Os resultados de Cancún foram melhores que o esperado - ao contrário do que aconteceu em Copenhaga há um ano, onde houve "muita parra e pouca uva". Talvez devamos prosseguir com a abordagem "low key" para alcançar melhores resultados no combate às alterações climáticas.
Parabéns a todos os envolvidos nas negociações que decorreram ao longo das últimas duas semanas no México sobre o esforço colectivo do mundo perante uma das principais ameaças com que nos que defrontamos - as alterações climáticas. Um esforço comum, com destaque para o papel desempenhado pela Presidência Mexicana; pela União Europeia, que esteve unida e determinada; e - puxando a brasa à sardinha britânica, para o trabalho do nosso Ministro que teve um papel de relevo num dos assuntos mais delicados..... A Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (para utilizar o título correcto da reunião), conseguiu alcançar resultados concretos para fazer avançar as negociações até um acordo global vinculativo para reduzir as emissões de CO2 e assim fazer abrandar e depois inverter o processo de aquecimento global. Este mapa
mostra as consequências de não atacarmos o problema do aquecimento global.
mostra as consequências de não atacarmos o problema do aquecimento global.
Em concreto, o que ficou acordado em Cancún foi:
O reconhecimento oficial de que os actuais níveis de compromisso para a redução de emissões terão que aumentar
Um enquadramento para se poder pagar a certos países para se adaptarem às inevitáveis alterações climáticas e para fazerem opções económicas de baixo carbono no futuro - nomeadamente a criação de um Fundo Verde
Acordo para a partilha de novas tecnologias de forma a que os países em desenvolvimento possam desenvolver processos mais ecológicos para produzir electricidade
Acordo sobre um sistema para monitorizar e reportar níveis nacionais de emissões de carbono
Acordo para diminuir a desflorestação
Não pretendo exagerar relativamente àquilo que foi conseguido; ainda falta o grande passo para convencer os maiores emissores do mundo (EUA, China) a fixarem objectivos, com valores concretos que possam ser validados, no que diz respeito às emissões de gases com efeito de estufa. Sem isso, não há acordo que valha muito. Mas esta foi a primeira vez que países desenvolvidos e em desenvolvimento - mesmo os grandes emissores -, estiveram reunidos conjuntamente no âmbito deste processo das Nações Unidas.
Isto foi um progresso para o combate às alterações climáticas e para o multilateralismo numa perspectiva mais ampla e, o que é mais importante, deverá representar um forte sinal de confiança para aqueles que investem to na economia verde. Podemos afirmar com confiança que regressámos ao bom caminho. Há hipóteses de se alcançar um acordo global na África do Sul daqui a um ano. E também - como disse William Hague na sua declaração no final da cimeira -, o acordo é uma prova da utilidade do caminho multilateral - problemas globais precisam de soluções globais.