A persistência no erro é própria da Srª Ministra da Educação
Depois da ofensiva sem precedentes que este Governo dirigiu ao Sistema Educativo, depois de ter escolhido como alvos políticos os professores, os estudantes e os funcionários das escolas, de ter empobrecido o papel da Escola Pública, de precariezar as relações laborais na Educação, de remeter para as autarquias um conjunto de competências e assim também lançando o caos em muitas situações, depois de desfigurar profundamente o Sistema Público de Ensino e de agir claramente à margem da Lei de Bases do Sistema Educativo; vem agora o Sr. Primeiro-Ministro em exercício de contorcionismo eleitoralista tentar manifestar o arrependimento para que a redenção lhe surja neste final de mandato por via da conciliação com todos os que rejeitam a arrogância e a prepotência como formas de fazer política.
Estou certo de que essa conciliação não lhe será entregue de mão beijada por todos os que sabem que a política deste governo não foi dirigida contra os professores apenas. Foi dirigida contra todos os portugueses. A este governo convém porém criar a ilusão pública de que a oposição que dirigiu contra professores foi uma forma de defender direitos de outros grupos profissionais ou sociais. Ora, basta olhar a realidade para perceber que essa ilusão se esfuma no primeiro instante. Na verdade, este governo tudo tem feito para dividir a sociedade portuguesa, tentando fazer-nos crer que os conflitos de interesses estão entre pais e professores. Se isso fosse verdade, então por que ataca o Governo também os direitos dos pais, desregulando-lhes a vida laboral, os horários de trabalho, desvalorizando-lhes salários, retirando-lhes tempo para acompanhar a vida dos filhos e diminuindo drasticamente a sua qualidade de vida?
Ora veio então, em entrevista televisiva, o Sr Primeiro-Ministro anunciar que tinha errado no que à avaliação de professores diz respeito. Diz mais: lamenta ter permitido que se criasse a ideia de que o governo estava contra alguns grupos profissionais. Lamenta ter permitido ou lamenta ter sido o principal motor dessa ideia, o seu autor e executor mais empenhado? Sócrates e a Srª Ministra da Educação estavam aliás tão convencidos de que essa estratégia de difamação dos professores e portugueses lhes renderia votos que nela depositaram os seus mais esforçados dotes de arrogância e inflexibilidade. A estratégia não veio, porém, a verificar-se assim tão rentável e há que a reconfigurar.
Mas desengane-se quem julga que a reconfiguração da estratégia implica em algum momento a reconfiguração da política. Ora na mesma semana em que Sócrates reconhece os erros, a Srª Ministra apressa-se a dizer que não muda nada, nomeadamente no processo de avaliação de professores. Bem se vê que as intenções do Governo falam mais alto até do que os seus anseios eleitoralistas: a missão que o eixo mundial do neo-liberalismo atribuiu a este governo impõe-se a caprichos - a Organização Mundial do Comércio e a União Europeia já decidiram que a Escola é para converter num mercado, num negócio e num instituto de formação profissional, ponto final. Cabe a Sócrates e seus ministros, prestáveis que são, cumprirem a orientação dos superiores.
Nota final: já que a Srª Ministra da Educação já disse que vai persistir no erro - e todos sabemos de quem é isso próprio - e que vai aplicar por mais um ciclo (2 anos) o regime de avaliação de professores tal como está, impõe-se no mínimo que não faça repercutir os efeitos da avaliação nos concursos de colocação de professores. Seria uma persistência no erro do Governo que puniria irreversivelmente muitos professores.


