20 de junho de 2013 às 8:21
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A persistência no erro é própria da Srª Ministra da Educação

Miguel Tiago

Depois da ofensiva sem precedentes que este Governo dirigiu ao Sistema Educativo, depois de ter escolhido como alvos políticos os professores, os estudantes e os funcionários das escolas, de ter empobrecido o papel da Escola Pública, de precariezar as relações laborais na Educação, de remeter para as autarquias um conjunto de competências e assim também lançando o caos em muitas situações, depois de desfigurar profundamente o Sistema Público de Ensino e de agir claramente à margem da Lei de Bases do Sistema Educativo; vem agora o Sr. Primeiro-Ministro em exercício de contorcionismo eleitoralista tentar manifestar o arrependimento para que a redenção lhe surja neste final de mandato por via da conciliação com todos os que rejeitam a arrogância e a prepotência como formas de fazer política.

 

Estou certo de que essa conciliação não lhe será entregue de mão beijada por todos os que sabem que a política deste governo não foi dirigida contra os professores apenas. Foi dirigida contra todos os portugueses. A este governo convém porém criar a ilusão pública de que a oposição que dirigiu contra professores foi uma forma de defender direitos de outros grupos profissionais ou sociais. Ora, basta olhar a realidade para perceber que essa ilusão se esfuma no primeiro instante. Na verdade, este governo tudo tem feito para dividir a sociedade portuguesa, tentando fazer-nos crer que os conflitos de interesses estão entre pais e professores. Se isso fosse verdade, então por que ataca o Governo também os direitos dos pais, desregulando-lhes a vida laboral, os horários de trabalho, desvalorizando-lhes salários, retirando-lhes tempo para acompanhar a vida dos filhos e diminuindo drasticamente a sua qualidade de vida?

 

Ora veio então, em entrevista televisiva, o Sr Primeiro-Ministro anunciar que tinha errado no que à avaliação de professores diz respeito. Diz mais: lamenta ter permitido que se criasse a ideia de que o governo estava contra alguns grupos profissionais. Lamenta ter permitido ou lamenta ter sido o principal motor dessa ideia, o seu autor e executor mais empenhado? Sócrates e a Srª Ministra da Educação estavam aliás tão convencidos de que essa estratégia de difamação dos professores e portugueses lhes renderia votos que nela depositaram os seus mais esforçados dotes de arrogância e inflexibilidade. A estratégia não veio, porém, a verificar-se assim tão rentável e há que a reconfigurar.

 

Mas desengane-se quem julga que a reconfiguração da estratégia implica em algum momento a reconfiguração da política. Ora na mesma semana em que Sócrates reconhece os erros, a Srª Ministra apressa-se a dizer que não muda nada, nomeadamente no processo de avaliação de professores. Bem se vê que as intenções do Governo falam mais alto até do que os seus anseios eleitoralistas: a missão que o eixo mundial do neo-liberalismo atribuiu a este governo impõe-se a caprichos - a Organização Mundial do Comércio e a União Europeia já decidiram que a Escola é para converter num mercado, num negócio e num instituto de formação profissional, ponto final. Cabe a Sócrates e seus ministros, prestáveis que são, cumprirem a orientação dos superiores.

 

Nota final: já que a Srª Ministra da Educação já disse que vai persistir no erro - e todos sabemos de quem é isso próprio - e que vai aplicar por mais um ciclo (2 anos) o regime de avaliação de professores tal como está, impõe-se no mínimo que não faça repercutir os efeitos da avaliação nos concursos de colocação de professores. Seria uma persistência no erro do Governo que puniria irreversivelmente muitos professores.

  
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