17/05/2012 atualizado às 0:47
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A inutilidade e a utilidade da arte

A inutilidade e a utilidade da arte

A ligação entre o debate sobre os fins da arte e a personificação da criatividade num membro de uma organização para pessoas com deficiência no seu desenvolvimento intelectual.

16:55 Terça feira, 26 de outubro de 2010
Para que servem as artes? Para nada, segundo vários artistas que ouvi debater esta questão há umas semanas numa conferência do Institute of Ideas , que teve o apoio do Instituto Britânico . Os artistas fizeram questão de rejeitar a ideia de serem "úteis", de se sentir obrigados a justificar a sua existência através de qualquer benefício económico ou social; apesar das tentativas do Professor Augusto Mateus de explicar que sim, há   benefícios económicos (entre outros) que vêm da criatividade. "Orgulhosamente inútil" não é um slogan para todos, mas os artistas fizeram uma eficaz rejeição do conceito de utilidade. Tamanha convicção tem uma tradição longa; posso citar como exemplos deste raciocínio dois dos meus poetas preferidos - "poetry makes nothing happen" escreveu WH Auden no seu epitáfio sobre WB Yeats , e o próprio Yeats mostrou o seu desdém pela utilidade pública, ou pelo menos, pela popularidade da arte, no seu poema sobre um potencial mecenas para a Galeria Municipal de Dublin.

Um comentário nesta orgia de negação veio de um participante que disse que a arte é intrínseca a qualquer ser humano. Concordo plenamente; para mim o acto criativo, de auto-expressão, e tão fundamental para nós como respirar.

Pode vir em muitas formas. Vi uma na semana passada, no contexto de um evento que a Embaixada organizou com a Crinabel , uma instituição que contribui para a educação, reabilitação e integração de pessoas com deficiência no seu desenvolvimento intelectual. Parte do dia foi preenchida por uma sessão de teatro na qual participaram vários membros da Crinabel . Um deles saiu da sua cadeira de rodas para dançar, junto aos seus colegas. Fiquei de boca aberta; poucas vezes na minha vida tinha visto tanta energia, tanto desejo de expressão, tanta força num ser humano - é uma imagem que ficará na minha memória e no meu imaginário. Os fins da arte são muitos; um deles tem de ser a capacidade de nos fazer sentir vivos.
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