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A "poliamoria" deve ser uma canseira

A propósito, faço parte de um grupo (hetero/homo/bi) que reflecte sobre poliamoria (além de praticá-la). Não mete boilo de noiv@s, mas reúne gente que de formas diferentes vai tentando de forma honesta propor e viver outras coisas que não a monogamia a dois, não necessariamente melhores ou com menos problemas, não faço a apologia, mas sim, que estas pessoas entendem como mais honesta. Sérgio Vitorino

Vasco M. Barreto
10:03 Quinta feira, 27 de maio de 2010

Sérgio Vitorino geralmente sabe do que fala, como aqui . Mas o texto supracitado é absurdo. Curiosamente, sofre de excesso de honestidade. Como se lê, ele e o seu grupo propõem, de forma honesta , um modo de relacionamento que entendem como mais honesto que a monogamia a dois.

Reparem: Vitorino não faz "a apologia", apenas parece propor que os chatos dos monogâmicos são uns hipócritas, o que é muito mais fino como diplomacia. E o excesso de honestidade do parágrafo de Vitorino não é redundante, como se poderia pensar com uma leitura distraída, porque já é possível em Portugal propor honestamente algo desonesto. Refiro-me obviamente ao caso de corrupção protagonizado por Domingos Névoa, que, segundo a justiça portuguesa, fez uma proposta desonesta mas com grande honestidade.

Aliás, devemos também considerar o cenário em que se propõe com desonestidade algo desonesto. É o que acontece quando um bandido faz um acordo com outro para roubar um banco sabendo que o vai atraiçoar.

E sobra, em teoria, o caso em que se propõe de forma desonesta uma prática que se entende como a mais honesta. Em teoria  e na prática. O exemplo é fornecido pelo próprio Vitorino, tendo em conta o contexto em que surgem as suas palavras, não se sabe muito bem se voluntariamente ou não. Afinal, vir neste momento com a invenção da "poliamoria", que é - ok - "honesta", quando o casamento homossexual ainda é um processo em curso (falta discutir a adopção), não será desonesto? Na prática, Vitorino conseguiu com um singelo parágrafo algo muito difícil: credibilizar retroactivamente quem usou o argumento de que a seguir ao "casamento gay" iríamos ter a poligamia.

Para que não haja confusões: não tenho nada contra a "poliamoria", creio que o vaior de uma língua se manifesta também pela capacidade de inventar sinónimos que substituam palavras com má reputação e desejo que os adultos se entendam como bem entenderem, mas passo bem sem o proselitismo de Sérgio Vitorino. Para propostas extenuantes - se amar uma pessoa é uma carga de trabalhos - já há uma entidade devidamente credenciada: o personal trainer.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Que venha o borrêgo.
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 12:13 | Quinta feira, 27 de maio de 2010
Isto é o que se chama afiar a faca.
 
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Eu quero é um "boilo"!
CCorreia74 (seguir utilizador), 1 ponto , 20:04 | Quinta feira, 27 de maio de 2010
Pondo de lado a honestidade, ou falta dela, na forma como é apresentada esta prática (cada um dá os tiros nos pés que entente), curiosamente deve ser a poliamoria desonesta a que melhor funciona.

De qualquer forma, parece-me que este tipo de declarações espelha sempre algum desalento no campo da amoria mais convencional.

Embora não tradicionalista, eu cá sou obstinada. Pra mim é mais “boilos”...de noiva.

 
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    Re: Eu quero é um    Ver comentário
Daniel Cardoso (seguir utilizador), 1 ponto , 17:16 | Sexta feira, 25 de junho de 2010
Poliamor e poli-ignorância
Daniel Cardoso (seguir utilizador), 1 ponto , 17:09 | Sexta feira, 25 de junho de 2010
Nota-se claramente que o autor do texto sabe pouco do que fala, se confunde a posição de Sérgio Vitorino com um mero ataque à monogamia.

Uma coisa é a monogamia efectiva, outra coisa é o ideal da monogamia, tão poucas vezes respeitado (não se pense que monogamia em série é monogamia, por favor!) e tão aberto a mentiras e traições: precisamente o que se procura evitar com o poliamor.
 
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