrito de Vila Real passou de 1280 refeições por dia para 1600.

Recorde-se que, durante o mês de janeiro foram assinados novos protocolos, alargado o número de refeições por cantina e permitido que IPSS com vários polos possam ter mais do que uma cantina social. Em Vila Real, algumas IPSS, no início do processo, denunciaram os protocolos por falta de utentes, mas foram muitos mais os casos de reforço por existência de listas de espera.

As cantinas sociais são uma medida incluída no Programa de Emergência Alimentar (PEA). Por cada refeição servida o Estado paga 2,5 euros.

Nova ferramenta web apresenta ao mundo a fauna e flora do concelho

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A Voz de Trás-os-Montes - Nova ferramenta web apresenta ao mundo a fauna e flora do concelho

Depois de dois anos de investigação, pesquisa e identificação de espécies, nasceu a Plataforma da Biodiversidade, uma ferramenta web, apresentada no dia 29, que leva os cibernautas a uma visita virtual fidedigna pelo património natural do concelho vila-realense.

Desenvolvida pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) no âmbito do Programa de Preservação da Biodiversidade de Vila Real, dinamizado pela autarquia, a nova plataforma representa "um grande passo" para o desenvolvimento da biodiversidade ao convidar "as pessoas a explorar, através da internet, o concelho". "Depois, certamente sentirão a vontade de visitar o concelho e procurar algumas das espécies", sublinhou Miguel Esteves, vereador responsável pelo pelouro do ambiente na Câmara Municipal.

Segundo o mesmo responsável, a página da internet, que vai contar com "uma atualização permanente", surge como "o corolário do trabalho de monitorização no terreno realizado pela UTAD" e permitirá ao utilizador "saber onde se encontram determinadas espécies no território" tendo a "georreferenciação como uma das grandes novidades.

Podendo proceder a pesquisas por espécie ou por zonas, o visitante da plataforma poderá obter todas as informações sobre a biologia, o habitat, o estado de conservação de cada espécie animal ou vegetal, bem como "dispor de imagens e inclusive enviar novas informações que conheça".

Pioneiro a nível nacional, o projeto permite ainda identificar um conjunto de percursos pedestres e de pastoreio (divulgando os seus pontos de interesse, a sua riqueza natural e imagens) e os rios do concelho (incluindo a sua qualidade ecológica e espécies existentes).

A plataforma, que já pode ser consultada online (http://biodiversidade.cm-vilareal.pt:8080/plataforma/), está ainda em processo de tradução para que possa ser também consultada em inglês.

Manuel Martins, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, defendeu o estatuto de "Cidade da Biodiversidade - Capital do Conhecimento" para o concelho que lidera, justificando o título com um conjunto de projetos levados a cabo ao longo dos últimos dos anos e que colocam Vila Real na linha da frente da preservação da biodiversidade.

Orçado em cerca de 1,7 milhões, o Programa de Preservação da Biodiversidade de Vila Real, que foi comparticipado pelo Programa Operacional Regional do Norte, está prestes a chegar ao fim, estando previsto o seu encerramento com a realização de um fórum internacional agendado para os dias 21 e 22 de março do próximo ano.

Represas e moinhos recuperados no Parque Corgo

Antes do final do Plano de Preservação, mais um projeto será realizado, a requalificação do Parque Corgo, que, orçado em 800 mil euros, prevê, entre outras ações, a recuperação das margens ribeirinhas. "Vai arrancar nos próximos dias a intervenção de requalificação do Parque Corgo, um projeto inovador que marcará futuras intervenções junto a áreas ribeirinhas", explicou Manuel Martins.

O projeto, inserido do "Seiva Corgo", que está inserido no Programa de Preservação da Biodiversidade, prevê, entre outros aspetos, a recuperação "de algumas obras de arte construídas já há muitas gerações atrás, como as pequenas represas que conduziam a água pelas levadas para regar os terrenos agrícolas, e de alguns antigos moinhos".

"Através da aplicação da engenharia muito própria para as margens ribeirinhas, que estão algo degradadas, vamos ajudar ao desenvolvimento de algumas espécies ripícolas do rio Corgo", revelou Miguel Esteves, adiantando ainda que vai ser construído um novo caminho na margem esquerda do rio que servirá as futuras hortas comunitárias.

Classificado como uma das "obras emblemáticas" da Câmara Municipal de Vila Real, o Parque Corgo deve ser usufruído não só enquanto espaço de lazer e de atividade física mas também de "observação das espécies de fauna e flora que vão voltando a proliferar nas margens e no próprio leito do rio".

A apresentação da plataforma e do Fórum da Biodiversidade tiveram lugar da sessão de inauguração de uma exposição "A Entomologia pela Pintura" que, da autoria de José Passos de Carvalho, está agora patente nos claustros da Câmara Municipal.

A situação da restauração "é dramática"

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A Voz de Trás-os-Montes - A situação da restauração 'é dramática'

"São reivindicações que nos parecem justas", sublinhou Luís Ramos, um dos deputados na Assembleia da República eleitos pelo círculo de Vila Real que, no dia 29, esteve reunido com o núcleo local do Movimento Empresarial da Restauração e vários empresários para ouvir os problemas do setor no distrito, em especial as repercussões sobre o aumento do IVA para os 23 por cento.

Na reunião participaram, além dos deputados Luís Ramos e Pedro Pimentel, cerca de uma dezena de empresários de todo o distrito, tendo sido focado em especial a questão do aumento do IVA como um problema que vai mudar para sempre, e para pior, o setor da restauração. "A situação é tão dramática que vão fechar muitos restaurantes e o ramo nunca mais vai ser o mesmo, o que traz implicações para outros setores como o turismo, a agricultura, o comércio", explicou Manuel Pinheiro, um dos representantes do movimento.

Contabilizado cerca de 90 mil micro e pequenas empresas na área da restauração, que englobam 900 mil postos de trabalho diretos, Manuel Pinheiro sublinha que o encerramento de restaurantes vai ter um efeito em cadeia em toda a economia regional. "Se os restaurantes não trabalham vai haver uma grande quebra na venda dos vinhos, dos azeites, das hortícolas e de tantos outros produtos", confirmou Paulo Lisboa, proprietário do Restaurante Paulo de Vila Real e um dos empresários que marcou presença na reunião.

O proprietário lamenta que o Governo não tenha essa visão e que esteja mais interessado em "receber os 23 por cento diretos" provenientes do IVA do que dinamizar as economias locais para que o país seja capaz de fazer frente à crise económica.

Paulo Lisboa lembrou que o aumento do imposto veio tornar insustentável uma situação que já era muito complicada, a "grande quebra" de clientes devido aos efeitos da crise económica. "As pessoas que recebem o salário mínimo não comem no restaurante e aquelas que tinham um rendimento superior estão a ver os seus salários e subsídios cortados, o que os leva também a conter-se nas despesas", referiu.

Também a concorrência de hipermercados, cafés e bares, que servem refeições a preços muitos reduzidos, e dos restaurantes que fogem ao IVA foram sublinhados pelo empresário.

Joaquim Costa, do Restaurante Grill O Costa, anfitrião do encontro, também testemunhou as dificuldades pelas quais passa o setor, referindo que, no seu estabelecimento está a suportar o aumento do IVA, em vigor desde o início do ano, sem aumentar os preços aos clientes, que são cada vez menos. "Houve uma quebra muito grande de clientes, as pessoas pedem menos doses para mais pessoas, houve uma redução de cerca de 90 por cento no serviço à lista (pratos mais caros) e de 80 por cento nas entradas e sobremesas", explicou o empresário como alguns dos efeitos da crise, agora muito mais agravados com o aumento do IVA, os quais consegue combater com a oferta de pratos mais económicos e com fortes incentivos para grupos.

Tantos os responsáveis pelo Movimento como os próprios empresários mostraram-se "muito satisfeitos" com a recetividade dos deputados à intenção demonstrada de levar as preocupações do setor ao Governo.

O deputado Luís Ramos adiantou ao Nosso Jornal que levará as questões levantadas ao Grupo Parlamentar do PSD responsável pela análise da questão que, por sua vez, abordará os problemas nas Comissões de Economia e Agricultura no âmbito da discussão do Orçamento de Estado para 2013.

Além do aumento do IVA, o deputado sublinhou que vai defender outras medidas, nomeadamente o pagamento do imposto não em duas vezes por ano mas em outras modalidades, de forma mais faseada ao longo do ano.

Outra medida referida por Luís Ramos prende-se com a necessidade de criar um sistema de controlo mais eficaz que seja capaz de travar a fuga aos impostos no setor. "Se todos pagassem seria mais fácil reduzir o IVA", explicou.

Mais, o deputado sublinhou ainda a redução das taxas cobradas ao pagamento com cartões de débito e crédito, bem como rever a situação da diferenciação entre a restauração e a hotelaria no que diz respeito ao IVA.

"As reivindicações parecem justas", defendeu Luís Ramos, lembrando que "o aumento do número de falências na restauração e no número de desempregados no setor vai ser muito mau para o país".

Castanha dá milhões de euros à Trás-os-Montes

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A Voz de Trás-os-Montes - Castanha dá milhões de euros à Trás-os-Montes

A produção da castanha em Trás-os-Montes é o setor mais sustentável da atividade rural nesta região. Só este ano calcula-se que, na venda direta, mais de 30 milhões de euros sejam atingidos com a sua comercialização. Aqui, a DOP Padrela, com valores a chegar aos 15 milhões de euros, e a castanha da Terra Fria, a rondar os 10 milhões, assumem um domínio de relevo no setor.

Menos produção, mas de melhor qualidade em relação ao ano anterior. Esta é a realidade da safra deste ano na região transmontana. Os valores, junto dos produtores, estão entre os 2 e 2,5 euros/kg.

Vários certames realizados em torno deste fruto evidenciam a sua mais-valia socioeconómica e no horizonte perfilam-se vários investimentos, nomeadamente em Vinhais, onde se vai investir cerca quatro milhões de euros e criar 50 postos de trabalho. Trata-se de uma empresa que terá a capacidade para transformar toda a castanha produzida do país. No entanto, é no concelho de Valpaços que a castanha assume uma importância relevante na sustentabilidade do tecido rural. Em Carrazedo de Montenegro, cerca de 95 por cento dos agricultores apostam na monocultura e dependem deste setor. Neste âmbito, surge assim a XVI Feira da Castanha - CASTMONTE, de Carrazedo de Montenegro, que irá decorrer entre 9 e 11 de novembro. Na apresentação do certame, o presidente da Câmara Municipal de Valpaços, Francisco Tavares, assegurou que este ano a venda direta dos produtores do concelho pode situar-se entre os 15 a 20 milhões de euros. "É uma produção menor, mas o calibre é maior e o preço da Judia (variedade dominante) está muito bom, já que varia entre os 2 e 2,20 euros. É muito dinheiro e é uma riqueza concelhia que os agricultores têm sabido preservar".

O certame, um dos mais tradicionais de Trás-os-Montes, já tem espaço próprio e a organização espera o mesmo número de visitantes e o mesmo volume de negócios. "Não há grandes alterações em relação às edições anteriores, apenas foram feitas algumas melhorias. A animação cultural e recreativa mantém-se, assim como a visita de representantes da comunidade de Beynat, cidade francesa com quem temos uma geminação, que também tem produção de castanha".

A Junta de Freguesia de Carrazedo de Montenegro assume um papel de relevo na dinamização deste certame. O seu presidente, Alípio Barreira, ao abordar o evento não esqueceu a crise que inibe um pouco a organização para fazer uma promoção maior da castanha da Pardela. "Este ano, temos uma feliz coincidência que ocorre em dia de S. Martinho. Ao longo de dezasseis anos do certame é a primeira vez que tal acontece. Vamos ter mais castanha assada e jeropiga para os visitantes para assinalar a data festiva. Gostávamos de fazer um bolo maior, mas o espaço da feira não nos permite".

Quanto à criação de uma unidade de transformação de castanha, o autarca deixou claro que, "dada a qualidade existente, o mercado assume a totalidade do produto em fresco". "Não temos refugo, ou seja castanha de qualidade inferior para a enviar para outros aproveitamentos. A Associação Regional dos Agricultores das Terras de Montenegro, ARATM, é detentora da Denominação de Origem Produzida, DOP, "Castanha da Padrela" e foi ela que esteve, há 16 anos, na génese deste certame.

Filipe Pereira, técnico da ARATM, garantiu que devido às últimas chuvas, a castanha é de maior calibre e as previsões apontam para que a colheita se fixe entre as 6 e as 8 mil toneladas. Sublinhou ainda que a produção deste ano não está a ir para a casa dos agricultores, o que "é um bom sinal".

A DOP Padrela abrange uma freguesia do concelho de Murça, três de Chaves, duas de Vila Pouca de Aguiar e as restantes do concelho de Valpaços. A qualidade também é diferente.

De referir que, no ano passado a castanha foi de má qualidade e os preços rondaram 1,40 a 1,60 euros.

Quanto às doenças do castanheiro, a tinta e o cancro, o recurso aos híbridos franceses é o último recurso. "Nós temos importados castanheiros híbridos franceses como porta-enxertos e aconselho os nossos produtores a utilizar esta prática, mas só nesta forma, até porque a qualidade e a conservação da castanha dos híbridos é muito fraca e de inferior qualidade. A manutenção da identidade da castanha e a nossa variedade é mantida. Ou seja, a única coisa que é importada é o porta-enxertos, depois é colocada a nossa variedade".

Neste certame colaboram a Junta de Freguesia de Carrazedo de Montenegro, Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, e a ARATM.

Mais de meio milhão de euros em Vila Pouca de Aguiar

Em Vila Pouca de Aguiar, a castanha é também uma mais-valia e deverá atingir este ano uma produção de cerca 450 toneladas, contribuindo assim com mais de meio milhão de euros para o aforro de 1500 proprietários de soutos no concelho aguiarense. Montante significativo que leva mesmo o presidente da Câmara Municipal, Domingos Dias, a considerar que a castanha é o ouro da agricultura no concelho, sendo o produto que mais contribui para a sobrevivência dos agricultores que trabalham neste setor.

As maiores manchas de castanheiro no concelho situam-se nas encostas da Padrela e no planalto de Jales, seguidas do vale de Aguiar e do vale de Avelames. Ainda que a campanha seja razoável, sentiu-se um atraso na produção devido às condições meteorológicas, o que atrasou um pouco a chegada do produto ao mercado. As espécies mais representativas são a Longal, a Cota e a Judia.

Com o objetivo de melhorar a produção, o Gabinete de Apoio ao Agricultor auxilia os produtores locais com análises do solo e de folhas para instalação e manutenção de soutos. Fazem ainda aconselhamento técnico em nutrição, pragas e doenças, e nas candidaturas a fundos comunitários, entre outros.

A castanha é tão representativa do setor primário no concelho que existe um castanheiro classificado como Árvore de Interesse Público. O exemplar, denominado pelo seu proprietário como "o último romano vivo", está localizado na aldeia de Vales, freguesia de Tresminas. O Castanheiro dos Vales tem 14,20 metros de diâmetro, sendo necessárias onze pessoas para o abraçarem, e produz cerca de 200 kg de castanha por ano.

O Nordeste Transmontano tem menos castanha, no entanto, é responsável por quase metade da produção nacional de castanha e promete uma boa colheita. A castanha do nordeste dirige-se essencialmente à exportação, nomeadamente para o Brasil, França, Itália e Espanha. O período de comercialização concentra-se sobretudo entre os meses de outubro a janeiro/fevereiro.

De salientar que, Bragança e Vinhais, onde se concentra a principal área de cultivo de castanheiros na Terra Fria Transmontana, a produção de castanha representará um valor global de cerca de 10 milhões de euros, num total de cerca de 11 milhões de euros para toda a zona da Terra Fria.

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Autarquia encomenda estudo para avaliar empresas municipais

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A Voz de Trás-os-Montes - Autarquia encomenda estudo para avaliar empresas municipais

A Câmara Municipal de Vila Real encomendou a uma empresa externa um estudo sobre a situação de cada uma das cinco empresas municipais do concelho com o intuito de dar resposta ao novo Regime Jurídico da Atividade Empresarial Local, que, em vigor desde agosto, prevê que "até fevereiro de 2013 as empresas que não cumpram os critérios definidos na lei desapareçam".

As autarquias de todo o país têm assim até ao final do ano para "adequar os estatutos" das suas empresas municipais à nova lei, prevendo-se que, a nível nacional, cerca de 200, metade das que existem atualmente, venham a ser extintas.

O município de Vila Real conta com quatro empresas municipais. A mais antiga das quais, a Merval, foi constituída em 2001, e faz a Gestão de Mercados e a Promoção de Projetos de Desenvolvimento Local.

Em 2003, a Câmara Municipal avançou com a criação de outras três empresas, entre as quais a Empresa de Água e Resíduos de Vila Real (EMAR), que teve como objetivo "introduzir novas formas de gestão e agilizar e melhorar o mais possível as respostas a dar aos cidadãos no abastecimento de água, drenagem e tratamento de esgotos, e recolha de Resíduos Sólidos Urbanos", incluindo a recolha seletiva.

No mesmo ano nasceu a Vila Real Social, que dedica a sua atividade "à promoção de habitação social no município, à gestão social, patrimonial e financeira do parque habitacional ou outros equipamentos e ou espaços".

Finalmente, também em 2003, surgiu a Culturval, empresa que hoje tem a seu cargo a gestão dos vários equipamentos culturais do concelho, entre os quais o Teatro de Vila Real, a Biblioteca Municipal e todos os museus.

Para dar resposta à nova lei, Manuel Martins, presidente da Câmara Municipal, encomendou um estudo que vai ditar a situação atual de cada uma das empresas, bem como encontrar soluções para que sejam cumpridos os critérios exigidos. "Até ao final do ano vamos avaliar o resultado desse estudo e até fevereiro o assunto ficará arrumado", garantiu o autarca.

Relativamente ao possível cenário de extinções, o autarca reconhece que a Culturval corre o risco de não cumprir os critérios, no entanto já fez chegar uma carta ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, onde chama a atenção para a necessidade de tratar de forma distinta as empresas do setor cultural. "Não há nenhuma na área da cultura que dê lucro. Acabar com a Culturval é andar para trás 20 anos", defendeu.

Manuel Martins contabilizou que só no teatro a empresa gere mais de 20 trabalhadores, que contam com um horário laboral flexível, ou seja, internalizar esses trabalhadores na câmara significaria mais gastos e uma "poupança zero".

Segundo a nova lei, o primeiro passo para a manutenção das empresas é dado pelas próprias autarquias, que "têm que demonstrar a necessidade da sua existência, a necessidade e a procura dos serviços prestados no passado e no futuro, e o impacto que terá nas contas do município".

Outra das muitas exigências é a de que os "administradores das empresas não poderão ganhar mais do que ganha um vereador a tempo inteiro na autarquia, deixando de ter como referência salarial a remuneração do presidente da câmara".

Segundo o Governo, trata-se de "uma alteração profunda, estrutural, no regime jurídico deste setor, alteração essa que resulta numa redução de 40 a 50 por cento das empresas locais atualmente existentes" em Portugal.

Variedades antigas de melão recuperadas no Vale da Vilariça

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A Voz de Trás-os-Montes - Variedades antigas de melão recuperadas no Vale da Vilariça

Algumas espécies de melão do Vale da Vilariça quase em extinção foram recuperadas pela Associação de Regantes, em colaboração com outras entidades. Este projeto demorou seis anos a ser executado, mas foi coroado de êxito.

A produção de melão continua a fazer-se embora não seja nas variedades tradicionais do Vale da Vilariça. Para este efeito, foi levado a cabo um projeto de investigação no qual a própria Associação participou juntamente com técnicos da UTAD e da Direção Regional de Agricultura de Trás-os-Montes, num trabalho que foi faseado. "Uma fase passou pela recuperação da semente que estava praticamente perdida no tempo. O segundo passo foi melhorar as qualidades do próprio melão, porque era um melão que crescia e partia muito. Foi melhorado e já há alguma semente disponível, e está registado no catálogo nacional de variedades, como é o caso do "melão lagarto" e do "melão carrasco", contou, ao Nosso Jornal, o presidente da Associação de Regantes do Vale da Vilariça, Fernando Brás.

Para o futuro, esta agremiação vai realizar uma campanha de sensibilização junto dos agricultores para adotaram a sementeira destas espécies. "O melão da Vilariça é um produto totalmente diferente e pode haver um mercado específico. Estamos a falar em tamanho, porque a espécie desadaptou-se ao longo do tempo e foi perdendo algumas qualidades. Como para o mercado o aspeto é importante, primeiro são os olhos, por isso tínhamos que tornar o melão mais apetecível, para além de melhorar um pouco as qualidades organolépticas".

O dirigente sustentou que este projeto, em parceria com a Direção Regional e com a UTAD, foi a melhor coisa que se podia fazer" na defesa de um produto que é um património desta região do país.

Seis anos de investigação e sementes em "banco de genoplasma"

O desenvolvimento deste projeto foi longo, houve duas fases de investigação: uma primeira fase de três anos e a segunda também de três anos. "Foi difícil recuperar a semente mas neste momento damos garantias que esse património está recuperado e preservado. Essas sementes também estão congeladas, num banco de genoplasma na UTAD, em Vila Real".

De sublinhar que, a Direção Regional também deu sementes aos agricultores que participaram na altura no projeto de investigação com campos de melão.

Uma outra variedade de melão, o "moscatel", muito característico deste vale terá também de ser recuperado.

Quanto às definições de cada variedade, o melão lagarto é verde e amarelo, enquanto o carrasco é somente verde e o moscatel também é esverdeado. "Será sempre uma mais-valia mesmo que se faça em pequenas quantidades, já que é um produto diferenciado no mercado, e pode estar perfeitamente direcionado para determinadas pessoas. Quando as pessoas vão comprar um melão branco vão sempre ao rabo do melão apalpar para ver se está maduro. Porém, não é assim que se vê se o melão branco está maduro. Este hábito é oriundo precisamente do melão da Vilariça, porque era assim que se fazia para saber se estava ou não maduro, ele ficava um bocadinho mole no rabo. São hábitos antigos", contou Fernando Brás. "Está recuperado, agora falta o passo seguinte, que é avançar com as plantações de melão, incentivar os agricultores e arranjar mercado para esse produto", realçou.

O tamanho dos melões (lagarto e carrasco) da Vilariça vai de 1 quilo aos 3 quilos, sendo bastantes aromáticos e muito doces.

Autarquia flaviense avança com plano de apoio social

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A Voz de Trás-os-Montes - Autarquia flaviense avança com plano de apoio social

A Câmara Municipal de Chaves tem vindo a preparar um conjunto de medidas sociais tendo em vista minorar os efeitos da atual crise socioeconómica. Em apoios extraordinários, autarquia está a investir mais de 200 mil euros nas áreas da educação, habitação e alimentação, para ajudar os mais carenciados. Neste sentido, as ajudas à comparticipação de rendas pode chegar aos 90 por cento.

O efeito da atual recessão económica também se faz sentir na zona do Alto Tâmega. O desemprego no distrito tem aumentado para números que o colocam nos lugares cimeiros a nível nacional. Os municípios desta região são sensíveis a esta nova realidade e têm preconizado uma série de medidas para combater as dificuldades sentidas pelas famílias, como acontece na generalidade das autarquias do distrito de Vila Real.

A Câmara Municipal de Chaves tem avançado ou mantido algumas iniciativas, como na área da habitação e do Imposto Municipal sobre Imóveis, IMI, anunciado recentemente. Ao Nosso Jornal, o presidente da edilidade flaviense, João Baptista, enunciou algumas dessas medidas de apoio e outras, nomeadamente nas áreas da educação e noutros impostos municipais. "Num contexto de crise em que vivemos, temos várias iniciativas em curso e partimos para um reforço social em várias áreas, nomeadamente na educação". Aqui, o investimento atinge os cerca de 40 mil euros só em bolsas. "Reforçamos o número de bolsas a estudantes carenciados do ensino superior. Em vez da atribuição de 20 bolsas, como tem vindo a acontecer desde 2007/2008, agora, em 2013 serão 25, num valor máximo de 200 euros até 10 meses, ou seja, 2.000 euros por ano para os estudantes que estudem fora da cidade. Para aqueles que estão nos estabelecimentos de ensino superior na cidade de Chaves, são 75 euros por mês (10 meses). Mas existe uma outra ajuda. Por exemplo, um aluno que esteja a estudar fora de Chaves e que tenha uma bolsa do Estado, porventura que seja de 100 euros, o município completa com a parte restante, até aos 200".

O aumento do número de bolsas é uma resposta da autarquia ao crescente número de candidaturas. "Nos dois primeiros anos, não chegou a haver candidaturas para as 20 bolsas disponíveis, nos últimos anos chegamos a quatro vezes mais candidaturas para a oferta disponível. Este ano, o processo de apresentação dos pedidos está em aberto e começarão a ser pagas só em janeiro, devido ao nosso orçamento ser por ano civil e não por ano letivo".

Com a atribuição destas bolsas de estudo, o Município pretende apoiar e incentivar a continuação dos estudos a jovens com dificuldades económicas e colaborar na formação de quadros técnicos superiores. Recorde-se que, no ano passado, o montante global das bolsas foi de € 31.262.00 euros. Nos transportes e refeições, a autarquia também disponibiliza apoios e irá manter o valor das refeições escolares. Neste âmbito, cerca de 600 crianças (alunos transportados - com exceção do circuito urbano) não pagam refeição, sendo este serviço suportado na totalidade pela Câmara. Os alunos do escalão B pagam 0,73€ por cada refeição e os restantes alunos 1,46€. O total abrange cerca de 1200 crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico, bem como as crianças matriculadas no Ensino Pré-Escolar. "Apesar dos tempos atuais não serem fáceis para os municípios, devido aos cortes nas transferências financeiras do Orçamento de Estado e à quebra de receitas municipais, nós continuamos a adotar medidas de proteção social", frisou João Baptista.

A Câmara vai continuar a apoiar na totalidade (100 por cento) os passes escolares dos alunos do ensino secundário provenientes da Escola Professor Nuno Rodrigues e do Patronato de S. José, em Vilar de Nantes.

Apoios às rendas da habitação, alimentos e roupas

Os bairros sociais da cidade de Chaves têm muita população. Há problemas ao nível da sustentabilidade das famílias, mas a autarquia refere que não existe uma disponibilidade total para atender a todas as solicitações, mas assegura o auxílio possível. "Temos vindo alargar substancialmente os apoios às famílias mais carenciadas. Alguém que esteja a pagar uma renda devidamente legalizada, e que fique desempregado, e de acordo com o rendimento da pessoa e do valor da própria renda, o apoio pode ir até 90 por cento. Esta medida surge em situações de necessidade súbita. No primeiro ano, apoiamos 19 famílias, e já há 3 anos que apoiamos 20 neste regime. Há também aquelas que têm limites temporais, nomeadamente de 3 ou 6 meses, tudo dependendo da evolução da situação social".

Está em curso ainda uma ação de recolha e distribuição de roupas. "Há uma empresa que faz a recolha através dos vários contentores colocados na cidade para este efeito. A roupa é recolhida, tratada e depois colocada na Loja Social e à disposição das pessoas por 1 euro. Neste momento, temos a colaborar connosco três costureiras, tudo isto inserido nas ações da empresa Chaves Social. Por outro lado, a Chaves Social "está a reforçar a colaboração com a Cruz Vermelha na distribuição de alimentos às famílias mais carenciadas. Além disto, também pagamos deslocações a alguns doentes nos seus tratamentos e consultas nos hospitais fora da cidade, nomeadamente no Porto. Saliento que, além da colaboração da Cruz Vermelha e da Segurança Social, há outras associações que têm colaborado nestas últimas ações".

Quanto aos números, João Baptista sublinhou que, além do apoio de cerca de 40 mil euros nas bolsas de estudo, disponibiliza cerca de 30 mil euros no auxílio à comparticipação das rendas de habitações, mais de 120 mil para a Chaves Social em apoios básicos aos mais carenciados. O valor só em transportes e alimentação ascende "a mais de um milhão de euros por ano".

IMI reduzido para recuperação de imóveis no centro histórico

Uma outra medida de ajuda preconizada pela edilidade prende-se com o IMI para 2013, cuja Assembleia Municipal já aprovou a taxa mínima, 0,3% para a maioria dos prédios avaliados segundo o novo código, mantendo-se assim a taxa em relação aos anos anteriores. "Recordo que, o município tem mantido a taxa de 0,3 desde 2007, isto já no sentido de ajudar as pessoas, sabendo-se que a avaliação dos prédios é feita pelas Finanças a nível nacional. Agora uma coisa é avaliação, outra é a taxa, e nós aqui podemos ajudar. Os efeitos desta medida fazem com que cerca de 33 mil prédios do concelho sejam abrangidos e beneficiados, assim como um número semelhante de habitantes. Só para se ter uma ideia do reflexo desta decisão, aponto o caso de um prédio avaliado em cerca de 100 mil euros pagar 300 euros com a taxa mínima. Caso a taxa fosse máxima, o valor chegaria aos 500".

Ainda neste contexto, a autarquia adotou uma outra prática quanto ao IMI. "Nós temos uma outra regra que incide sobre o centro histórico da nossa cidade. Os prédios recuperados nos últimos 3 anos têm ainda um benefício de 30% do IMI, de 3 a 5 anos, 20%, de 5 a 8 de 10%. Por outro lado, aquelas pessoas que são notificadas para recuperar e não o façam têm penalizações a 30% ao nível do IMI", concluiu.

Conservatório Regional de Música de Vila Real

Autarquia já decidiu: Fundação não vai ser extinta

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"A despesa pública realizada com o Conservatório é 'boa' despesa pública e tem um retorno social e cultural evidente", defende a autarquia como uma das justificações para deliberar a favor da manutenção da fundação que gere a escola de música de Vila Real. De resto, continuam a ouvir-se as vozes contra as decisões governamentais no âmbito da reestruturação e consequente extinção de fundações, como por exemplo a Turismo do Douro que assumiu publicamente o seu "repúdio" para com a medida
A Voz de Trás-os-Montes - Autarquia já decidiu: Fundação não vai ser extinta

Tal como já tinha sido defendido pelo autarca Manuel Martins, a Câmara Municipal de Vila Real deliberou, em reunião do executivo realizada no dia oito, "manter os pressupostos fundacionais que estiveram na origem da criação da Fundação Comendador Manuel Correia Botelho, responsável pela gestão do Conservatório Regional de Música de Vila Real".

Segundo a proposta aprovada por unanimidade, "uma das principais razões para a escolha do figurino fundacional foi a de o mesmo ser necessário para possibilitar a concessão por parte do Ministério da Educação dos necessários contratos de patrocínio e do reconhecimento do paralelismo pedagógico ao Conservatório, uma vez que não seria sequer legalmente possível ao Município ser detentor de uma escola pública de música".

Reconhecendo a importância e abrangência da sua atividade, comprovadas "quer pelo consistente aumento do número de inscrições e pré-inscrições de alunos ano após ano, quer pelos frequentes e prestigiantes prémios que os seus alunos têm alcançado em concursos nacionais e internacionais", a autarquia considera que "a despesa pública realizada com o Conservatório é 'boa' despesa pública e tem um retorno social e cultural evidente na qualificação da população juvenil (e não só) na área da música". "Em boa verdade não é despesa, é investimento", defendeu o executivo.

Na proposta divulgada publicamente é sublinhado ainda que "extinguir esta Fundação constituiria, além do mais, uma desconsideração totalmente imerecida para com a pessoa do Comendador Manuel Correia Botelho, que de forma absolutamente desinteressada, filantrópica e, a todos os títulos, louvável, contribuiu com o seu pecúlio pessoal (que bem podia deixar ficar no Brasil) para a sua criação".

Apesar de deliberar a favor da manutenção da fundação foi também deixado claro que "em face da nova Lei-Quadro das Fundações, pode haver lugar a pontuais alterações estatutárias, que conformem a sua composição e funcionamento às novas exigências legais".

O Conservatório Regional, cujo novo ano letivo começou no dia 17 de setembro, conta atualmente com cerca de 400 alunos e, segundo o vogal do conselho fiscal, recebe do Estado 1,7 milhões de euros, não através de subsídios, mas sim da prestação de serviços ao Ministério da Educação e de candidaturas a fundos comunitários através do Programa Operacional de Potencial Humano.

Turismo do Douro pede ao Governo que reconsidere

Trata-se de "duas instituições que são responsáveis por recursos turísticos de cariz cultural de grande relevância e que têm contribuído para a afirmação do Douro como destino turístico de excelência", explicou a direção da Entidade Regional de Turismo do Douro que, em comunicado divulgado no dia nove, demonstrou a sua discordância com a decisão do Governo de extinguir "de imediato" a Fundação Museu do Douro e a Fundação Coa Parque.

"Embora reconhecendo as dificuldades que o país atravessa", a direção da Turismo do Douro "repudia a opção de se extinguirem Fundações tão importantes para o desenvolvimento económico, social e turístico da região em que se inserem, uma região do interior que tanto tem dado ao país, quer através da produção de vinho, quer da produção de energia hidroelétrica, quer, ainda, pela sua capacidade de atração turística".

Mostrando-se "convictos de que o trabalho que se tem desenvolvido em parceria com as duas instituições continuará a mostrar-se profícuo para a região e o país", os mesmos responsáveis deixaram ainda um apelo para que o Governo "reconsidere a decisão inicial".

Novo trimestre pensado para fazer rir os transmontanos

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A Voz de Trás-os-Montes - Novo trimestre pensado para fazer rir os transmontanos

"Este trimestre tem um pendor acentuado para o humor", confirmou ao Nosso Jornal Vítor Nogueira, diretor do Teatro de Vila Real, que já tem 'em cena' a programação dos meses de outubro, novembro e dezembro.

A nova programação começou já com animação ao abarcar os últimos espetáculos do Douro Jazz, Festival Internacional que termina no próximo sábado com três espetáculos (Mário Laginha atuará em Vila Real, Funny Roz no Teatro Ribeiro Conceição, Lamego, e o duo Elisa Rodrigues e Júlio Rodrigues subirão ao palco Brigantino) e duas arruadas levadas a cabo pela Marching Band do Festival.

No próximo dia 19 subirá ao palco do grande auditório vila-realense Herman José que, com o seu "ONe (Her)Man Show", promete um espetáculo "único, intimista, musical, delirante e hilariante".

"Como o bom filho a casa torna, este espetáculo recupera a energia dos seus primeiros anos de vida artística passados no palco, servidos por vários 'instrumentos' dos muitos com que burilou a sua extraordinária carreira: uma viola baixo, uma viola acústica, um piano elétrico, o lenço da Maximiana, a cabeleira do Serafim Saudade, a 'pochette' do Nelo ou a gravata do José Estebes", explica a produção do espetáculo.

Ainda em outubro, e também seguindo a linha do humor, a companhia Peripécia Teatro vai regressar aos palcos vila-realenses, nos dias 26 e 27, com o espetáculo "1325", que pretende "tratar em palco a violência com positivismo".

No início de novembro, mais exatamente no dia 9, os espetadores transmontanos vão poder rir à custa de três nomes bem conhecidos da comédia portuguesa, Rui Unas, Aldo Lima e André Nunes, que trazem a peça "As mulheres não percebem...".

O fim de semana seguinte, dia 16, contará com a presença de Ricardo Araújo Pereira, que, além de apresentar o seu novo livro baseado no seu programa de rádio "Mixórdias Temáticas", vai fazer um "pocket show", uma sessão de autógrafos e conversar com o público.

Da programação, há a destacar ainda o espetáculo "Nióbio" que, levado à cena, no dia 14 de dezembro, pela companhia "Visões Úteis", promete "uma divertida farsa, inspirada nas criações vicentinas".

De sublinhar ainda que, tal como acontece desde há dois anos, as terças-feiras do Café-concerto são animadas com os espetáculos de Stand Up, estando prevista a participação dos comediantes Pedro Neves, João Seabra, Hugo Sousa, Paulo Baldaia, Miguel 7 Estacas e Rui Xara.

"Não é difícil programar espetáculos de comédia e música porque são as áreas do espetáculo que mais cativam o público", explicou Vítor Nogueira, revelando por exemplo o sucesso do ciclo "Humor à Terça" que conta sempre com casa (café-concerto) mais que cheia, "a rebentar pelas costuras".

A programação prevê ainda outras propostas variadas, como por exemplo, os concertos de David Fonseca (dia 3 de novembro) e de Sérgio Godinho (dia 24 de novembro) ou o espetáculo "O Lago dos Cisnes", pela Companhia Russa de Ballet Clássico (dia 9 de dezembro).

O ciclo "Cinema sem Pipocas" e outros espetáculos de teatro e música estão também na agenda daquele que será o último trimestre de 2012. "Ao nível de espetadores, este ano está a correr dentro do habitual", explicou o diretor do Teatro de Vila Real, falando já no fenómeno de "estabilização de públicos".

Continuando a ter "taxas médias de ocupação" muito boas, muitos dos espetáculos do próximo trimestre já têm bilhetes vendidos (cujos preços variam não ascendendo nunca os 15 euros), e alguns já contam com "metade da bilheteira vendida".

IVDP aperta a vigilância ao tráfego ilegal de uvas e mosto

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A Voz de Trás-os-Montes - IVDP aperta a vigilância ao tráfego ilegal de uvas e mosto

Para controlar o tráfego de uvas e mosto durante esta vindima, o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, IVDP, está a pôr em prática um plano que visa combater qualquer eventual irregularidade nesta área. Os locais que vão requerer especial atenção são as fronteiras da Região Demarcada do Douro, RDD, com as regiões vizinhas dos vinhos Verdes e do Dão.

De uma forma cirúrgica mas eficaz, o IVDP tem em permanente vigilância brigadas espalhadas pela região com o intuito de manter a normalidade em todo o processo de autenticidade e transformação das uvas na RDD.

Antes desta ação, o presidente do IVDP, Manuel Cabral, já tinha reunido com os responsáveis das Comissões de Vitivinicultura das regiões do Dão e dos vinhos Verdes, para delinear estratégias de vigilância. "Neste momento, além das brigadas de fiscalização deste organismo, estão a trabalhar em articulação connosco a GNR e a ASAE. Temos fiscais a circular na região do Douro em viaturas descaracterizadas numa vigilância durante 24 horas", realçou.

O problema de circulação de mostos (embora permitidos para determinados tipos de vinho de mesa só aprovados pelo IVV) e de uvas sempre foi uma matéria que durante esta altura da vindima mobilizou atenção especial dos organismos fiscalizadores. Neste âmbito, os próprios centros de vinificação são alvo de visitas por parte do IVDP. Segundo Manuel Cabral, já houve casos de ilegalidades com o transporte de uvas que já foram identificados, mas que serão quantificados oficialmente num balanço posterior à vindima.

Com esta ação, o IVDP pretende garantir que o vinho do Porto e os vinhos de Denominação de Origem Controlada, e Indicação Geográfica Protegida da Região Demarcada do Douro, mantenham toda a sua genuinidade e identidade com a sua zona de origem.

Quanto às áreas mais vigiadas, no que concerne aos limites da RDD, prendem-se com os concelhos de Lamego, Resende, Vila Real, Vila Nova de Foz Coa, Meda, Mesão Frio, Murça e Resende.

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Edição Diária 17.Abr.2014

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