Raramente os chefes de governo da UE chegam a uma unanimidade tão grande como a alcançada na cimeira sobre a evasão fiscal. É preciso não deixar a menor margem de manobra aos infratores, declararam. É inaceitável esmagar os contribuintes honestos com curas de austeridade e planos de salvamento do euro, enquanto meia dúzia de irresponsáveis se furtam às suas obrigações fiscais, mantendo o anonimato ou enganando as autoridades através do recurso a múltiplas empresas ou a estruturas fiscais complexas.
Daí a necessidade de resposta: transparência em matéria de dados bancários e encerramento dos paraísos fiscais. Foi uma ocasião para fanfarronadas, designadamente da parte dos chanceleres Werner Faymann e Angela Merkel, que já se encontram em fase de pré-campanha. Por seu turno, o primeiro-ministro David Cameron também não se cansou de repetir que o seu país tenciona acabar com os paraísos fiscais. Sim, David Cameron.
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O atirar de pedras e o incêndio de viaturas em Husby (nos subúrbios a norte de Estocolmo) é o espelho do fiasco de uma política. Foi preciso muito tempo para chegar a este ponto. Vai ser preciso ainda mais para repor a situação.
Husky é igual a muitos outros subúrbios problemáticos de aglomeração em Estocolmo. Em comum têm uma grande população de imigrantes, um número elevado de beneficiários da segurança social, muitos jovens com problemas escolares e uma taxa de desemprego elevada.
Segundo os números da agência sueca para o emprego, 20% dos jovens de Husby não desenvolveram qualquer tipo de atividade em 2010. Um em cada cinco jovens entre os 16 e os 19 anos não trabalha nem estuda. Na verdade, não fazem nada. Mas a natureza humana inventa ocupações, e estes jovens - rapazes na sua maioria - encontraram novos afazeres. Por exemplo, empoleirar-se nas pontes e atirar pedras aos carros da polícia ou incendiar os carros dos vizinhos. É verdade que eles não afirmam que é melhor gerar caos e partir coisas do que não fazer nada, mas no entanto é o que fazem, e esse é o problema.
Stylia Kampani fez tudo como se esperava dela e, contudo, continua sem saber o que o futuro lhe reserva. Aos 23 anos, completou os estudos em Relações Internacionais, na sua Grécia natal, e passou um ano na Universidade de Brema, no Norte da Alemanha. Fez estágio no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Atenas, e trabalhou para a Embaixada da Grécia em Berlim. Agora está a fazer outro estágio, não remunerado, no prestigiado diário ateniense Kathimerini. E depois? "Boa pergunta. Não sei. Nenhum dos meus amigos acredita que tenhamos futuro ou venhamos a ser capazes de viver uma vida normal", desabafa. "Não era assim há quatro anos."
Há quatro anos... isso foi antes da crise do euro começar. Desde então, o Governo grego aprovou uma série de programas de austeridade, que têm sido particularmente penalizadores para os jovens. A taxa de desemprego entre os gregos de menos de 25 anos é superior a 50%, há vários meses. A situação é igualmente dramática em Espanha, Portugal e Itália. Segundo o Eurostat, o organismo responsável pelas estatísticas da União Europeia, a taxa de desemprego entre os jovens adultos subiu para 23,5% na UE. Uma geração perdida está a tomar forma na Europa. E os governos europeus parecem não perceber o que querem dizer pessoas como o licenciado ateniense Alexandros: "Não queremos sair da Grécia, mas a permanente incerteza vence-nos pelo cansaço e deprime-nos."
Em primeiro lugar é curioso o nome "troika" para designar este trio. Uma palavra russa que, segundo Emmanuel Todd, ensaísta e eurocético, apenas traduz o mal-estar europeu.
Após um início difícil, a troika, que nasceu no início de 2010 para orquestrar o plano de resgate da Grécia, luta para se entender. Longe de se aligeirarem, as tensões vão crescendo. Bem como as críticas vindas dos países europeus ou emergentes, de cidadãos e de dirigentes.
Quinta-feira, 16 de maio, durante um fórum europeu em Berlim, Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças - próximo de Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional -, criticou fortemente o trabalho da Comissão Europeia. A fragmentação das responsabilidades em Bruxelas teria, segundo ele, estado na origem dos bloqueios do dossiê grego.
Nos bons velhos tempos, havia, aqui ou ali, uma fraude biológica por parte de um agricultor ou de um comerciante. Usavam-se alguns pesticidas nos campos, misturavam-se ovos industriais - mais baratos - com ovos biológicos. Geralmente passava despercebido e as quantidades envolvidas não eram significativas.
Em Itália os infratores do setor biológico há muito ultrapassaram esta barreira. Recentemente, grupos de distribuição começaram, também eles, a etiquetar como "biológicos" volumes consideráveis de produtos industriais produzidos por uma rede de empresas espalhadas por diferentes países.
As autoridades deste território semi-independente estão envolvidas numa polémica que nada tem a ver com o passado. Sabem que o seu sistema económico - assente em impostos muito baixos ou inexistentes - suscita cada vez mais suspeitas dos governos e, sobretudo, dos cidadãos de outros países, aos quais, todos os dias, são exigidos cada vez mais sacrifícios, enquanto alguns se livram de ajudar a economia, graças a territórios como este.
"Não somos um casino, mas um centro que recolhe investimentos e os injeta noutros locais. É justamente disso que a Europa precisa. Somos parte da solução e não o problema", garante o ministro das Finanças, Philip Ozouf. "Este Governo sempre cumpriu as regras internacionais e continuará a cumpri-las", insistiu, esta semana, o primeiro-ministro, Ian Gorst.
A energia ocupa um lugar de destaque na agenda oficial da cimeira europeia de 22 de maio. Mais uma razão para todos fazerem ouvir as suas vozes: é esta a estratégia seguida por todas as grandes empresas do setor da energia do Velho Continente, que, uma vez sem exemplo, vão avançar em grupo, para apresentarem as suas reivindicações à Comissão.
A mensagem é clara: a segurança de abastecimento energético da Europa está em perigo. As empresas fazem um apelo à ajuda em Bruxelas. As causas desta crise são inúmeras: diminuição drástica dos investimentos em grandes projetos de infraestruturas, ausência de um quadro regulamentar preciso, peso muito relativo da política energética comum... "Em suma, uma falta de visibilidade notória, num momento em que, para agirem de forma eficaz, os gigantes do setor precisam de um determinado número de sinais que atualmente não lhes são dados", sublinha um conhecedor do setor.
Os tanques de guerra deixaram lugar aos autocarros e aos carros matriculados "39", que representam a região de Kaliningrado. Já não deixam a cidade de Gdansk com os braços carregados com troféus de guerra, mas com sacos de compras, para grande satisfação dos comerciantes locais.
"Fazemos excelentes compras", admite Tatiana Babak, que acaba de sair do Ikea, enquanto coloca sacos cheios de compras na mala do seu carro. Veio a Gdansk com Wladimir Poliakov, o amigo taxista. 130 quilómetros só a ida. O gasóleo russo é barato: 3 zl [€0,72] o litro, é uma viagem "low cost". Tatiana vai a Trójmiasto (uma aglomeração portuária composta por Gdansk, Sopot e Gdynia) pelo menos uma vez por mês, Wladimir faz o trajeto mais vezes.
Este tipo de coisas só acontece na Europa à deriva, não por razões económicas, mas devido à inépcia convulsiva da sua política: estamos a falar do escândalo de um Tribunal Constitucional alemão determinar hoje a vida de todos os cidadãos da União, enquanto o Tribunal Constitucional português não tem qualquer peso. Referimo-nos a Jens Weidmann, o presidente do banco central alemão, que acusa Mario Draghi de exorbitar as suas funções - salvar o euro, com os meios à sua disposição - e declara descaradamente guerra a uma moeda a que chamamos única, precisamente porque não pertence apenas a Berlim.
Na verdade, o mandato do BCE é claro, embora Jens Weidmann conteste a sua constitucionalidade: manter a estabilidade dos preços (artigo 127º do Tratado de Lisboa), mas respeitando o artigo 3º, que determina o desenvolvimento sustentável da União, o pleno emprego, o melhoramento da qualidade do meio ambiente, a luta contra a exclusão social, a justiça e proteção sociais, a coesão económica, social e territorial e a solidariedade entre os Estados-membros. Algo não está a funcionar bem no percurso atual da União Europeia, em que o artigo 3º nem sequer aparece no site de Internet do BCE, talvez por temor que Berlim fique ressentida.
Mitko Dimitrov Iliev pediu o seu primeiro passaporte aos 50 anos. É um homem pequeno com dentes tortos e um ar tímido. A sua casa em Ivanski, uma aldeia no nordeste da Bulgária, está em mau estado, mas é espaçosa. A estante alberga pouco mais do que um acordeão. Utilizou-o no ano passado para tentar ganhar algum dinheiro, tocando na cidade holandesa de Groningen.
Foi aí abordado por um grupo de turcos, quando tocava na rua. Ofereceram-se para o ajudar a inscrever-se junto das autoridades municipais. "Um dos turcos fazia a tradução, por isso não percebia nada do que diziam entre eles." O turco em questão prometeu-lhe um novo telemóvel e disse: "Vamos lá dar início a um negócio." Fez Mitko, que é analfabeto, assinar uma resma de documentos. Mitko afasta o polegar do indicador uns 15 centímetros. Era a espessura da resma.