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Na Grécia, não ficou tudo na mesma
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O que é que isso interessa? Não sai no exame.
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A nêspera deitada, muito calada, a ver o que acontecia

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Os socialistas conseguiram uma histórica maioria absoluta no parlamento francês. Não sei se este é o melhor resultado para garantir uma forte inflexão no posicionamento francês na Europa, mas o absurdo sistema eleitoral francês foi desenhado de forma a impedir qualquer surpresa que a vontade popular possa trazer. Seja como for, Hollande conseguiu um resultado extraordinário e de nada se poderá desculpar no futuro. Tem, coisa raramente conhecida em França, tudo na mão: a maioria das autarquias, a maioria da Assembleia Nacional e do Senado e, claro, a Presidência. Gorada uma verdadeira mudança política na Grécia, é exclusivamente de Hollande que depende a alteração das políticas europeias. Certo? Errado.

Se há coisa que a Grécia nos prova, como escrevi ontem, é que esperar pela coragem dos governantes é um erro. A maioria dos governos, eleitos ou não, responde apenas a um perigo: ao de perder o poder que tem. E nisso, os políticos não são diferentes da maioria das pessoas. O que fez a Nova Democracia grega dar uma volta de 180 graus no que defendia na sua relação com a troika não foi a evidência do descalabro da austeridade. Foi a possibilidade do Syriza vencer as eleições. O que impedirá Hollande de seguir a velha tradição socialista europeia, de, chegada ao poder, se acobardar, será a pressão dos franceses. Sem ela, os governantes tratam de si.

"Uma nêspera estava na cama, deitada, muito calada, a ver o que acontecia. Chegou a Velha e disse: olha uma nêspera e zás comeu-a! É o que acontece às nêsperas que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!" O poema de Mário Henrique Leiria também nos pode recordar que, em democracia, não somos clientes. Nem temos sempre razão, nem estamos aqui para ser servidos. Ou servimos a democracia ou outros se servem dela. Quem fica deitado, calado, a ver o que acontece, terá sempre um triste fim.

Acredito na democracia representativa. Se não fosse por convicção, seria pela mera constatação dos factos: ainda não conheci nenhuma sociedade livre em que ela não existisse. Mas também sei que ela não chega. Que entregar todo o exercício da democracia aos eleitos, julgando que o papel dos cidadãos é apenas esperar pelos resultados do seu voto, é desistir da democracia.

Se os franceses não fizerem nada, antes de, também eles, serem engolidos pela crise, François Hollande nada fará. Será, nas palavras que usou para se distinguir de Sarkozy, um "presidente normal". E a Europa, no estado em que está, não precisa de líderes normais. Precisa de quem, substituindo a pior geração de políticos que liderou a Europa desde o pós-guerra, seja tão arrojado como foi a incompetência dos seus antecessores. Mas para seguir o caminho inverso. E isso só acontecerá se a pressão popular mantiver o poder sempre em risco.

A estratégia que mais sucesso tem em Portugal é a da nêspera: ficarmos deitados, calados, a ver o que nos acontece. Na esperança que todos percebam que não somos a Grécia. Assim como os espanhóis esperam que todos percebam que eles não são os portugueses. E os italianos esperam que todos percebam que eles não são os espanhóis. E os franceses esperam que todos percebam que eles não são os italianos. Até serem todos comidos.

Da mesma forma que Hollande não enfrentará Merkel se os franceses a isso não o obrigarem - a política vive da economia de esforço e de risco -, Portugal, Irlanda, Grécia ou Espanha não se salvarão apenas porque a França mudou de presidente e este decidirá, sabe-se lá porquê, ser nosso advogado de defesa.

O governo português está deitado, muito calado, a ver o que acontece. Apoia a Alemanha, em tudo o que esta defenda, incluindo em matérias onde a sua posição é naturalmente oposta aos interesses nacionais - como nos eurobounds -, na esperança de ver o seu bom comportamento premiado. Não duvido que, se o poder hegemónico na Europa fosse francês, seria a França a merecer o nosso constante e acrítico aplauso.

O povo português tem estado deitado, calado, a ver o que acontece. Na esperança que isto passe e achando que enquanto nos fingirmos de mortos a realidade se vai esquecer de nós. Não resulta. Enquanto este governo sentir que o seu poder não está em perigo, enquanto os que se servem do Estado para fazer os seus negócios poderem continuar a tratar de si, nada mudará.

A posição dos portugueses e do seu governo é coincidente: a da nêspera. Passos espera que, perante a sua obediência, os outros reconheçam a nossa insignificância e, na hora do naufrágio, nos arranjem um lugar no barco salva-vidas. Os portugueses esperam que, não fazendo ondas e garantindo esta paz podre, alguém nos venha salvar desta agonia. Só que a estabilidade política que vive da apatia dos cidadãos e da bovina obediência das Nações nada pode trazer de bom a um povo. As nêsperas nascem e vivem para ser comidas. Se insistirmos em ficar quietos, à espera de Merkel ou de Hollande, dependendo da convicção ideológica de cada um, é esse o destino que nos espera. Chega a velha e zás!


Opinião


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DANIEL e "A HERANÇA de SOCRATES"...
Estou cansado das suas análises fáceis e levianas. Você prova, todos os dias, q nunca se deu ao trabalho d ler os textos negociados e assumidos pelo governo legitimo d Portugal e ao qual se chamou d memorando da troika (em singular). Qualquer português tem a obrigação d ler estes complexos contratos d resgate e, no seu caso essa leitura não só é essencial como elementar. O país pelas mãos dos socialistas foi conduzido á bancarrota. Estes foram obrigados a negociar um resgate p q o Estado mantivesse as mais elementares prestações em vigor. O actual governo ao ter substituído o anterior – o do seu amigalhaço Sócrates, o fugitivo de Paris – viu, teve e tem a sua acção totalmente condicionada e limitada pelo contratualizado com o mundo. Ignorar este incontornáveis factos é um autentico atentado á mais mínima decência intelectual. O tal “memorando” foi apresentado por duas vezes ao povo; a 1ª no dia 3 d Maio d 2011 sob a designação de Memorando de Entendimento. Esta foi a versão aprovada pelo PSD e pelo CDS-PP e corresponde à tradução feita tarde e a más horas (depois das eleições). No entanto, e seguindo a boa tradição socialista, no dia 17 de Maio do mesmo ano, o governo dos socialistas assinou outro Memorando de Entendimento, diferente do anterior. (Eis mais um exemplo da tal ÉTICA REPUBLICANA). Notar q o governo do Fugitivo de Paris não achou necessário informar os portugueses nem sequer os próprios partidos signatários da versão do dia 3. (Uma democracia é feita d ...
Re: DANIEL e "A HERANÇA DE SOCRATES" 2
Re: DANIEL e
Re: VOCÊ JÁ LEU OS MEMORANDOS?
Re: VOCÊ JÁ LEU OS MEMORANDOS?
Eta, odisseia laranja!
Re: DANIEL e
Re: vISÃO
Re: visão de quem está fora e se cinge aos numeros
Re: visão de quem está fora e se cinge aos numeros
Inquietações
Crónica de desconforto e frustração.Mas também um pouco de aceitação da derrota.
Os povos não se comportam como alguns, eventualmente bem intencionados, esperariam e têm objectivos concretos, comezinhos e vulgares. Não embarcam em grandes aventuras ideológicas, antes preferem garantir a casinha, a comida e a sobrevivência familiar.

Pode criar desânimo a quem se considera portador de uma certa verdade, que não consegue vender e o que identifico hoje na crónica é um certo desalento.

Assinalo , no texto, uma referência interessante à democracia representativa : Com todos os seus defeitos é a única que garante as liberdades básicas aos cidadãos.
Registe-se.....
Re: Inquietações
A nêspera alheia...
Talvez fosse bom começarmos a pensar em cavar AS NOSSAS PRÓPRIAS BATATAS, em vez de CAVAR A NOSSA PRÓPRIA SEPULTURA enquanto pensamos na nêspera alheia...
O "sonho" de Louçã!
O "sonho" de Louçã não se concretizou: o chefe do Bloco atirou os foguetes antes da festa e o Syriza,da Grécia, foi derrotado nas eleições.
O Povo Grrego escolheu outro caminho,o de continuar com a Europa,respeitar os contratos e criar as condições de desenvolvimento e sustentabilidade do país.
Sonhava Louçã encher o Terreiro do Paço em Lisboa e durante oito dias lá fazer a "sua" praça da propagando,com a ajuda do PCP , dos sindicalisatas da Transtejo,da Carris e da CP.
Mas Louçã enganou-se,fez mal as contas e isso é fatal para um lider politico.
Uma estratégia errada conduz sempre um "exército" ao fracasso.
O Bloco de Louçã é cada vez mais o partido do táxi!
Re: O
O Povo não corre atrás de foguetes
è verdade...
Quando o DO se afasta da cartilha do seu partido, até escreve algumas coisas acertadas.
Reconhece que a democracia representativa é o melhor sistema dos que têm vigorado. Só falta perceber que quem foi eleito foi por vontade do povo que nos governassem. Por isso, não faz sentido começar logo a contestar as decisões.
Por outro lado reconhece que os partidos só se preocupam mesmo em assegurarem o poder. Deve ter lido os meus textos para chegar a essa conclusão. Só falta mesmo reconhecer que são TODOS. BE incluido!
De resto sim, estamos à espera. Sempre foi o nosso desígnio. Ainda hoje esperamos por D. Sebastião.
Sempre que vem alguém romper com esta forma lusitana de estar na vida, vêm outros tantos criticar. Os "velhos do Restelo".
No entanto, isso não é motivo para embarcar nos disparates que os partidos extremistas (sejam eles de direita ou de esquerda) advogam. Antes deve servir para se romper com os poderes instalados e com o "laisser-faire" crónico, mas com objectivos claros e enquadrados numa realidade exequível. Com sacrifícios, mas exequível. O que não tem sido o caso. Nem do Governo, nem da Oposição.
Como é que sabemos?
Se a nêspera é redonda, como é que sabemos que ela está deitada?
Ontem era a Grécia, hoje é a França
Ontem era a vitória do Syrisa (em 2º lugar) na Grécia e os 50 deputados atribuídos ao partido vencedor (medida em vigor há muitos anos e segundo a Constituição Grega).

Hoje é a vitória dos Socialistas nas Legislativas...

E para quando as eleições do BE?

Sim, as internas. Aquelas que até têm um tabu...

Será que Daniel Oliveira vai desviar atenções, segundo uma agenda própria até Novembro?

Fala-se muito dos outros...
So para dizer...
que toda esta situação é hilariante... cada vez mais ver telejornais e ler comentários nos jornais é um exercicio de riso... ai, ai. agora desculpem-me tenho de me virar para o outro monitor e continuar a trabalhar, vou só minimizar a janela pois o email está por trás...
E que tal dizermos que não pagamos?!
Não é que resolvesse alguma coisa mas ... pelo menos dava para vericarmos se as pernas dos banqueiros tremiam ou não, como sugeria ou outro! E sempre faziamos alguma coisa. Coisa que, segundo DO, sempre é melhor que estar parado ...
da definição de ser ou não ser... nêspera
Para DO, se alguém, no contexto actual, vota e apoia (porque reflectiu dessa forma, fez as contas e acha que esse é o melhor caminho) partidos ou políticos que pretendem aplicar o que foi acordado com as instituições europeias, nas condições em que foi publicado (salvaguardando uma sempre possível renegociação se existirem razões e condições para tal), para DO essa pessoa está "quieta", "calada" e "deitada a ver o que acontece".

Se por outro lado, como DO não se cansa de repetir ad nauseum, uma pessoa reflectir de outra forma, com outras contas e outros sacrifícios e concluir (legitimamente) que o melhor é rasgar o acordo e sair do euro e da união europeia, essa pessoa já não estará "calada e quieta" é um poço de energia e combatividade!

Com estes dois pesos e duas medidas e a crónica incapacidade da esquerda de aceitar a diferença de opiniões, porque são sempre eles os únicos que "lutam", é fácil chegar sempre às mesmas conclusões: não dar alguma importância ao contraditório e ao debate de opiniões que aqui ocorre também facilita prosseguir com as suas "verdades"...

DO nem por um momento admite que o Syriza e Tsipras possam ser políticos "normais", que viram na contestação oportunista uma forma de crescer, mas que também, quando foi (é) preciso, moldam o seu discurso para conseguir votos, afirmando que quer denunciar o acordo, não pagar o que devem mas manterem-se no euro e na união...

Uma autentica nêspera redonda e mole, que quer tudo e o seu contrário...
Daniel, que confusão
Acho muito curioso o conceito de "interesse nacional" do Daniel Oliveira. Basicamente reduz-se a uma coisa: "eurobonds". Esta coisa das eurobonds é muito gira, mas temos que dizer qual será a sua consequência última: Portugal passa a ser governado por uma troika perpétua. Ou o Daniel Oliveira acha que há almoços grátis? Não deixa de ter piada que a defesa dos "interesses nacionais" segundo Daniel Oliveira nos coloque directamente nas mãos da senhora Merkel.
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