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A terra de John Wayne

É como diz a canção um "sol de Inverno", ou um sol no Inverno, poder encontrar um comentário, político ou não, que tenha dentro o homem que está por detrás dele, com o que sente, com o que pensa, com o que deseja, com o que preconiza. De que se goste mais ou menos, mas sempre um interlocutor sério, e até um inspirador. É claro que me identifico mais com as digamos assim primeiras premissas de uns do que doutros. Mas elas têm de qualquer forma um ponto em comum: reflectem o homem que as enforma e, por isso mesmo, se são de algum modo previsíveis, elas são fortes, eficazes, interlocutoras. Muitas vezes repito inspiradoras.

No lado oposto, estão aqueles que mudam de primeira premissa ao sabor das conclusões que, num determinado momento, querem publicitar são os tais fins que justificam os meios utilizando-os com má fé para servir interesses e enganar os incautos: interesses próprios, interesses de outrem, incautos porém sempre os mesmos. Se bem que, mesmo neste caso, o homem também lá esteja por detrás. Só que não presta. Ou presta para muito pouco.

Bitaites


1. o grande problema da saída de Villas-Boas do FC Porto nem foi ele ter dito sim ao convite do Chelsea quando Abramovitch lhe pôs "um camião de libras à frente". Não, o problema foi ele ter garantido antes que não sairia, porque já estava na sua "cadeira de sonho". O que aliás levou o presidente portista a considerá-lo tão portista como ele próprio! Ora, aqui está uma lição que Alexandre Soares dos Santos não aprendeu: também ele falou demais. Não o tivera feito e ninguém hoje lhe iria à mão. Mas fê-lo. E, tal como Villas-Boas pagou o seu "portismo", ele está a pagar o seu "patriotismo". Porque, como diz, e bem, o Miguel Sousa Tavares, não há patriotismos grátis. Nem (diz o povo) sol na eira e chuva no nabal.

2. Isto, enquanto o "Público" vai pagando pelas fotos de Alvalade e o "Expresso" por ter posto a nu o caso Secretas Ongoing Maçonaria, o que só vem mais uma vez provar que toda a gente gosta de bom jornalismo menos quando é atingido por ele, levando-a a esconder a verdade. Por exemplo, o líder da bancada do PSD, Luís Montenegro. Se bem que não totalmente. Já que mentir, mentir, ele não mentiu: não disse que não era maçon, apenas que "não tinha nenhuma actividade na Maçonaria". Porque, com efeito, há muito quem se faça maçon não para ter actividade lá dentro, mas cá fora.

3. Depois de ter lido o artigo que o Pedro Baldaia escreveu este domingo no "DN"(comparando Miguel Relvas ao Marquês de Pombal), já sei: qualquer dia, deixamos de ir ao Marquês, vamos à Praça Relvas. Só espero que a Avenida da Liberdade conserve o nome.

4. Havia, e felizmente ainda há nos restaurantes salas para fumadores. Mas a doentia (essa sim, doentia) sanha do dr. George, tendo em coro alguns fulanos (esses, doentios mesmo, e destemperados para além do que devem), quer acabar com tudo isso. Essa sanha, e a pena de um tal João Pereira Coutinho, que considera as salas de fumadores "guetos oncológicos"e os fumadores "gado pestífero". Pelo que, cá por mim, se pudesse, punha-o a almoçar e jantar todos os dias num refeitório de hospital, onde não se fuma; e, caso esse hospital fosse para tolos, até pedia que lá o internassem, Napoleão travestido de Torquemada ou Torquemada travestido de Napoleão, tanto fazia.

5. A primeira vez que fui a Antuérpia (em 1966), logo à saída da estação deparei-me com uma chusma de fulanos de batina preta, chapéu preto na cabeça, uns caracóis longos a tapar-lhes as orelhas, passando (quase ia escrevendo correndo) pelas ruas, o olhar fixo, cenho franzido, sempre muito atarefados, e perguntei quem eram. Judeus, responderam-me. Nunca judeus assim eu tinha visto. E pareceram-me confesso-o uma espécie de pequenas bombas ambulantes, prestes a explodir ao menor sinal de perigo. Nunca os tinha visto, repito. Mas, pelo que se tem passado ultimamente em Israel (e de resto não só ultimamente, Yitzhak Rabin, por exemplo, que o diga) dá para concluir que muitos deles, ou outros como eles, para lá se deslocarem, agindo de tal forma que até Netanyahu teve de metê-los na ordem. Pelo que me digo: afinal, tinha razão quanto à espécie de pequenas bombas ambulantes que vi pela primeira vez deambular em Antuérpia.

6. No "Expresso", um extenso rol das gafes ("como nunca se vira") até agora cometidas pelos candidatos à candidatura republicana, nos Estados Unidos. Se bem que, no fundo, essa tradição de gafes republicanas já venha de longe: de Spiro Agnew e de Ronald Reagan entre outros, e mais recentemente de George W. Busch, que as cultivaram como ninguém. E ainda faltam a Bachmann (a "terra de John Wayne"), e a Palin. Que pena!

7. O Sporting garantiu que, quer a Liga portuguesa, quer a UEFA, tinham "aprovado e elogiado as fotos"que se encontram no corredor de acesso ao balneário das equipas que visitam Alvalade. A Liga e a UEFA desmentiram. Em seguida, o mesmo Sporting, em comunicado, garantiu igualmente que a Alvalade "não chegou qualquer pedido de credencial" do "Público" para fazer a cobertura do Sporting FC Porto de sábado passado. Um pedido que o "Público" afirma ter feito, via e-mail. Conclusão: nada de novo no reino da Dinamarca.

8. Sistematicamente acusado de falhar nas substituições, Vítor Pereira parece ter encontrado a solução para vencer esse estigma: entra em campo com alguns dos seus piores jogadores, deixando outros melhores no banco. Contra os leões, por exemplo, fez alinhar Maicon a lateral-direito e, no meio e na frente, Belushi, Djalma e Christian Rodriguez. No banco (onde nem sequer se sentaram o internacional uruguaio Fucile e o internacional romeno Sapunaru nem, já agora, Varela), Dafour, James Rodriguez e Kleber. Que, quando foram chamados (tinham mesmo de sê-lo) deram ao FC Porto a supremacia no jogo. O pior é que, se assim se torna mais fácil para o treinador portista não errar nas substituições, também se torna mais fácil para o FC Porto empatar ou perder jogos. Até porque, em 14, já lá vão quatro empates. Quando, no ano passado, em 30, Villas-Boas apenas empatou 3. E o terceiro, contra o Paços de Ferreira, na última jornada no Dragão.

9. Sábado à noite, na RTP, António Oliveira, ao acusar a Olivedesportos de ser "o grande lóbi do futebol português", o seu (no fundo, deixou-o explicito, "verdadeiro patrão," capaz de impor presidentes da Liga, da Federação, seleccionadores, etc.etc.), provocou um grande estardalhaço. Tanto mais que o patrão (agora sem aspas) da dita Olivedesportos (da qual António Oliveira foi sócio fundador, numa sociedade que aliás manteve durante larguíssimos anos) é o seu próprio irmão, Joaquim Oliveira. Estardalhaço tão grande que os media logo se apoderaram do assunto. Menos, que eu saiba, três jornais, todos por coincidência do mesmo Joaquim Oliveira: o "DN", o "JN" e o "O Jogo". O que não constituiu de resto qualquer surpresa: estava-se mesmo a ver que seria assim. Seja como for, mais um excelente exemplo de um jornalismo bem informado e isento. Parabéns.


Bicuaites

1.João Pereira Coutinho: "Os políticos deviam sair do armário e mostrar o avental".
Já agora, com os tarados que há por aí, por que não mostrar também o que está por detrás do avental?

2.António Cunha Serra, reitor da Universidade Técnica de Lisboa: "O cenário de fecho de universidades é real".
Mas mais real ainda é o exagero de universidades que deixaram criar.

3.Título d'"O Jogo": "Portugueses na história com três treinadores na Elite da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol ).
Isto é, nos dez primeiros, Mourinho (2º), Villas-Boas (4º) e Domingos Paciência (9º). Pergunto, porém: com que direito é que o IFFHS se permitiu intrometer-se desta forma na disputa entre Domingos e o Jorge Jesus?

4. Mitt Romney, candidato à candidatura republicana à presidência dos EUA: "Nunca imaginei que ia concorrer para a presidência dos Estados Unidos. Fui governador durante quatro anos. Só quatro anos. Não inalei. Ainda sou um tipo dos negócios".
E, se for eleito presidente, vai continuar a sê-lo, não tenha dúvida nenhuma: é essa a essência da política, caro senhor.

5. Da revista "Pública", a respeito de Roger Daltrey e Pete Townshend: "Cantavam qualquer coisa como ' espero morrer antes de chegar a velho"
Mas a pensar, presumo: o que espero mesmo é a velho nunca chegar. Infelizmente a morte deve escutar muito pouca música e perder pouco tempo a ler pensamentos.

Joan Manuel Serrat (da canção "Mediterraneo"):

... Si un dia para mi mal
viene a buscarme la parca
empujad al mar mi barca
con un levante otoñal
y dejad que el temporal
desguace sus alas blancas.
Y a mi, enterradme sin duelo
entre la playa y el cielo.
En la ladera de un monte
mas alto que el horizonte
quiero tener buena vista
Mi cuerpo será camino
le dará verde a los pinos
y amarillo a la genista.
Cerca del mar porque yo
naci en el Mediterraneo.



Opinião


Multimédia

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"Naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas"

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Aquilo que hoje é uma expressão anacrónica estava em relevo na primeira página do "República", a 25 de Abril de 1974: "Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura". Quarenta anos depois da Revolução, veja os jornais, ouça os sons e compreenda como decorreu o "dia inicial inteiro e limpo", como lhe chamou Sophia. O Expresso falou ainda com cinco gerações de 40 anos e percorreu a "geografia" das Ruas 25 de Abril de todo o país, falando com quem lá mora. Veja a reportagem multimédia.


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Judeus em Antuérpia
Sou apreciador das crónicas do Sr. António Tavares Teles. Aprecio os assuntos que aborda e a forma como se exprime. Partilho muitas vezes os seus pontos de vista.
Contudo desta vez, o seu 5o tema, é algo leviano.
Eles por cá andam. Gente sui generis que se mantém firme na sua crença e nos seus valores; certos ou errados, há que respeitar quando se confinam dentro das liberdades pessoais e não interferem com a liberdade dos outros. Gente que foi espalhada pelo vento um pouco por todo o mundo - um pouco como os Portugueses. Estes que se identificam à distância apenas subsistem nos "eco-sistemas" que lhes dão espaço e respeitam-lhes os seus direitos. E mesmo assim ainda correm os seus riscos; ainda recentemente foram assinalados os 30 anos que um atentado à bomba à porta da Sinagoga Portuguesa aqui em Antuérpia - http://en.wikipedia.org/w...
Na forma de vestir, não diferem assim tanto dos estudantes universitários trajados, apenas faltando a capa e usando chapéu e meias brancas. Trajes típicos do passado. Um episódio caricato quando veio cá uma tuna e se puseram a tocar música na rua. As pessoas não conseguiam perceber porque é que os judeus estavam a fazer aquilo; até perceberem que não eram judeus; ou pelo menos que, sendo-o e não mesmo sem saberem, não estavam ali nessa condição.
Aqui o Pato já só engana patos.
Para quem não sabe, este senhor Tavares-Teles é o célebre autor do Pato, rubrica do jornal O Jogo em que escrevia textos a pedido do Pinto da Costa.

http://www.youtube.com/wa...

Será que estas crónicas do Expresso também são ditadas pelo presidente do Porto? Num país a sério este senhor já não escrevia em lado nenhum. Ainda vem para aqui com as suas críticas e moralismos. Só em Portugal...
Yeah!
Dispenso o romance. Um motel. Umas garrafas de vinho tinto. Banheira de hidromassagem. Espelho dourado no tecto. Filmes antigos do John Wayne. E no fim, limpo a arma ao lençol.

http://oanaogigante.blogs...
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Edição Diária 17.Abr.2014

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