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A ignorância atrevida

Os técnicos disseram o que ia acontecer na Madeira quando a chuva desabasse. Ninguém quis saber. Os técnicos avisam o que vai acontecer em Lisboa quando vier o terramoto. Ninguém quer saber.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
9:00 Segunda feira, 1 de março de 2010

Usando os nossos impostos, o Estado português investiu, nas três últimas décadas, muito dinheiro nas nossas universidades. Formou técnicos e especialistas. Para depois os ignorar.

Há dois anos a RTP fez uma reportagem sobre os riscos da falta de planeamento na Madeira e os efeitos que ela teria quando chovesse a sério, coisa que, tendo em conta o clima na ilha, era previsível que viesse a acontecer. Ninguém quis saber.

Podem ver aqui:

 

Não é coisa madeirense.

Há décadas que técnicos e especialistas alertam para a necessidade de mudar muita coisa em Lisboa, preparando a cidade para um terramoto que há de vir (vale a pena olhar para o Chile nestes dias). Ninguém liga nenhuma.

Por todo o país ambientalistas exigem mais rigor da administração pública nas obras do Estado e nas obras que se vão licenciando. Ninguém quer saber. Os ambientalistas são picuinhas, uns tarados que comem fruta orgânica e salvam baleias, é o que se pensa.

Tornou-se moderno, provocador e interessante desprezar o conhecimento técnico. Por todo o mundo, opinadores sem qualquer formação na matéria dedicam-se a fazer humor com as certezas cientificas sobre as alterações climáticas. Chega a escrever-se - a ignorância atrevida dá audiências - que o frio deste Inverno é a prova do erro de quem usa indicadores objectivos e testados para dizer o que diz. No mundo mediático, a leviandade e a ligeireza são equiparadas à ciência.

Os avisos daqueles técnicos que ouvimos na RTP, e que as autoridades madeirenses também ouviram vezes sem conta, foram ignorados por três razões: porque os responsáveis políticos pensam apenas no dia seguinte, porque os interesses económicos imediatos são sempre prioritários e porque a vivemos numa sociedade subdesenvolvida que despreza a prevenção. Investimos no conhecimento, mas falta-nos uma cidadania exigente e informada.

E mesmo depois da catástrofe, a maioria das vozes não hesita em resumir os acontecimentos assim: foi a chuva. Choveu, é verdade. Há coisas que não se evitam. Mas quando uma catástrofe natural se abate sobre os humanos devemos ter as duas coisas em conta: a catástrofe, que não podemos impedir, e a forma como os humanos se defendem dela, que só depende de nós.

Quando vier o tal terramoto em Lisboa também será o terramoto a matar e destruir. Também se dirá que a culpa é da natureza. Mas é o que fizermos agora que determinará a dimensão da tragédia. Se ouvirmos quem anda há anos a falar para as paredes talvez se salvem muitas vidas. E essa é a responsabilidade de quem elegemos. Se exigirmos que façam qualquer coisa, provavelmente farão. Se continuarmos a desprezar aqueles que andámos a formar para identificar o perigo e encontrar soluções, os políticos insistirão no caminho mais fácil: deixar andar e no fim contar os mortos e os prejuízos.

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A ignorância atrevida
Toni 2 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 16:09 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Segundo o escândalo do Climategate a Terra está a arrefecer e não a aquecer. Este escândalo vem provar ou no mínimo questionar qual a influência, se é que tem alguma, o ambiente no clima. O que eu não duvido é que os ambientalistas têm uma missão a cumprir, no arrumar da casa. Não podemos continuar a construir em cima de rios, ribeiras e riachos, junto ao mar e em solos agrícolas etc. etc.. Não podemos continuar a destruir a floresta e a poluir os mares e a Terra. Não podemos continuar a confiar em Nossa Senhora de Fátima, porque ela pode ir de fárias, ou deixar-se dormir. Não podemos continuar a fazer a cama mal, porque somos nós que vamos dormir nela. Não podemos continuar a fazer asneiras porque somos nós a sofrer as consequências. Quando a cabeça não tem juizo o corpo é que paga e infelizmente às vezes com a propria vida. Devemos aprender com os erros e se não os podemos corrigir todos, no mínimo não devemos continuar a fazer mais.
 
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    Re: A ignorância atrevida    Ver comentário
still (seguir utilizador), 1 ponto , 17:56 | Segunda feira, 1 de março de 2010
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Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:46 | Segunda feira, 1 de março de 2010
    Re: A ignorância atrevida    Ver comentário
still (seguir utilizador), 1 ponto , 18:40 | Segunda feira, 1 de março de 2010
    Re: A ignorância atrevida    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 23:04 | Segunda feira, 1 de março de 2010
    Re: A ignorância atrevida    Ver comentário
ANDMEN (seguir utilizador), 1 ponto , 23:44 | Segunda feira, 1 de março de 2010
    Re: A ignorância atrevida    Ver comentário
Samm (seguir utilizador), 1 ponto , 11:07 | Terça feira, 2 de março de 2010
    Re: A ignorância atrevida    Ver comentário
Samm (seguir utilizador), 1 ponto , 11:16 | Terça feira, 2 de março de 2010
    Re: A ignorância atrevida    Ver comentário
ANDMEN (seguir utilizador), 1 ponto , 23:22 | Segunda feira, 1 de março de 2010
    Re: A ignorância atrevida    Ver comentário
mpreto (seguir utilizador), 1 ponto , 9:10 | Terça feira, 2 de março de 2010
Não concordo
jazão (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 13:54 | Segunda feira, 1 de março de 2010
O velho ódio ao AJ Jardim ganha agora uma nova forma: a falta de planeamento territorial. A ideia de que «estava tudo previsto» propagandeada hoje no Público e aqui no Expresso, não por acaso por duas luminárias do Bloco, levaria a pensar que, estando tudo previsto, foi criminoso não prevenir. É mentira, dito assim.
Claro que é muito útil prever e tentar prevenir os efeitos de uma enxurrada ou de um terramoto, mas não se pode impedir que aconteça. Se houver um terramoto forte em Lisboa, nós sabemos que os danos vão ser tremendos e que vai morrer gente. Esperamos que não aconteça. Tentamos construir prevenindo o pior. Se há outras medidas que devam ser postas em prática, digam. Agora, que não há nada a fazer que impeça o terramoto, ai, isso não há!
Na Madeira, as enxurradas, quando chove muito são rápidas, imparáveis e violentas. Tem a ver com a orografia do território e isso não se pode impedir. De tudo o que vi, o essencial é não construir em leito de cheia. Concordo. Agora, vão dizer isso, a quem lá tem casa há décadas…
Pergunta: aconteceu alguma coisa a algum hospital, quartel de bombeiros ou ao campo de treino de futebol? Peça lá à menina da Quercus que responda a esta.
Acessoriamente: quando há um mês se comparava a Madeira com os Açores, a propósito da lei de finanças regionais, os defensores da Madeira falaram na muito difícil orografia da ilha. Foram ridicularizados. Também estava tudo previsto, não?
 
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    Re: Não concordo    Ver comentário
J Saints (seguir utilizador), 1 ponto , 15:11 | Segunda feira, 1 de março de 2010
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jpcruz (seguir utilizador), 1 ponto , 14:21 | Terça feira, 2 de março de 2010
    Re: Não concordo    Ver comentário
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 14:58 | Terça feira, 2 de março de 2010
    Re: Não concordo    Ver comentário
jpcruz (seguir utilizador), 1 ponto , 15:11 | Terça feira, 2 de março de 2010
    Re: Não concordo    Ver comentário
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 19:36 | Terça feira, 2 de março de 2010
    Re: Não concordo    Ver comentário
jpcruz (seguir utilizador), 1 ponto , 20:38 | Terça feira, 2 de março de 2010
Quando ele vier
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:09 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Depois vê-se?
 
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O País do peditório
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 10:29 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Quanto mais distraída estiver a população sobre a sua condição de vida,melhor.
As televisões passam telenovela,a politica no poder quer controlar a comunicação para não assustar o eleitorado (caso recente do Polvo de Sócrates)e esta questão do ordenamento do território passa em roda pé e é esquecido.
Noite da má lingua,gato fedorento,etc são programas que alimentam a absolvição continuada da politica que está no poder e não criam um espirito critico de cidadania e exigência do eleitorado face a quem governa.
E como quem governa muitas vezes é ignorante em relação a matérias sobre as quais devia decidir,não há nada a fazer.
Neste quadro prolifera a especulação,a corrupção e o peditório.
No fim vem sempre o peditório e volta tudo ao princípio.

 
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Subscrevo
Rafael Chust (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Subscrevo na íntegra!
 
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"falta-nos uma cidadania exigente e informada"
stiffo (seguir utilizador), 1 ponto , 13:31 | Segunda feira, 1 de março de 2010
a nossa idea de democracia parece reduzir-se ao acto eleitoral. E quase como uma coroa de loiros que se poe na cabeca do 'eleito'. "Toma, tens a minha preferencia, eu defendo o que fizeres porque eu votei em ti."

Nos dias de hoje, e' quase impossivel ter uma politica economica independente do que acontece a nivel mundial. Outras coisas ha' que dependem mais de Bruxelas do que de Lisboa. PS e PSD sao peoes pequenos, um nao pode fazer melhor que o outro. Sao questoes de gerencia, nao de politica.

uma cidadania exigente e informada nem devia preocupar-se com quem ganha as eleicoes. Mas impoe-se exigir a quem ganha que resolva o que pode ser resolvido. O estado vergonhoso da Justica em Portugal. Corrupcao. Assistencia medica, incluindo equipamento, nao so' em Lisboa. Desenvolvimento das regioes.

uma atitude democratica nao e' defender incondicionalmente em quem se votou, ou atacar cegamente em quem nao se votou. Atitude democratica e' exigir que quem ganhou nas eleicoes nos sirva a nos, ao pais, nao a eles proprios e aos amigos.

e exigir nao significa apenas aumento de ordenado.
 
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O Daniel é um chato
SPONGEBOB (seguir utilizador), 1 ponto , 13:41 | Segunda feira, 1 de março de 2010
O que nós queremos é pão e circo.
 
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After thought
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 14:00 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Oh, Daniel, e aqui entre nós, não recomecem com esse velho truque miserável, você e o outro historiador moralista, de acusar de estúpidos e analfabetos os que não estão de acordo. Essa coisa de que há muitos licenciados e que quem fala sem ser (nisso, seja lá o que for...) é atrevido porque ignorante, é da treta. Há uma coisa chamada «bom senso», já deve ter ouvido falar, que uns têm outros não. Como o Axe. Vir com um filme de há dois anos que dizia que se chovesse vai haver enxurrada, para atacar quem não preveniu a enxurrada, parace-me um pouco, como dizer, um pouco poucochinho...
 
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ashko (seguir utilizador), 1 ponto , 4:58 | Terça feira, 2 de março de 2010
... "opinadores sem qualquer formação" ....
Byte Magic (seguir utilizador), 1 ponto , 14:41 | Segunda feira, 1 de março de 2010
O Sr Oliveira até sabe... mas não se contém :)))
 
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Gostei!!!!
Kikas_o_je (seguir utilizador), 1 ponto , 15:03 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Cps.
 
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a treta dos " ses " ....
J Saints (seguir utilizador), 1 ponto , 15:06 | Segunda feira, 1 de março de 2010


como dizem os miudos , " se a minha avó tivesse rodas era um camião ..." .

Nestes momentos qualquer opinador parece um " expert " na matéria !!!
 
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Os alertas e avisos são para os outros!
PQ_Energia (seguir utilizador), 1 ponto , 15:26 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Não interessa o que dizem as pessoas que sabem. Aliás, num dia de alerta vermelho e aviso laranja, um dia de perfeito temporal, as pessoas saem de casa para fazer a sua vida normal.
O problema é que essa vida também acaba de forma normal: com um ramo de árvore que se parte com o vento fortíssimo, por exemplo...
Depois dizemos que foi o azar, fenómenos da natureza.

Haja pachorra!
 
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A natureza é "cega" e "imparcial"...
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 15:35 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Do texto de D. Oliveira concordo com este ponto :
.."..Mas é o que fizermos agora que determinará a dimensão da tragédia. Se ouvirmos quem anda há anos a falar para as paredes talvez se salvem muitas vidas. E essa é a responsabilidade de quem elegemos. Se exigirmos que façam qualquer coisa, provavelmente farão. Se continuarmos a desprezar aqueles que andámos a formar para identificar o perigo e encontrar soluções, os políticos insistirão no caminho mais fácil: deixar andar e no fim contar os mortos e os prejuízos..."..
O Conhecimento (actual) é essencial para prevenir as consequências de algo que é impossivel evitar..um exemplo prático é o dos coletes á prova de bala.."come-se" com a bala mas os efeitos consequentes serão muito minimizados se o tivermos vestido...claro que o mesmo colete de nada servirá se em lugar de uma bala "comermos" com um missil..
A Madeira e outras regiões estão preparadas pra "comerem" com "balas"..pra "comerem" com "misseis" não conheço nem sei de alguma região do Mundo que esteja preparada..daí que ache feio o oportunismo pra atacar quem tem feito um bom trabalho como governante (e marcando a diferença)...
E eu tambem acredito..e defendo..que a sociedade deve ser plural nas responsabilidades e consequencias de todos quantos nela são intervenientes..há lugar para todos e todos fazem falta ao bem estar de todos..
 
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WHO CARES?!?!?!
FJusto (seguir utilizador), 1 ponto , 15:37 | Segunda feira, 1 de março de 2010
É este o nosso fado...
 
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Abrangente (seguir utilizador), 1 ponto , 19:36 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Também já muitos disseram que ...
aaaa (seguir utilizador), 1 ponto , 15:59 | Segunda feira, 1 de março de 2010
Se todos os políticos portugueses apenas se preocupassem com o bem do nosso Povo, e não só e apenas com o seu umbigo, se gastassem o seu tempo apenas a colaborar na resolução dos verdadeiros problemas, Portugal era um paraíso e os políticos trabalhariam menos, porque não perdiam tempo a desconversar, não tinham que inventar inventonas, escutarem-se e usar a justiça para desapertar os laços que eles tecem.
Só vemos políticos ( se auto-proclamam como tal) a tecer em vez de descobrir os fios que necessitamos para fazer Portugal enorme onde todos caibam e onde cada um apenas deseje o bem dos outros.
 
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