20 de abril de 2014 às 22:48
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A União Europeia seria uma excelente ideia

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Quando lhe perguntaram o que achava da civilização ocidental, Mahatma Gandhi respondeu: "acho que seria uma excelente ideia". A frase carrega muito mais significado do que possa parecer à primeira vista. Não se trata apenas de pôr em causa a forma como o Ocidente, e em especial a Europa, se vê a si próprio. Indo mais longe, diria que quase todas as construções humanas, políticas e culturais, são isso mesmo: uma excelente ideia, distante, na prática, do que realmente são.

A Europa, enquanto unidade política e económica, seja nas suas versões originais da CECA e CEEA, seja a CEE, seja depois a União Europeia, é uma excelente ideia. Achá-la uma "excelente ideia" é o que me afasta dos soberanistas de esquerda e de direita. Daqueles que acreditam que a democracia apenas se pode exercer espaço nacional e ainda mais daqueles que defendem que só da Nação emanam as formas legítimas de poder.

Divergindo na "ideia", a realidade acabou por me aproximar dos eurocéticos. A "excelente ideia" transformou-se, na prática, num assustador instrumento de poder das Nações europeias mais fortes sobre as restantes e numa forma de imposição de agendas ideológicas que nunca conseguiram, através das instituições democráticas tradicionais, conquistar a adesão popular.

Não desminto os méritos da construção europeia. Contribuiu para décadas de paz num continente martirizado por guerras cíclicas e foi um poderoso instrumento de inibição a derivas autoritárias.

Mas desde cedo, pelo menos desde a nossa adesão à CEE, se começaram a fazer sentir os perigos de união económica tutelada pelas potências mais fortes. Que mais não fizeram que inundar de dinheiro as economias dos novos Estados membros em troca da destruição, em nome de um mercado único, do tecido produtivo desses países. Mais do que membros de pleno direito de uma união europeia, os países menos industrializados foram vistos, pelos restantes, aprenas como novos mercados.

Mas o falhanço europeu começou a desenhar-se de forma mais clara em Maastricht. É aí que uma nova agenda de liberalização da economia e de convergência monetária sem a devida união política começa a dar os seus derradeiros passos. Os efeitos da convergência com o marco rapidamente se começaram a sentir na economia portuguesa, com desastrosos resultados para a nossa balança comercial. Uma falsa união política concentrou cada vez mais poderes nas mãos de burocratas que ninguém elegeu. E nem alguns tímidos poderes oferecidos ao Parlamento Europeu - a única boa notícia do Tratado de Lisboa - conseguiram travar este golpe antidemocrático.

O alargamento a leste, que sempre defendi como obrigação moral da Europa, ajudou a tornar ainda mais improvável uma união entre Estados iguais e solidários. Em vez de um federalismo democrático, a Europa transformou-se, cada vez mais, numa união entre governos com o poder concentrado nas mãos das grandes potências europeias, em especial no eixo franco-alemão. E se isso era um facto, passou a ser, com o Tratado de Lisboa, uma regra. Não, o pecado da Europa não foi o federalismo. Diria que foi o imperialismo, mas como a palavra está historicamente muito marcada, podem chamar-lhe uma outra coisa qualquer.

O passo definitivo e, temo, sem retorno, foi o euro. Defendi-o, convicto de que ele seria um importante impulso para uma união política da Europa. Estava então convencido de que não era sustentável uma moeda única sem que os Estados europeus se vissem obrigados a mudar as instituições europeias. Tinha razão. Mas não tive em conta a correlação de forças que era já então evidente, nem o poder que os avençados dos especuladores financeiros já tinham nas instituições europeias. O euro foi o seu cavalo de Troia.

Ao construirmos uma união monetária sem cuidar de criar instrumentos democráticos que garantissem o primado da política sobre as opções económicas, criámos as condições para um autêntico golpe de Estado à escala continental. E os países mais fracos foram, pelo seu reduzido poder político e económico, os primeiros sacrificados.

Só que o feitiço virou-se contra o feiticeiro. O euro revelou-se, não apenas um aborto político, mas uma aberração económica. Sem instrumentos institucionais sólidos, com um BCE mais independente do poder político do que a Reserva Federal americana ou do que a generalidade dos bancos centrais, sem orçamento europeu digno desse nome, sem a possibilidade de emissão de títulos da dívida europeus, o euro ficou agarrado por arames. E as economias mais frágeis ficaram na linha da frente, sem armas para defender este colosso. Pior: a potência europeia que foi capaz de desenhar um euro à imagem e semelhança das suas necessidades aproveitou este momento para consolidar o seu poder económico e político na União. O que a Europa, no seu conjunto, foi incapaz de fazer - o federalismo político -, a Alemanha tratou de garantir para si.

Não deixo de achar interessante que os maiores entusiastas do status quo europeu se oponham aos eurobounds por eles representarem um inaceitável passo para o federalismo. Defendem uma moeda única, orçamentos nacionais dependentes de visto prévio de instituições não eleitas, normas constitucionais que determinam os limites ao défice e à dívida e a forma como lá se chega, mas dá-lhes um súbito amor à soberania dos Estados quando se defende que o futuro da Europa não pode continuar a depender da "boa vontade" da Alemanha.

Ou se é antifederalista e tem de se ser contra a existência de uma moeda única, do BCE e de regras europeias para os orçamentos nacionais, ou se é consequente com o primeiro passo que foi dado e tem de se defender instrumentos europeus para uma moeda europeia. A começar por poder político europeu, orçamento europeu, regras fiscais europeias e títulos da dívida europeus. Não se pode querer ter um copo de água sem querer o copo. Quem continua a defender que se fique a meio caminho não se está a opor ao federalismo. Está a opor-se à soberania democrática, que passa pelo poder do povo (sejam os povos nacionais, seja o povo europeu) sobre a forma como os seus recursos são utilizados. E está a condenar a Europa à penúria.

A transferência de recursos do Estado e do trabalho para os bancos, o crescente poder da instituições financeiras (que se fez logo sentir na arquitetura do euro), a destruição do Estado Social, os sucessivos atropelos às regras democráticas, o tratamento diferenciado entre Estados (que o último exemplo é o da Espanha, quando comparado com a Irlanda, mas que já se tinha sentido com a benevolência europeia para com as derrapagens orçamentais da Alemanha e da França), e, de uma forma mais geral, a imposição de uma "inevitável" austeridade aos trabalhadores europeus, resultam, na Europa, do mesmo pecado original: para se reforçar, a Europa seguiu por um atalho. E esse atalho passou ao lado da legitimação democrática das suas grandes opções económicas e políticas.

Hoje, digo-o com tristeza, a União Europeia e a sua moeda são o maior perigo que as democracias europeias enfrentam. Porque institucionalizaram um poder desigual entre Estados, dando argumentos sólidos e legítimos aos nacionalismos. Porque enfraqueceram as instituições democráticas nacionais sem as substituirem por instituições democráticas europeias. Porque permitiram que uma agenda ideológica se impusesse sem que tivesse, de forma clara e inequívoca, de passar pelo crivo do voto, apresentando-se sempre como uma inevitabilidade que vem de fora. Porque desresponsabilizaram os eleitos e até os eleitores. Porque substituíram os "egoísmos nacionais" por um único egoísmo nacional, de que a senhora Merkel é a mais clara representante. E porque, na fragilidade do monstro que criaram, permitiram que a crise se espalhasse como uma epidemia pela Europa.

Hoje, como europeus, temos uma escolha a fazer: ou salvamos o barco ou saímos do barco. Ou federalizamos a Europa, criando todos os instrumentos políticos, económicos e financeiros (os três em simultâneo) para garantir a soberania do povo sobre o seu futuro; ou pomos fim a esta loucura e cada um trata de si, protegendo as suas economias, tendo moedas próprias, políticas aduaneiras próprias, incentivos à produção nacional, etc. Prefiro o primeiro caminho. Mas não estou, como cidadão português e europeu, disponível para sacrificar o meu futuro e a democracia em nome do que não seja mais do que uma "excelente ideia". De "excelentes ideias" está o Inferno cheio.

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E a Utopia Comunista (seja qual for)
Quando lhe perguntaram o que achava do Comunismo Canhoto Bloquiano e da política utópica do quanto pior melhor , DO respondeu: "acho que seria uma excelente ideia". A frase carrega muito mais significado do que possa parecer à primeira vista. Não se trata apenas de pôr em causa a forma como o Ocidente, e em especial a Europa, se vê a si próprio. Indo mais longe, diria que quase todas as construções humanas, políticas e culturais, são isso mesmo: uma excelente ideia, distante, na prática, do que realmente são.

Nunca um texto de DO fez tanto sentido como este seu 1º parágrafo da sua crónica e o seu último também=)

Sim, hoje pelo menos, este exercício escrito pode ser considerado como uma crónica pois DO não tenta informar o destinatário, mas reflectir sobre o acontecido - quer se concorde com o seu ponto de vista ou não.

Mas se lermos com atenção lá sobressai todo o seu escárnio e maldizer de tudo e todos novamente, bradando aos céus todo o seu ódio do alto da sua Iluminada posição.

O texto produzido está impregnado de demagogia e um temível e desprezível sectarismo que é usado como um veículo promotor da sua palavra em consonância com a sua agenda política - quanto a esta, até Novembro certamente iremos assistir ao silêncio sobre o Tabu do BE e seu coordenador.

Já dizia assim o seu último parágrafo: De "excelentes ideias" está o Inferno cheio.
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Viva o euro!
O euro foi mais um importante instrumento no cimentar e na coesão europeia.
Não faria sentido termos uma comunidade de países e cada uma a sua moeda,obrigamdo os europeus a terem no bolso uma máquina calculadora só para ver as cotações,os câmbios e os trocos.
Uma comunidade em construção, é assim a Europa.Só que é uma comunidade viva,de Povos muito diferentes e não é de um dia para o outro que tudo se resolve.
Ainda por cima no tempo da globalização e onde as fronteiras económicas e sociais estão cada vez mais abertas.
Mas pouco a pouco a Europa vai corrigindo o que está mal, criando as soluções para os problemas e abrindo as novas estradas do entendimento e do progresso.
Nada se constroi só com vento de feição: é preciso, muitas vezes, enfrentar as tempestades, o desânimo e a crítica dos que estão sempre contra.
Tenhamos confiança no futuro: é esse também o sinal dos tempos e a esperança que faz o homem caminhar historicamente sempre em frente!
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Excelente ideia
Continuo a pensar que são as excelentes ideias que produzem os saltos civilizacionais de que é feito o nosso progresso, o nosso conforto, a nossa paz.

O caminho tem pedras, buracos e lama, mas a direcção é a correcta.Não é o isolamento, as fronteiras,a moeda própria que nos trarão a felicidade. Sonhar o futuro a várias gerações é o trabalho de políticos, gerir a governação do dia a dia é trabalho de gestores e administradores.

A crónica de DO hoje é um texto de gestor e economista,que relata os tropeções que são normais , na construção das excelentes ideias.
São assuntos conjunturais, A Europa é uma ideia factível, indispensável mesmo, se quisermos ombrear com impérios económicos em construção (China,Índia,Brasil,Rússia) que se preparam para dominar nos próximos séculos.

Dentro da argumentação de DO, pelo menos 2 factos não são assim tão lineares,como parecem. Na UE, ser pequeno não significa fracasso, ver Holanda e Bélgica e , a outro nível, a República Checa.
Não se confirma consideração especial à Espanha.Não passou de uma operação de camuflagem, para uso interno..
O problema, é "acreditar"... Ver comentário
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Até que enfim
Até que enfim uma crónica sem demagogia.
Lá no fundo, sabia que conseguiria. Afinal, percebe o que está em jogo tão bem quanto nós, comentadores de serviço!
Parabéns!
Só duas correcções. Não foi o Euro o responsável directo. Foi, na minha opinião, a taxa de juro baixa e os desvarios políticos que levaram a loucuras orçamentais e que criaram desequilíbrios não admissíveis numa moeda única, reflectindo-se depois em ajustamentos inevitáveis na economia (quebra do PIB, desemprego e baixa dos salários).
Outra correcção tem a ver com os especuladores financeiros. Sempre existiram e existirão, mesmo que o Euro desapareça. Eles atacam qualquer moeda. Atacaram a Libra (e o Franco Suíço, apesar de em menor escala) e atacariam o Escudo se isso lhes trouxesse lucros. É a vida.
A perda de soberania (ou uma parte dela) é inevitável. Não é forçosamente mau. Desde que haja justiça e equidade de tratamento. Os estados do Sul dos EUA perderam soberania mas hoje têm liberdade e equidade de tratamento face aos outros estados.
Federalizar a Europa.
Daniel Oliveira aponta a federalização da Europa, com a criação de todos os instrumentos políticos, económicos e financeiros como forma de garantir a soberania do povo sobre o seu futuro. Muito bonito, mas esquece que na Europa não há um povo, mas povos que se encontram em patamares de desenvolvimento económico e social diferentes e que aos que se encontram nos níveis mais elevados não será legítimo pedir-lhes parte da sua riqueza para redistribuir pelos pobres e endividados de outros países da união. A esta pretensão de D.O. aplica-se com toda a propriedade a frase proferida por Mahatma Gandhi "acho que seria uma excelente ideia". Não passa disso!
A EUROPA DO DANIEL É UMA COISA PARA BRINCAR
Esta transposição do principio da sociedade sem classes p a EU é qualquer coisa q só podia vir d uma cabeça viciada em comunismo. Só alguém muito romântico é q acharia q os países membros seriam e se manteriam iguais no processo d construção europeia. A diferença demográfica, a dimensão do PIB, a dimensão do contributo p as obrigações e contributos sejam eles a q nível forem, para si nada representam, nada valem. Para si a Europa deveria ser um falanstério em q tudo era d todos e todos eram iguais. Efectivamente vc tem andado a fingir mas isso p mim não é novidade. Vc até 1989 manifestou-se contra tudo em q assenta esta Europa e daí a água q lhe cresce na boca sempre q vislumbra uma possibilidade d derrocada deste “pesadelo” europeu. É bom não esquecer q esta Europa não tem alternativas pois assenta numa construção feita na base da negociação. Não existe road map algum e, daí a expressão ”navegar á vista” ser a q melhor se lhe aplica. As diferenças são há muito evidentes e só não reparou nelas quem não quis. Como sempre fala do q não sabe ou então fala d coisas sobre as quais não quer dizer tudo. Os seus eurobonds supõem um debate a nível europeu q ninguém fala mas q poderá, esse sim, ter consequências perigosas em período d forte contraciclo económico. Para haver eurobonds os países têm q abicar d soberania financeira e fiscal e será q vc acha q todos os países estão dispostos a isso? Q a solução pode passar pelos eurobonds? A resposta é sim mas havendo um patamar ...
R:A EUROPA DO DANIEL É UMA COISA P BRINCAR 2 Ver comentário
Chegámos ao terminus.


Notícias da Itália:

Lagarde: meno di tre mesi per salvare l'euro. Le Borse Ue aprono incerte
Il direttore del Fmi ha risposto a George Soros e non ha voluto fare previsioni sull'uscita di Atene dall'Eurozona

=

Largarde: menos de três meses para salvar o Euro. As bolsas UE abrem incertas.
O diretor do Fmi respondeu a George Soros e não quis fazer previsões sobre a saída de Atenas da Eurozona.

Menos de três meses?

Mas o que têm feito até agora? Perderam o tempo com bagatelas? Ao que parece, sim, perderam.

excelente crónica
DO é assim ... há dias bons e dias maus

a crónica de hoje é claramente um dos muito lucidos dias bons...muito bom mesmo (parabens)

concordo a 101% ou a EU federaliza ou acaba-se o disparate do euro (dos moldes actuais) porque claramente isto não funciona, nasceu torto de forma não democrática sem o suporte institucional necessário, e como estamos ... torto irá morrer.

mas falta aqui um pormenor, ou melhor "pormaior".
o timing!!! a federalização europeia tem de vir legitimada democráticamente ou vai acumular ódios até ao dia do estoiro final por ser imposta.

é que no timing e contexto actuais o que fazer com os que rejeitem a federalização? há sérios "riscos" de "nãos" se o processo for democrático, para alem disso fica-se ainda com uma situação no minimo "estranha" que é a de federalizar a zona euro e o que fazer com os que estão fora? passam a uma especia de "membros honorários" do clube, e que regras passam a ter?

porque dando o salto federalista, na prática a zona euro passa a ser um país por si só, e depois existiram uns "apendices" sobre os quais irá ter os poderes condicionantes que se foram acumulandos pelas instituições actuais (que este novo "país" claramente assumirá o controlo).

a federalização da zona euro pode vir a ser um sério risco para os outros porque depois, os interesses do bloco euro passam para primeirissimo lugar e o resto dos paises correm o sério risco de passar quase a feudo colonial...

sacodenavalhas.blogspot.pt
Re: excelente crónica Ver comentário
Parabéns Daniel Oliveira
Parabéns Daniel Oliveira.

Pela 1ª vez dou-lhe os meus modestos e sinceros parabéns pelo execelente trabalho.

Não me recordo de ter estado de acordo com nenhum dos seus artigos achando-os até mesmo demagógicos, renegociação de dívida, imperialismo alemão, etc...).

Hoje publica um excelente artigo com o qual concordo plenamente.

Obrigado.

Melhores cumprimentos.
Re: A União Europeia seria uma excelente ideia
Este é um texto de análise em que se procura reconhecer o que de bom tem a União Europeia e o que falta fazer para ela ser uma realidade a todos os niveis. DO pela primeira vez não vem fazer ataques pessoais e desejo que continue nesta linha porque esse é o papel de um cronista de um jornal de referência.
Diria que o projecto da União Europeia foi uma ideia brilhante mas implementá-lo, em toda a sua extenção, continua a ser muito complicado.Culturas e condições económicas tão diferentes não são fáceis de orientar para um projecto comum.Tem faltado Economistas à altura e de todos os quadrantes politicos que tenham uma visão abrangente da Europa. Entre nós nem o Prof Cavaco ou Dr Louça ambos Prof Catedráticos de Economia( e só para referir estes que ocupam cargos politicos) são um exemplo.
Não se pode desistir e não nos perdermos em lutas intestinas de má lingua e inveja e contnuar a acreditar na Europa unida.
Há Sempre Um MAS...
Gostei muito da sua crónica ... penso que a Alemanha ainda tem ressentimentos com a Europa ... porque a má ferida cura-se e a má reputação "mata" ... A Frau Merkl quer por o sapatinho de Cinderela Modelo Austeridade em dominó a todos os países ...A Nona Sinfonia de Beethoven, mais propriamente o hino da Alegria é o Hino Oficial da União Europeia... Este hino, sem letra, simboliza os ideais de Liberdade, Paz e Solidariedade... Ideias Nobres que durantes décadas nortearam os destinos da União Europeia... A comunidade do carvão e do aço, económica, os sucessivos alargamentos a novos países, a queda do Muro de Berlim, os acordos de Shengen e a criação do Euro foram passos importantes no aprofundamento do projecto Europeu. Com Altos e Baixos a verdade é que durante décadas "União Europeia" foi um Hino à Liberdade, os cidadão enraizaram a ideia que através de uma união económico e europeia seria possível no brilhante iluminado.Uma História com um final feliz, mas sucede que nos tempos indefinidos vividos na actualidade que vivemos um súbito apagão e estamos a sucumbir ás e nas escuras de um obscuro praticado.
Este obscuro não se coaduna no plano de disputas de fronteiras, de conflitos raciais nem de líder megalómano, infelizmente trata-se pura e simplesmente de dinheiro e da voracidade de uns quantos estados Europeus subverterem e que vivem à custa de outros Estados Europeus, parasitas, o mais triste e grave à custa das PESSOAS...É ganhar a Inspiração de tempos idos.
Acabar com a loucura!
No meu entender, a saída mais proveitosa e dolorosa é a saída do euro.
Vimos que não há igualdade.
Vimos conflitos de interesse.
Vimos irresponsabilidades de quem estava no Poder e só olhou pelo seu umbigo.
O melhor é aprender com os erros e deixar governar pessoas de valor humano, despojadas de interesses que só o querem fazer para o bem estar das comunidades em detrimento de vantagens e lobies.
Dar autonomia a pessoas competentes que só querem trabalhar para construir um futuro melhor para todos.
Autenticidade, liderança, humanidade, solidariedade, fraternidade!
Construir uma identidade!!!
Coisa que em Portugal, há muito que não se vê!!!!
Um assunto de coturno.

Daniele,

Foi bravíssimo porque fez uma análise da situação UE, que reflete com precisão a realidade.

                                          António - Itália

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