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A fábula do Raposo e do Coelho

Caro dr. Jorge Coelho, como sabe, V. Exa. enviou-me uma carta, com conhecimento para a direção deste jornal. Aqui fica a minha resposta.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 5 de novembro de 2010

Em 'O Governo e a Mota-Engil' (crónica do sítio do Expresso), eu apontei para um facto que estava no Orçamento do Estado (OE): a Ascendi, empresa da Mota-Engil, iria receber 587 milhões de euros. Olhando para este pornográfico número, e seguindo o economista Álvaro Santos Pereira, constatei o óbvio: no mínimo, esta transferência de 587 milhões seria escandalosa (este valor representa mais de metade da receita que resultará do aumento do IVA).

Eu escrevi este texto às nove da manhã. À tarde, quando o meu texto já circulava pela Internet, a Ascendi apontou para um "lapso" do OE: afinal, a empresa só tem direito a 150 milhões e não a 587 milhões. Durante a tarde, o sítio do Expresso fez uma notícia sobre esse lapso, à qual foi anexada o meu texto. À noite, a SIC falou sobre o assunto.

Ora, perante isto, V. Exa. fez uma carta a pedir que eu me retratasse. Mas, meu caro amigo, o lapso não é meu. O lapso é de Teixeira dos Santos e de Sócrates. A sua carta parece que parte do pressuposto de que os 587 milhões saíram da minha pérfida imaginação. Meu caro, quando eu escrevi o texto, o 'lapso' era um 'facto' consagrado no OE. V.

Exa. quer explicações? Peça-as ao ministro das Finanças. Mas não deixo de registar o seguinte: V. Exa. quer que um zé-ninguém peça desculpas por um erro cometido pelos dois homens mais poderosos do país. Isto até parece brincadeirinha.

Depois, V. Exa. não gostou de ler este meu desejo utópico: "quando é que Jorge Coelho e a Mota-Engil desaparecem do centro da nossa vida política?". A isto, V. Exa. respondeu com um excelso "servi a Causa Pública durante mais de 20 anos". Bravo. Mas eu também sirvo a causa pública. Além de registar os 'lapsos' de 500 milhões, o meu serviço à causa pública passa por dizer aquilo que penso e sinto.

E, neste momento, estou farto das PPP de betão, estou farto das estradas que ninguém usa, e estou farto das construtoras que fizeram esse mar de betão e alcatrão. No fundo, eu estou farto do atual modelo económico assente numa espécie de new deal entre políticos e as construtoras. Porque este modelo fez muito mal a Portugal, meu caro Jorge Coelho. O modelo económico que enriqueceu a sua empresa é o modelo económico que empobreceu Portugal.

Não, não comece a abanar a cabeça, porque eu não estou a falar em teorias da conspiração. Não estou a dizer que Sócrates governou com o objetivo de enriquecer as construtoras. Nunca lhe faria esse favor, meu caro. Estou apenas a dizer que esse modelo foi uma escolha política desastrosa para o país. A culpa não é sua, mas sim dos partidos, sobretudo do PS.

Mas, se não se importa, eu tenho o direito a estar farto de ver os construtores no centro da vida coletiva do meu país. Foi este excesso de construção que arruinou Portugal, foi este excesso de investimento em bens não-transacionáveis que destruiu o meu futuro próximo.

No dia em que V. Exa. inventar a obra pública exportável, venho aqui retratar-me com uma simples frase: "eu estava errado, o dr. Jorge Coelho é um visionário e as construtoras civis devem ser o alfa e o ómega da nossa economia". Até lá, se não se importa, tenho direito a estar farto deste new deal entre políticos e construtores.

Henrique Raposo  

Texto publicado na edição do Expresso de 30 de outubro de 2010

 

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A fábula do Raposo e do Coelho
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:56 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010
O Raposo quer comer o Coelho, mas veja lá não se engane. É que Coelhos há muitos e nem todos pertencem à mesma coelheira.
 
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A fábula do Raposo/Coelho e a mulher do bebado
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:20 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010
A melhor piada de todos os tempos?!..

(É UM TANTO “MACHISTA” MAS ESTÁ BEM APANHADA!!!... J )

Mulher:

- Doutor, não sei o que fazer, sempre que o meu marido chega bêbado ele me enche de porrada.

Médico:

- Eu tenho um remédio muito bom para isso.Quando o seu marido chegar a casa embriagado, basta que você pegue numa chávena de chá de camomila e comece a bochechar. Não faça, mais nada: apenas bocheche, bocheche e bocheche...

Duas semanas depois, ela volta ao médico, e parece ter nascido de novo.

Mulher:

  - Doutor, a sua idéia foi brilhante! Toda vez que meu marido chegou a casa bêbado, eu bochechei muitas vezes com chá de camomila e ele não me bateu.

Médico:

- Você está a ver como calar a boca funciona?

 
 
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    Re: A fábula do Raposo/Coelho e a mulher do bebado    Ver comentário
CardosoSantos (seguir utilizador), 1 ponto , 12:41 | Sexta feira, 12 de novembro de 2010
O importante são as quantidades ???!!!..
Fernando Torres (seguir utilizador), 2 pontos , 19:06 | Domingo, 7 de novembro de 2010
Eu creio que para o caso tanto faz serem 587 milhões..150 milhões ou mesmo 15 milhões de euros..

O fulcro da questão não reside na quantidade de dinheiro a atribuir á ASCENDI..na minha opinião (expressa aqui http://clix.expresso.pt/g... =view#3672035 ) reside sim em porque é que tem o Estado de resolver os problemas de tesouraria de uma empresa privada..

Sei que tem porque foi assim que as coisas foram preparadas..
Preparadas á luz de Leis feitas á medida para servirem interesses que não são os colectivos (do Estado) mas sim muito individuais..

É isso que está mal..sempre esteve mal e continuará a estar mal (até um dia....)..não a quantidade de dinheiro...

 
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Bravo caro Raposo
CBP (seguir utilizador), 1 ponto , 4:54 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010
Começo por lhe dizer que não gosto de si, única e simplesmente pelo facto de ser tão injusto para com os verdadeiros funcionários públicos, aqueles que estão a ser sempre o garante do cumprimento do Estado. Neste caso sou obrigado a tirar-lhe o chapéu, pois pela primeira vez vejo alguém com coragem ( corajoso digno desse nome) a desmascarar um dos cernes do despesismo público, o tal chamado investimento público, mas sem retorno produtivo, apenas beneficiando os bolsos de alguns que por azar do destino são sempre os mesmos. mais uma vez bravo Raposo, pois quem se mete com o Raposo não há dúvida que leva ... e pela medida grande.
 
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Um Coelho assado!
Mukany (seguir utilizador), 1 ponto , 11:42 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010

_ Acredito que o Coelho está desejando ser devorado pelo Raposo!...
 
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um país de Antonys
ah_sim_compreendo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:42 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010
Por detrás de um grande defensor dos direitos do povo há sempre um ditadorzito que se pudesse até se impunha à chapada ou à falta disso gostava de ver os outros levarem chapadas.

Por outro lado, quem tem a coragem de enfrentar o sistema ainda acaba por beneficiar estes cómicos no seu direito a exprimir livremente a parvoice.

Deve ser alguma relação eco-bio-socio-psico.qualquer coisa que torna os contrários interdepententes, nem que seja por questões de taxonimia.
 
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    Re: um país de Antonys    Ver comentário
ah_sim_compreendo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:43 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010
pretende-se misturar as coisas
88dabulota (seguir utilizador), 1 ponto , 0:16 | Domingo, 7 de novembro de 2010
Construir betão quando ele fazia falta ser construidos , foi nescessário e útil .Constuir betão quando a necessidade era pouca e em PPP , com clausura irresponsáveis de , se der lucro é do financiador se der prijuizo quém paga é o contribuinte . Isto é um crime e como tal deve ser punido CIMINALMETE. Pretende-se misturar as coisas ao dizer que Cavaco fez muito betão ,logos SOCAS O MENTIROSO também podia faze-lo .Só que fazer auto-estradas em contratos em regime de ppp sem serem necessárias , volta ser crime que devia ser punido.Mas o pior é que os parceiros das ppp , são sempre os amigos . Leva-nos a pensar que este investimento tem RETORNO para o PS do sr. COELHO.
 
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    Re: pretende-se misturar as coisas    Ver comentário
ah_sim_compreendo (seguir utilizador), 1 ponto , 23:47 | Terça feira, 9 de novembro de 2010
Auto estradas
Jorge Duque (seguir utilizador), 1 ponto , 18:37 | Domingo, 7 de novembro de 2010
As auto estradas são um bem precioso de Portugal. Imagino que o Sr. Raposo utilize as auto estradas para viajar e como as tem à disposição, nem nota a falta que elas fariam se não existissem.
Acho que este facto não tem contraditório possível, pelo menos para alguém de bom senso.
Por outro lado, ter auto estradas espalhadas por Portugal pode ser um factor decisivo para o desenvolvimentos da tal economia produtora de bens transaccionáveis de que necessitamos como de pão para a boca.
O erro foi a criação das PPP e das SCUTS e não a construção de auto estradas.
 
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Para o Raposo
CardosoSantos (seguir utilizador), 1 ponto , 12:46 | Sexta feira, 12 de novembro de 2010
Não gosto da sua escrita, das suas ideias. Mas reconheço que desta vez gostei da resposta a quem se serviu da politica para estar numa boa.
 
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