Em tempo de eleições o Expresso foi para um dos mais problemáticos bairros da cidade do Porto fazer duas perguntas: "Vota?" e "Porque é que vota?". O resultado foi uma série de vídeos e fotografias sobre o bairro e as pessoas que responderam às nossas questões. São homens e mulheres de diferentes idades e que moram em pontos diferentes do bairro. Convidamo-lo a visitar connosco o Lagarteiro e a saber a o que dizem dez dos seus habitantes 1766 habitantes.
O Bairro do Lagarteiro é constituído por 446 fogos, onde residem cerca de 1766 pessoas, totalizando cerca de 442 agregados familiares. De acordo com o Instituto Nacional de Habitação (INH, 2006),14,3% da população do bairro são jovens, com taxas de abandono escolar de 15,8% e de 36,6% no que respeita ao absentismo.
A frequência escolar de grande parte da população limita-se ao 1º ciclo (48,4%), 20% concluiu o 2º ciclo, 8,5% o 3º ciclo e apenas 4% da população completaram o ensino secundário, factos que denunciam as fracas condições dos indivíduos para enfrentar os desafios da sociedade actual, nomeadamente no que se refere à empregabilidade e à vida em comunidade. As qualificações profissionais da população são marcadas pelo baixo nível de qualificação, revelando uma elevada fragilidade face aos desafios do emprego, que se reflecte nos 48% de trabalhadores não qualificados. As características do desemprego são vincadamente negativas, quer pelo número de desempregados (16,6%, em 2001) quer pelas fracas perspectivas de retoma de uma actividade profissional tendo em conta os níveis de qualificação profissional dos desempregados.
A economia informal de natureza diversa e as prestações sociais que asseguram um rendimento de sobrevivência (72,3% dos agregados familiares beneficiam de RSI ou de outros apoios da Segurança Social) são duas dinâmicas de "remediação" pouco estimulantes para o trabalho. Do ponto de vista sócio-familiar denota-se desestruturação e disfuncionalidade com acentuado déficit de competências individuais e colectivas, reflectido pelo número de famílias monoparentais (20,3%), sobretudo maternas, bem como a maternidade na adolescência que, em 2006, rondava os 11,1%. Esta disfuncionalidade reflecte-se também ao nível das dinâmicas das crianças mais novas, que frequentemente permanecem na rua até bastante tarde, iniciando aí os seus primeiros contactos com os jovens mais velhos e com práticas desviantes (tráfico e consumo de estupefacientes, actos de vandalismo, agressões verbais e físicas, etc.).
É este o contexto de socialização onde as crianças e jovens estruturam a maior parte das suas vivências e redes de sociabilidade. A identidade face ao espaço residencial é marcada pela visão externa do bairro, vinculada muitas vezes pela comunicação social, que divulga um conjunto de problemáticas sociais existentes no seu interior contribuindo para o agravamento do grau de exclusão e marginalização da população.
No bairro do Lagarteiro há quatro mesas de voto. Na mesa 1 há 1097 inscritos. Nas últimas eleições votaram 510 pessoas e abstiveram-se 587. Na mesa 2 há 1098 inscritos. Votaram 475 e abstiveram-se 623. Na mesa 3 há 1097 inscritos. Votaram 376 pessoas e abstiveram-se 721. Finalmente, na mesa 4, onde há 1076 inscritos, votaram 323 e abstiveram-se 753.