18 de maio de 2013 às 17:29
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A greve dos médicos é uma comédia

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Vamos lá colocar as coisas em perspetiva. Estamos em Portugal e, se a minha memória não me falha, estamos em 2012. Ou seja, estamos num país falido; sem a troika, não haveria dinheiro para pagar salários aos médicos e ao restante funcionalismo. E, já agora, estamos num país onde toda a gente está a perder dinheiro devido ao aperto de cinto provocado pelo excesso de dívida estatal e privada, e onde milhares e milhares estão no desemprego. É neste lugar que uma classe privilegiada vai fazer greve. Humor do bom, sem dúvida. 

Vamos lá colocar as coisas em perspetiva. Um médico, seja ele qual for, tenha ele a idade que tiver, é alguém que está numa posição privilegiada. No tal Portugal lunar de 2012, esta classe profissional navega no pleno emprego. Ao sair da faculdade, um jovem médico tem sempre colocação e, se não me engano, os médicos já entradotes mantêm promoções na carreira (na restante função pública, as promoções estão congeladas). Em anexo, convém registar que o ministério, marcado à Mozer pela troika, já garantiu o preenchimento de 1000 vagas até ao final do ano (outra prática proibitiva nos restantes braços do Estado). Ora, mesmo com todos estes benefícios garantidos num cenário de emergência nacional, a Ordem dos Médicos convocou uma greve. O Bruno Nogueira que se cuide.

Vamos lá colocar as coisas em perspetiva. Qual é a razão apresentada pela Ordem? Pelo que percebo, o ministro resolveu baralhar as contas das horas extraordinárias. O número geral de horas está a ser diminuído e, acima de tudo, há uma diminuição do valor a pagar por cada hora: há dois anos, o Estado pagava 80 euros por hora, e agora paga entre 25 e 30 euros. Eis, portanto, a razão da greve. Receber 30 euros por cada hora extraordinária é, sem dúvida, uma exploração feudal, mas eu só queria fazer uma pergunta: como é que o Estado português, que não é rico, podia pagar 80 euros por hora? Assim já percebo como é que aquele médico do Algarve conseguiu receber 750 mil euros num só ano: deve ter trabalhado 50 horas por dia a 80 euros à hora. Está tudo muito bem, sim senhor. Está tudo tão espectacular que eu até recomendo uma coisa à Ordem dos Médicos: dêem os direitos de autor da greve aos Gatos Fedorentos ou ao Bruno Nogueira.  

Comentários 191 Comentar
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A greve não condiz com o SNS
Dizem os médicos que fazem greve para defender o SNS.Mas a bolota não condiz com a perdigota.O ministro está aberto a negociar o que é possivel,num quadro de crise.Os médicos,mesmo assim vão por diante e deixam 400 mil consultas por fazer,milhares de cirurgias e consequências incomensuráveis para quem a elas recorrem.
Não se houve aos sindicatos médicos falar de corrupção,,das negociatas com a industria farmaceutica,na aquisição de equipamentos e nessa promiscuidade entre o público e privado praticado pelos médicos:são clínicos nos hospitais e sócios de clínicas privadas.
SNS,dizem eles defender com esta greve.Trêtas,porque o que eles querem é a conta bancária a subir!
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Médicos: As falinhas mansas do Ministro? (Conc.)
É-me difícil tirar outra conclusão aqui. Lendo HR, leio este a atribuir à greve, as mesmas razões que impulsionaram a greve de Dezembro, ou seja, em 6 meses, após a evitarem, não avançaram nada nas negociações. E é isso também que me faz soar a falso as declarações de última hora do ministro Paulo Macedo: não obstante os indefetíveis do governo realçarem a disponibilidade deste para o diálogo, parece óbvio que este se tornou "dialogante" apenas quando a situação se tornou insustentável e PÚBLICA.

Aliás, podemos conferir esta impressão com a opinião de Marcelo no último Domingo. E este até quis dividir o mal pelas aldeias, mas depois, aos médicos reconheceu razões, e até chegou a falar da "arrogância" do governo. Mas quando chegou à parte em que ia falar onde os médicos não tinham razão, eu, que esperava ouvir tópicos sobre reivindicações injustas, ouço dizer que a greve "era má para as populações"... "e DOIS dias ainda por cima".

Mas Marcelo, uma greve é suposto ser má para quem é servido pelos grevistas. Essa é a sua força negocial, e o ónus está em quem não a evita.

Se se confirmar estas ideias, isto são más notícias... porque se o governo usou promessas ocas ou falsas esperanças, para evitar conflitos laborais, é bem possível que a paz social atual seja uma ilusão à espera de arrebentar descontroladamente.

Mas também é uma boa notícia: temia-se que o governo tivesse tratado os médicos de forma diferente, mas afinal "enrolou-os" como a todos os outros!
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Contraditório
Após leitura atenta do seu artigo de opinião, gostaria que me explicasse alguns dos previlégios em ser mais uma médica neste país. Serão os 13 anos de estudo até me ter tornado especialista? Os exames que realizei anualmente para chegar a este ponto da minha formação? Serão todos os Natais, feriados, fins-de-semana que não tenho passado com a família ou as noites, cuja ausência nunca poderei compensar ao meu filho? Dirá certamente que a opção foi consciente e minha. E tem toda a razão. Do modo que eu vejo a minha opção, a minha grande regalia é poder ajudar os outros de uma forma, simultaneamente, científica e humana. Sonho desde infância, tornado realidade na idade adulta. Muito mais do que é objectivado no seu artigo. Esquece-se de todo o estudo e investimento que implica esta vida, todo o sofrimento que é inerente a lidar com a vida humana e, necessariamente com a morte. Sou médica num hospital público. Com gosto. Convido-o a vir conhecer essa realidade, de uma forma mais abrangente e sentida do que o modo "kitsh" como nos retrata. E sim vou fazer greve. Não quero ser uma mera tarefeira.
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Fim de semana prolongado? Ver comentário
Falácia raposina

1) "sem a troika, não haveria dinheiro para pagar salários aos médicos"

MENTIRA. Sem a troika não havia dinheiro para pagar os compromissos e serviço da dívida.

2) "num país onde toda a gente está a perder dinheiro devido ao aperto de cinto"
"É neste lugar que uma classe privilegiada vai fazer greve"

MENTIRAS. Veja-se quem é colocado pelo Partido, veja-se o caso dos políticos.
Classe privilegiada é um médico ganhar 1952 euros para 35 horas semanais: 3 vezes menos do que recebe Santana Lopes pelos mui nobres serviços prestados à Pátria; menos do que recebe Mendes Boy pelo tempo de "labuta" passado no Parlamento; metade da reforma da senhora Presidente do Parlamento havida aos 45 anos, tanto como Relvas e os outros recebem como "subsídio de almoço"

3) "1000 vagas até ao final do ano (outra prática proibitiva nos restantes braços do Estado)"

MENTIRA. O Macedo e o MAI admitiram recentemente 1100 polícias, foram dotados de mais 400 milhões de euros e não tiverem sequer corte de Orçamento.

Quanto à verdadeira razão da greve, o texto é um vómito de má-fé, só faltando dizer que os médicos são todos uma cambada de comunas.

Vá ver donde vem este Ministro, o que representa como interesses, quem está por trás das empresas que fornecem tarefeiros à hora, quem está interessado em que a carreira médica seja alterada podendo os privados graduaram médicos em especialidades sem recurso aos hospitais públicos.

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Demagocia barata II
HR consegue escrever um texto donde só ressalta uma aversão aos médicos, vistos como uma classe privilegiada a quem já são dadas condições especiais.

Nem o tempo, nem o esforço necessários à formação são referidos, como factores de valorização.
É omisso quanto ao trabalho indispensável dessa classe. Refere-se à contratação, como se fosse um capricho do ministro e não uma necessidade imperiosa do serviço de saúde.
Esquece-se que o está em jogo é o método de prestação de serviços, nas mãos de empresas de intermediação, havendo médicos "expresso", que saltam de serviço para serviço, a kilómetros de distância, sem o descanso devido, com consequências sobre a qualidade.
Tudo isto faz parte do pacote negocial e não o referir é tentativa de enganar e diabolizar uma classe necessária, que terá os os seus maus elementos, como todas.

Enquanto inserida nessa tentativa de correr com esses intermediários na área da saúde, acho que fazem muito bem. Pormenores remuneratórios não os conheço, pelo que me abstenho.
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Médicos: As falinhas mansas do Ministro?
"Vamos lá colocar as coisas em perspetiva. Estamos em Portugal e, se a minha memória não me falha, estamos em"... 2011.

O governo na sua ânsia de diminuir os custos unitários de produção (num país que já os tem dos mais baixos da Europa) tenta de tudo, desde aumentar as horas da semana laboral sem aumentar a remuneração, até baixar a percentagem de bónus a atribuir pelas horas extraordinárias. Estas, no meu entender, devem ser estritamente voluntárias, por acordo entre o trabalhador e empregador, caso a caso. Diminuir o valor das horas extraordinárias só diminui o incentivo a trabalhar o extra... só num país onde as pessoas não conseguem economizar do que trabalham e já estão com a corda na garganta, isto melhora a produtividade.

Acontece que, no caso dos médicos e como confirmado pelos comentadores na altura, eles são obrigados a fazer horas extra... sem voto na matéria. Lembrando-me de amigos que tinham que fazer bancos de muitas horas seguidas, posso acreditar nisso.

A resposta deles foi anunciar uma greve às horas extraordinárias que foi... desconvocada in extremis, em Dezembro de 2011. Na altura, governo e sindicatos calaram-se e todos se perguntaram, o que é que o primeiro tinha oferecido ao segundo?

Hoje percebe-se o quê: falinhas mansas! O ministro enrolou o sindicato de tal forma, que este agora já não vai em promessas de diálogo de ultima hora e mantém uma greve total de DOIS dias!
Uma proposta

Caro HR, ( esta forma respeitosa é mesmo sinal de muito respeito)
Li o seu último texto e fiquei a penar (olhe saiu assim...) mas eu queria dizer pensar.

Tenho uma sugestão que é uma proposta de grande alcance político, económico, social etc, etc,

Acabamos com o TRIBUNAL CONSTITUCIONAL.
Tem sido um aflitivo sorvedouro de dinheiro onde alguns sortudos, em poucos anos (para aí meia dúzia...), ganham para a vida toda e ficam bem governados ( veja-se os casos de um tal Vital M. e A. Esteves ).
Também para a brilhante defesa da constituição feita desta vez!!! ...
  O Zarolho ri-se e diz que esta de ser inconstitucional em 2013 e não ser em 2012 não lembrava ao diabo... Bem... Este ano defendeu o ORÇAMENTO...
Para o ano defende a CONSTITUIÇÃO...
  O Zarolho que é um bocado destravado da língua diz que, em boa verdade, passou (este ano) a ser o TRIBUNAL ORÇAMENTAL...

Então, vamos à proposta:
... O meu caro HR faz um esforçozinho e passa a desempenhar sozinho, melhor: passa a ser TRIBUNAL CONSTITUCIONAL. (Vá lá ...não diga que que não...)
É muito mais rápido e muito mais eficiente e, sobretudo, muito mais barato, nem que se faça pagar bem; os outros e foram tantos e em poucos anos também se governaram para a vida .

Para começar resolva-me este caso singelo:

No meu prédio, há dois professores. Um trabalha numa escola do Estado - outro num colégio pago totalmente pelo Estado.
O 1º fica sem subsídios
O 2º recebe-os.
...
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Os direitos dos médicos devem subsistir
Todos os trabalhadores dos setores públicos e privados tem vindo a perder remuneração e regalias.

Sobretudo no setor privado, os salários têm descido desde há 20 anos para cá e a segurança no trabalho já não existe.

Isto, como é repetidamente explicado, tem a ver com a estagnação económica, com os custos das empresas e do estado a aumentarem, enquanto as receitas descem.

Com as famílias é exatamente a mesma coisa.
Há dois anos por esta altura, as pessoas faziam contas para ir de férias, agora fazem contas para pagar os bens essenciais.

A comparação dos salários e outras condições em Portugal com esses mesmos itens em países mais ricos é uma falsa questão, que só tem levado ao endividamento das famílias e do estado.

Como nos endividamos somamos um problema maior ao fraco desempenho da economia e agora estamos a pagá-lo.

Teremos todos de o pagar. Não pode haver privilegiados.

A ordem dos médicos tem defendido bem a sua classe impedindo a saturação do mercado de emprego desses profissionais, isso com a ajuda do estado.

Os médicos não sofrem o problema do desemprego como os outros profissionais, embora já haja desemprego nos médicos. Não podem é querer manter as mesmas condições porque o dinheiro para isso não existe e se ele for obtido, por greves ou outros meios, quer isso dizer que foi retirado de mais impostos ou de setores que têm menos recursos. Isso será justo?

Os sacrifícios custam a todos.
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A tragédia, o horror, a miséria
Para o autor se não fosse a troika, os alemães e os compadres dele, os portugueses já tinham morrido todos à fome sem dinheiro para garantir um mínimo de substência. Para esta sumidade opinativa, ninguém pode ganhar dinheiro a não ser os Mexias, Coelhos, Isaltinos, Loureiros, Varas, etc., da vida, só os seus ricos amigos tem esse direito. Não tarda, pela lógica henriquina, vamos asssitir à aplicação de um programa de gaseamento dos doentes, pobres, idosos e outros "excomungados" para termos uma população à dimensão do país. Porque sei que irei ser um dos eleitos a marchar, só me resta uma consolação que o HR vá comigo, mas ao largo para não incomodar. Este moço devia ser ensinado a perceber o que são direitos e que o tempo do Estado Novo já lá vai, para grande pena dele, parece.
HR
E os jornalistas esses então é obra?
"DE FACTO"
Um escriba medíocre a falar do que não sabe não chega a ser comédia.
É uma anedota.
kácus
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COMÉDIA FRACA, É O COMENTÁRIO DE
Henrique Raposo.
Esta greve, tem o apoio dos médicos e dos utentes do SNS, do povo português e a campanha anti-médicos de que este texto é uma peça não está a ter êxito.
O povo português, o utente do SNS não é parvo e sabe que os médicos antes de os seus interesses estão a defender o SNS e a saúde dos portugueses.
NÃO, definitivamente NÃO ao seu discurso
NÃO, definitivamente NÃO HR, a greve dos Médicos não é uma comédia e devia informar-se melhor e respeitar a classe que considera (sabe-se lá porquê) privilegiada !Para si os Médicos devem ser uns malandros que circulam de bata branca pelos corredores dos Hospitais , que não curam os doentes ( mas estudaram no minimo 8 anos ( 6 de licenciatura e 2 de estágio)-para se habilitarem a tal..e que tem sempre de estar actualizados), que ganham fortunas e que tem ligações perigosas com a Industria farmacêutica!! Lamentável essa falta de respeito, espirito redutor , generalização e ignorância sobre um assunto tão sério.Seria bom trocar o seu trabalho no Expresso com uma noite de urgência num Banco e depois falariamos..
A greve respeita todos os parâmetros legais e constitucionais e assegura integralmente todos os serviços minimos. O Ministerio da Saude não soube respeitar as reivindicações sindicais e rompeu as negociações. À ultima hora, depois de ameaças várias, veio mostrar disponibiidade ao dialogo.
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Re: A greve dos médicos é uma comédia
"sem a troika, não haveria dinheiro para pagar salários aos médicos e ao restante funcionalismo."
Nem à policia para te manter seguro, nem ao inem para te transportar ao hospital de emergência, nem aos almeidas que recolhem o teu lixo (não este que escreves aqui, o outro), nem para comparticipar os teus medicamentos, nem a educação que te foi paga, nem os transportes públicos, nem as tuas baixas, nem a tua reforma. Nem mesmo o arranjo dos jardins e calçadas que abençoas com a tua presença nem mesmo a porra do cemitério onde, como todos nós, vais acabar.
Está na hora de acordar, "vamos lá colocar as coisas em perspetiva" se o pais falir não serão só os médicos e os funcionários públicos que irão ficar com um andar estranho, somos todos...

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Vamos la por as coisas em prespectiva, ó palhaço
Vamos lá por as coisas em perspectiva, ó comediante. No ano marciano de 2012 um pateta alegre vem escrever em público precedendo as suas afirmações com um " senão me engano" , " à Mozer", " Pelo que percebo...eis portanto..". Mas antes de vender os seus direitos aos Gatos ou ao Bruno, faça bem as contas , por exemplo 93 milhoes a dividir por 2.5 milhoes de horas, menos comissões , segurança social , IRC e IRS, e diga-me aonde chega a 80. Mas se vendeu ao seu chefe de redacção , pode ser que tenha sorte com outros comediantes , realmente é um país de cómicos, e comichosos.
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