23 de maio de 2013 às 19:37
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A jornalista do "Público" demitiu-se: sugestão de Relvas?

João Lemos Esteves (www.expresso.pt)

A jornalista do "Público" Maria José Oliveira demitiu-se. Motivo: discordâncias sobre a forma como a direção do jornal diário conduziu o processo de divulgação da ameaça que lhe foi feita por Miguel Relvas. Avança ainda a jornalista que o jornal está a conotá-la com um programa político-ideológico, a que não se quer associar. Percebe-se a atitude da jornalista? Bom, cada pessoa, nas diversas áreas de atividade, pode sair da organização em que trabalha quando já não concorda com os princípios ou os padrões de conduta definidos pelos seus responsáveis máximos. A jornalista tem toda a liberdade para sair - não se devendo efetuar um juízo de valor sobre a sua decisão. É uma decisão pessoal de Maria José Oliveira.

Posto isto, se não temos legitimidade para julgar a decisão da jornalista em si, pelo seu lado pessoal, julgamos que temos, contudo, a obrigação de tentar analisar politicamente a decisão da jornalista do "Público". Façamo-lo, pois então.

1.º - Em primeiro lugar, mencione-se que, desde o momento em que a direção do "Público" decidiu publicar a ameaça de Miguel Relvas, coisas estranhas se passam na redação daquele jornal: o episódio da divergência pública entre o Conselho de Redação (a favor da divulgação) e a direção do jornal (contra a divulgação) ultrapassa a bizarria. É, para nós, difícil de qualificar: pela lógica das coisas,o "Público" - deveria ser o primeiros a defender - e até incentivar! - a publicação da ameaça de Miguel Relvas feita a um seu elemento da redação! Receia das consequências de afrontar diretamente o poder político. A nossa democracia é culturalmente limitada: os portugueses têm medo de falar pois sabem que o seu emprego pode estar a risco - apenas porque criticaram este ou aquele ministro. Nós ainda não conquistámos a liberdade (plena, dentro dos limites de razoabilidade) de expressão. Há um temor reverencial pelo poder político - sobretudo pelas figuras que suscitam mais dúvidas ou suspeitas, como é o caso de Miguel Relvas. Das pessoas e dos grupos empresariais: a directora do Público não quer chatear a administração, nem o grupo Sonae, que só critica Governos em momentos cirúrgicos. E através do seu Presidente Belmiro de Azevedo.   

2.º - Deixemo-nos de rodeios: Miguel Relvas (sempre) exerceu uma pressão "amigável" sobre os jornalistas, que excedia largamente o admissível. Ora, esta pressão deixa marcas por muito independente que se seja. E a direcção do "Público" - como de qualquer outra publicação - sabem-no melhor que ninguém. O poder de Miguel Relvas mete medo (muito) a muitos. É temível. A jornalista do "Público" jogou pelo seguro - como outros (a maioria?) jogaria. As pessoas têm famílias para sustentar - e Portugal não é um país livre. Da censura de coronéis reformados passámos para uma censura difusa, cujo epicentro é uma malta que nasceu nas estruturas partidárias, sente-se impune e pensa que manda no mundo. A  directora do Público tem, pois, medo que a sua carreira tenha um fim antecipado. É que os directores do Público passam, os jornalistas são despedidos - mas o Miguel Relvas fica sempre. Esse não desampara a loja (infelizmente para Portugal). E esse muitos cordelinhos...

3. º - A direcção do jornal "Público" tem de explicar muito bem as razões pelas quais defende a não publicação. Tem medo? Houve ameaças adicionais? E será que Maria José Oliveira saiu porque está farta, descontente com a direcção - ou porque alguém a convidou a sair, amigavelmente, senão teria outras consequências? Eu quero ver estas questões respondidas.

Em jeito de conclusão, aproveito para dizer que sei que a jornalista Maria José Oliveira era incapaz de aceitar um convite de Miguel Relvas para integrar um gabinete ministerial ou trabalhar para alguém próximo do ministro. Mesmo que Relvas convide, por razões de princípio, tenho a certeza de que a ex-jornalista do "Público" rejeitará o convite. Se, de facto, saiu devido à força das suas convicções e porque acredita e luta pela Verdade, Maria José Oliveira é hoje um símbolo da resistência nacional contra a claustrofobia democrática que se vive em Portugal, agora na versão Miguel Relvas.

Email: politicoesfera@gmail.com

Comentários 15 Comentar
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Juízos de valor
Caminho perigoso, o que está a trilhar Esteves.Sem elementos concretos, só pode especular sobre a vida privada e profissional alheia. Não é próprio.

Quanto ao medo, a profissão de jornalista não é indicada para queira estar sempre de bem, com deus e com o diabo.Por mais liberdade formal que haja, quem se sente incomodado com algum trabalho jornalístico, se tiver poder, tentará morder. São os ossos do ofício.

Também me parece excessivo diabolizar Relvas acima do razoável. Estas carreiras são feitas disto, de intrigas, associações, amiguismos, traições e é o modo de vida de muitos dos nossos políticos. São gente sem profissão, que se governam do oportunismo e da infiltração. Não gostam de ser desmascarados, como é óbvio.

Confesso que nunca percebi a atitude do Público,nunca fiquei esclarecido com os vários comunicados e parece-me ter havido receio de desagradar a Relvas.
Mas sei de onde não virá nenhum esclarecimento cabal : da ERC............
OFF COURSE!
Isto está a ficar bonito!
Podes ser yes man, mas não podes ser do contra senão já sabes!
FEZ-SE O 25 DE ABRIL PARA ISTO?
A Jornalista traíu o Público?
Provavelmente e isso não se faz.
Re: A Jornalista traíu o Público? Ver comentário
Re: A Jornalista traíu o Público? Ver comentário
Re: A Jornalista traíu o Público? Ver comentário
A Zézinha
A Zézinha pensou na vida e resolveu colocar-se naquela situação que é garantia de um mundo de oportunidades, ou seja, faz-se de prostituta ofendida e espera que do lado, de qualquer lado, onde chegam os tentáculos daqueles poderosos obscuros que manobram na sombra pelos seus, alguém lhe estenda a mão, ou um lugarzito. Somos um país de zézinhos vivemos aterrorizados, dominados pelo espectro da fome e do desemprego e quem manda são uma casta de gente desavergonhada que exerce o poder para benefício pessoal.
o argumento do "faz parte"
Não é raro deparar com cidadãos que veem como uma fatalidade imutável os desvarios cometidos pelo poder político, aceitando com bonomia o argumento incompreensível de que estas manigâncias são intrínsecas ao exercício de cargos públicos.
Já era tempo de abrir os olhos e ver que as coisas são assim porque nós permitimos que o sejam.
Relentless...
Muito bem, é assim k se faz, não lhes dar um segundinho de paz, já se sabe que daqui a umas semanas isto já passou, é bom que hajam pessoas que não se calam...
João Lemos Esteves vai ser demitido?
Pela lógica do próprio este seria o ultimo artigo de opinião deste espécimen que nem jornalista é! Se eu fosse Miguel Relvas processava-o por difamação e ofensa à honra e bom nome!
Que disse João Lemos Esteves sobre o assédio abelhudo da jornalista Maria José Oliveira a Miguel Relvas sobre o ultimato de 36 horas sobre a picuinhice de 2 contradições que já tinham sido abordadas no AR sem relevância nem significado como se um ministro não tivesse mais que fazer do que recordar-se de tudo o que recebe no telemóvel e manda para o lixo! Obviamente que até um santo se enervaria quanto mais um ministro Relvas sem auréola nem asas de anjinho. Uma jornalista tem a obrigação de ter tacto sobretudo a lidar com um ministro que quer entalar! Como não o teve, a atitude de Potifar ofendida não lhe resultou muito bem porque as coisas estranhas que se passam na redação daquele jornal sugerem que nem todos caíram no esquema montado para tramar o Ministro nervoso, só poderia dar no que deu! Afinal a jornalista confessa que a ameaça era falsa (pois, foi inventada pela direcção para tentar salvar a face!) o que coloca o ministro a rir-se de ser acusado de ter as secretas na mão e nem sequer ter uma verdadeira ameaça para arremessar contra a jornalista!

Re: João Lemos Esteves vai ser demitido? Ver comentário
Re: A jornalista do "Público" demitiu-se: sugestão
O sr Sonae, como todos os outros salvo rarissimas excepções gerem interesses. Aqui o que conta é o dinheiro, a verdade, a dignidade, o futuro do país nestas esferas é o que menos conta. É só jogadas, cartadas e os trunfos jogados na hora certa ao sabor das contrapartidas. O silêncio vale ouro num momento mas guarda-se o trunfo para a hora certa.
Mas homem que é homem, morre em pé como as árvores, não se demite! Sei que isso era antigamente, aqueles parvalhões que derramavam sangue luso em cima de um cavalo e em prol de um futuro reino. Vão lá 800 anos, tantas vezes recordados, quando interessa o que não deixa de ser apenas areia atirada aos olhos desta povarela. A jornalista devia ter ficado até ao fim e lutado. Mais uma vez ganhou o poder político, a mentira prevaleceu e prevalecerá no final deste filme. Mas continuo a espantar-me com a lata e o descaramento com que estes senhores mentem com quantos dentes têm na boca seja nas comissões parlamentares, seja na AR ou até nos tribunais.
JLE incomoda
Tem ar de puto, parece franzino e aparenta, ainda, ser um acabado "menino copo de leite" (só conheço JLE pela fotografia e pelo que escreve, aqui, no EXPRESSO on line).
Parece, também, que JLE é um comentador da área do PSD...
Seja o que for que seja que JLE seja, aquilo que JLE evidencia às mãos-cheias é uma lúcida e séria inteligência, uma corajosa integridade intelectual. Um comentador que, muito sinceramente, me espanta, que cada dia me espanta mais...
E não apenas no notável artigo de hoje, mas na generalidade dos seus escritos que aparecem aqui no EXPRESSO online.
É muito bom saber-se que há correntes na "direita" portuguesa, que estão a milhas dos que governam ou presidem hoje a este pobre País!!!
AHAHAHAHAHAHAHAH
João Lemos Esteves é apenas o parvo engraçadinho de serviço ao crónico inimigo interno do PSD.
A direcção do jornal "Público" tem de explicar muito bem as razões pelas quais defende a não publicação. Tem medo? Houve ameaças adicionais? E será que Maria José Oliveira saiu porque está farta, descontente com a direcção - ou porque alguém a convidou a sair, amigavelmente, senão teria outras consequências? Eu quero ver estas questões respondidas".
AHAHAHAHAHAHAHAH
Com tanta dúvida e tanta coisa por esclarecer no jornal e o parvinho toma as dores de parto da enjeitadinha Maria José Oliveira que"era incapaz de aceitar um convite de Miguel Relvas para integrar um gabinete ministerial (como se o merecesse ou tivesse andado a bater-se a ele?) e esganiça a voz a fingir-se de virgem ofendia para gritar no trombone: Maria José Oliveira é hoje um símbolo da resistência nacional contra a claustrofobia democrática que se vive em Portugal, agora na versão Miguel Relvas…até aqui de joão Jardim, ou de Sócrates. É que se esqueceu de investigar que esta direcção é socratina e foi lá colocada para acabar com as criticas da anterior ao governo de Sócrates na altura em que este começava o assalto aos mídia que quase ia conseguindo 30 anos depois de Salazar!
NÃO COMPRAR O PUBLICO POR 30 DIAS
"É temível. A jornalista do "Público" jogou pelo seguro - como outros (a maioria?) jogaria. As pessoas têm famílias para sustentar - e Portugal não é um país livre."

João Lemos Esteves

Não sendo Portugal um país livre, há contudo ainda liberdade para comprarmos ou não comprarmos um jornal.
Algo de grave se passou no Publico de Belmiro de Azevedo no que se refere às pressoes de Relvas que levou a posições contraditórias na redação e na direção do jornal e na saída da jornalista.

Como forma de solideriedade com a jornalista propomos uma " greve de 30 dias" na compra do jornal o Publico, para que o seu patrãozinho sinta e não possa punir os seus trabalhadores.

"Maria José Oliveira é hoje um símbolo da resistência nacional contra a claustrofobia democrática que se vive em Portugal, agora na versão Miguel Relvas."

João Lemos Esteves

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