Tive, tenho, oportunidade de ler esse livrinho encartado para o tráfico do conhecimento milenar da boa cozinha, através de botões e rotores "bimbescos" a que eu, muitos de nós, quase todos?, agradecemos.
Não fiquei portanto surpreendida quando, em workshops para mãos protegidas, pão diferente, variado, se sujeitava à aprovação, não para a sua compra mas para a aquisição da máquina que o faria em casa de quem o levasse.
Mas a adversidade dos tempos reduz-lhe a vantagem neste contar de tostões (cêntimos, quero dizer...) em que o poder de compra se esgota, em intervalo crescente, na gota que resta num funil roto de iniquidades.
E a máquina do pão de nada servirá com a eletricidade mais cara, com o desvio de produção agrícola para biocombustíveis que sempre roubam alimento a quem tem fome, mais tantas outras razões (culpas nossas) que resultam na diminuição da produção de cereais, projetando o agravamento do seu custo.
Num mundo em que cerca de 30.000 pessoas por dia, quase todas crianças, morrem por inanição, e mesmo com a esperança da ressalva dessa excecional cultura autotrófica de micro algas que corrigirá o ambiente, produzindo combustível verde e assim libertando os alimentos, percebo o regresso à cultura de subsistência.
Imagino que, muito em breve, o moleiro da pequena aldeia que bem conheço, me pedirá de volta a pedra de mó que centra o meu modesto jardim.
Só assim poderá alimentar os workshops familiares onde, para que haja o pão da semana, os mais velhos relembrarão os jeitos de cada mão até que o trigo e o centeio cheguem à masseira, na espera que o forno aqueça com as miudezas roubadas aos fogos de verão.
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Nota
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