O caso de Ramiro, 64 anos e beneficiário do Rendimento Social de Inserção, e de Laurinda das Neves é grave e urgente: as paredes caem ao toque de uma mão, a água escorre pelo telhado ou pelas janelas e as baratas entram por onde querem.
Laurinda não consegue caminhar, cozinhar ou sequer cuidar da higiene pessoal. A falta de uma casa de banho e de um duche obriga-a a fazer as suas necessidades fisiológicas num balde colado no chão do quarto e a tomar banho de mangueira de água gelada no Inverno.
A situação do casal agrava-se com a falta de apoio domiciliário de qualquer espécie. "As instituições têm recusado o auxílio devido às péssimas condições de habitabilidade e à falta de uma casa de banho com água quente para dar banho à utente", explica José António Pinto, assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã. Este agente esclarece que têm sido feitos "pedidos insistentes" junto da Segurança Social e da Câmara Municipal do Porto para apoiar o pagamento de uma casa digna, até agora sem resultados.