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23:40 Quarta feira, 16 de maio de 2012
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A entrada no círculo dos chefes de Estado e de governo europeus permite respirar um pouco melhor. Quando se está ali, no meio de presidentes, chanceleres e primeiros-ministros, estamos no nosso lugar, tivemos sucesso, podemos olhar de alto a oposição no próprio país, o seu espírito medíocre e as críticas. Aqui, partilha-se o abundante bolo do poder. Na ausência de uma verdadeira concorrência no xadrez europeu, os chefes de governo passam por cima dos parlamentos e dos partidos. Puseram de lado a Comissão. É isto que torna o Conselho Europeu tão único - e também tão previsível.
Porque nada privaria mais rapidamente o Conselho do seu poder do que o conflito e um passo atrás. Um homem ou uma mulher de Estado está acima dos ideólogos. Foi por isso que o Conselho reagiu com tamanha perplexidade, quando, por alturas das campanhas eleitorais na Grécia e em França, foi feita de forma banal menção às alternativas desagradáveis perante as quais se encontrava a política europeia, uma vez que o nacionalismo e o populismo foram elevados à categoria de remédios universais: expulsar a Grécia para fora do euro ou permitir a sua permanência na zona da moeda única; distribuir ajudas ou apertar o cinto: aumentar os impostos dos ricos ou revê-los em baixa.
Leia a versão integral do artigo do "Süddeutsche Zeitung" em Presseurop.eu.
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14:41 Quarta feira, 16 de maio de 2012
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Um assassino em série ataca nos subúrbios ricos de Atenas com uma escolha idiossincrática de vítimas. São todos gregos ricos que não pagam impostos e os seus corpos foram espalhados pelas ruínas da cidade antiga. Mortos por envenenamento, com cicuta, o método escolhido para matar Sócrates.
A Grécia está a passar por uma crise seríssima, que inclui um significativo aumento do crime, mas esta espécie particular de terror é quase toda ficção. Trata-se do tema do último bestseller de Petros Markaris, que é um conhecido autor de livros de suspense e, também, comentador social, na Grécia. A sua influência é tal que se tornou uma das vozes mais citadas em questões de crise.
Os assassinatos que estão no centro do livro de Markaris, "I Pairaiosi", ou "A Liquidação", dizem muito à massa de leitores furiosos com a elite que não paga impostos, cujo comportamento ajudou a pôr a Grécia de joelhos.
Muitos leitores, tal como o herói-narrador do livro, o Inspetor Costas Haritos, sentem-se divididos entre a repulsa e a admiração secreta pelo assassino, que se chama a si próprio O Cobrador Nacional de Impostos, e que exige dinheiro não para si mas para os cofres do Estado. E é porque o público simpatiza com o assassino que Markaris achou que era prudente haver uma nota, na contracapa do livro, que diz o seguinte: "Aviso: Este romance não deve ser imitado".
"Quis contar a verdadeira história da crise, como se desenvolveu e como afeta a vida das pessoas comuns", disse Markaris numa entrevista que deu no seu apartamento de Atenas. O autor defende que as histórias policiais são a melhor forma que existe de comentário social e político, porque muito do que hoje está a acontecer na Grécia é do foro criminal.
Leia mais sobre este livro que retrata a corrupção na Grécia em Presseurop.eu.
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16:03 Terça feira, 15 de maio de 2012
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Em diversos países e regiões, o veredicto dos eleitores está dado. A solução baseada apenas na austeridade é um fracasso. Agora, há que o interiorizar e iniciar negociações, que se preveem difíceis, que poderão levar a compromissos penosos. Mas, é urgente que a Grécia esteja pronta para tudo. E será necessário distinguir a realidade das ameaças e das chantagens que se trocam neste momento.
Em primeiro lugar, a Grécia não está preparada para sobreviver por si mesma. Sem as ajudas da Europa e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em breve o dinheiro faltará para pagar os salários dos funcionários públicos e para comprar ao estrangeiro aquilo de que necessita para sobreviver, a começar pelos produtos alimentares e pelo petróleo.
Em segundo lugar, após as reestruturações impostas aos credores privados, atualmente quase metade da dívida grega está nas mãos da Europa ou do Fundo Monetário Internacional. Portanto, se a Grécia não pagar, serão sobretudo os contribuintes da zona euro, ou seja, todos nós (mil euros por cabeça, numa estimativa sumária), quem irá desembolsar.
Em terceiro lugar, o regresso ao dracma só seria vantajoso na imaginação de economistas pouco informados, quase todos americanos. Soube-se recentemente que o governo de Georges Papandreou tinha encomendado um estudo que concluía que mesmo os dois setores que proporcionam à Grécia os seus rendimentos principais, o turismo e a marinha mercante, não beneficiariam com uma moeda desvalorizada.
Em quarto lugar, a verdade desconhecida é a dos prejuízos colaterais - para além do incumprimento da dívida - que uma eventual bancarrota da Grécia causaria aos outros países da zona euro. O diferencial em relação aos títulos do tesouro alemães [spread] não deixaria de crescer. Certamente, as consequências não teriam o mesmo peso para todos. Seriam mais pesadas para os países fracos, a começar por Portugal, em seguida a Espanha e a Itália, e mais leves para a Alemanha.
Continue a ler este artigo em Presseurop.eu.
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11:03 Terça feira, 15 de maio de 2012
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Várias personalidades políticas, a começar pelos alemães, cancelaram as suas deslocações à Ucrânia, em sinal de protesto contra a prisão da antiga primeira-ministra Iulia Timochenko, e como forma de denunciarem os maus tratos dentro da colónia penitenciária de Kharkiv. Uma verdadeira onda de cólera atravessa Bruxelas: o presidente da Comissão, Durão Barroso, os comissários europeus, incluindo a comissária para a Educação, o Multilinguismo e a Juventude, Androulla Vassiliou e o comissário do orçamento, o polaco Janusz Lewandowski, não irão a Kiev.
"Juntos, criamos o futuro", é este o slogan oficial do Euro 2012. E esta é também a convicção de Gregory Surkis, o presidente da federação ucraniana de futebol, para quem o Euro 2012 vai acelerar as mudanças [na Ucrânia], com ou sem comissários europeus.
Leia a versão integral deste artigo do Polityka em Presseurop.eu.
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16:05 Segunda feira, 14 de maio de 2012
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Quem tenha tido oportunidade de acompanhar, com um certo distanciamento, o encontro de domingo, dia 13, entre os dirigentes do PASOK (Partido Socialista), da Nova Democracia (ND, direita) e da Coligação da Esquerda Radical Syriza, e conheça as verdadeiras motivações de cada um desses dirigentes, deve ter morrido de riso.
A história teve claramente o caráter divertido de uma peça de teatro, com um humor grosseiro, apesar do facto de o encontro dever ser crucial e trágico: tratava-se de negociações entre os três dirigentes e o Presidente da República [Karolos Papoulias], para ver se era possível formar um governo de coligação entre partidos ou se o país deveria optar pela organização de novas eleições legislativas, em junho. O objetivo de alguns políticos é transparente. Resulta do interesse pessoal de cada um. Acontece que as eleições poderiam fazer esquecer ou apagar os resultados eleitorais de alguns partidos. Vejamos o que cada um quer:
O chefe da Nova Democracia, Antonis Samaras, quer evitar eleições, aconteça o que acontecer. A sua obsessão assenta numa avaliação errada, se considerarmos os resultados da ND nas eleições de 5 de maio [18,85%], que bloquearam o seu futuro político, em vez de lhe darem uma maioria, como Samaras desejava. A ND obteve a votação mais baixa da sua história.
Depois destes resultados, Samaras deveria ter sido expulso do cargo de dirigente, se não houvesse a possibilidade de o incluir num governo de coligação e se não houvesse a hipótese de novas eleições dentro de um mês. Tanto mais que, apesar da sua votação ridícula, a ND foi o primeiro classificado, contando com um número de deputados duas vezes superior ao que deveria ter (108 deputados num total de 300, graças ao bónus de 50 deputados que a lei atribui ao partido mais votado).
Contudo, se houver novas eleições, o Syriza será sem dúvida o primeiro partido e beneficiará desse bónus. O que significa que a ND perderá entre 50 e 60 assentos. Se isso acontecer, Antonis Samaras deverá abandonar o partido discretamente, se quiser evitar ser devorado pelos pretendentes ao seu cargo.
Leia a versão integral do artigo de To Ethnos em Presseurop.eu.
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12:26 Segunda feira, 14 de maio de 2012
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Não é possível tirar o crescimento da produção de uma cartola, como por magia, e não há de facto dinheiro para investimentos. Por isso Daniel Gros ficou estupefacto com a forma como os políticos europeus, encabeçados pelo novo Presidente francês, martelam uma simples palavra: crescimento.
Para o economista alemão do grupo de reflexão de Bruxelas CEPS, a dicotomia "austeridade ou crescimento" é um "falso debate", que não faz avançar um passo na solução da crise do euro. O verdadeiro debate, segundo ele, deve centrar-se nos bancos, especialmente os do Sul da Europa, que estão muito pior do que se pensava.
"Os bancos gregos e espanhóis estão sentados numa pilha crescente de dívidas", explica Gros. "Só a Europa os pode salvar, os Governos grego e espanhol são demasiado fracos. É um problema europeu da maior importância."
No ano passado, depois de forte pressão política, os bancos europeus aceitaram cortes no pagamento da dívida do Estado grego, através de um perdão parcial. Depois disso, os mesmos bancos retiraram-se do Sul da zona euro, antes de novos cortes. Espanha, Itália e Portugal foram massivamente abandonados pelos investidores estrangeiros. Na Grécia, a fase seguinte já começou: até os gregos colocam o seu dinheiro no exterior. De acordo com Gros, trata-se de uma imensa fuga de capitais. "Quatro, cinco, seis mil milhões de euros por mês. Ninguém os consegue travar."
Esta evolução acompanha a par e passo outra, igualmente prejudicial: devido à saída dos bancos do Norte da Europa, os do Sul vão-se afundando cada vez mais em dívidas. As obrigações de que os investidores estrangeiros se estão a livrar são compradas precisamente por bancos europeus do Sul. Fazem-no por pressão dos governos, mas também porque ganham dinheiro com isso. É que, em troca desse favor, os governos contratam novos empréstimos, a taxas de juros mais interessantes para os bancos.
Saiba tudo sobre a interdependência entre a banca e os Estados em Presseurop.eu.
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11:43 Sexta feira, 11 de maio de 2012
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É sempre assim com os filmes alemães: aos momentos de glória segue-se de imediato um golpe baixo. O entusiasmo suscitado por "Barbara", de Christian Petzold - premiado no Festival de Berlim - foi rapidamente arrefecido por uma crítica publicada na edição de domingo do "Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung", que colocava o filme na odiosa categoria dos filmes que contribuem para a evocação da RDA.
É surpreendente ver como alguns críticos de cinema teimam em impor uma missão, uma mensagem, ao cinema alemão. Ao ponto de se sugerir ao leitor que, antes de mais, não é no plano puramente cinematográfico que "Barbara" tem que convencer: o filme deve, acima de tudo, preencher determinados critérios de utilidade pública. Nesse sentido, pede-se ao cineasta que apresente uma imagem "fiel" da História! Será que se esperava que os realizadores alemães tivessem a amabilidade de dar prioridade ao "rigor histórico"?
Continue a ler o artigo do "Zeit" em Presseurop.eu.
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16:35 Quinta feira, 10 de maio de 2012
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Basta da Europa dos arrogantes, dos dirigentes que só conhecem a lei do mais forte. Basta de uma União que degenerou numa pirâmide feudal, com apenas um grande Estado - o único realmente soberano - à cabeça, e uma infinidade de vassalos e subvassalos às suas ordens. Basta de uma Europa impotente (inconclusiva) nas proclamações: é ultrajante, quando a crise económica provoca danos, a austeridade lhe trava o passo e o emprego rareia.
Nunca, antes do superdomingo [da eleição presidencial em França], tínhamos uma consciência tão brutal do divórcio entre a Europa - e classes dirigentes - e os seus cidadãos. Uma rutura que amadureceu dentro de um projeto comum, que não só está a perder velocidade, mas que acabou a renegar o espírito e a política das origens e persiste em ignorar a realidade: a insatisfação e frustração crescentes e os problemas dos cidadãos. Daí a perda de adesão da parte destes. Ainda não é um plebiscito negativo, mas quase. Hoje, ou a Europa recomeça e volta a ser ela própria, ou mais cedo ou mais tarde morre. A fim de reatar a relação com os seus povos, precisa urgentemente de duas coisas: crescimento económico e definição política.
Leia a versão integral do artigo em Presseurop.eu.
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11:21 Quinta feira, 10 de maio de 2012
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O Ministério do Ambiente checo está a preparar um projeto de moratória da exploração de gás de xisto, conforme se lê no seu site da Internet. Com uma duração de 18 meses a 2 anos, permitirá, segundo as autoridades checas, suprir as lacunas da legislação atual sobre proteção ambiental, explorações mineiras e trabalhos geológicos.
Desde o mês passado, o Governo checo cancelou as duas concessões de exploração de gás de xisto anteriormente concedidas pelas autoridades à empresa australiana Hutton. O ministro checo do Ambiente, Tomás Chalupa, considerou que os municípios não possuíam as informações necessárias para a avaliação das questões relativas à proteção de fontes de água potável, ambiente e paisagem.
Saiba por que França, Bulgária, Roménia e República Checa suspenderam a exploração de gás de xisto em Presseurop.eu.
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17:24 Quarta feira, 9 de maio de 2012
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Hoje, celebra-se o Dia da Europa. Quer dizer, celebrar... Os eurófilos de credo mais romântico têm a bandeira azul com estrelas amarelas pendurada na varanda, mas deve ser o máximo que vamos ter em matéria de espetáculo. Os únicos fogos de artifício que vão ser vistos são os dos mercados financeiros. Ou nas salas de negociação gregas, onde se debate a quase impossível tarefa de organizar uma coligação.
Em 9 de maio de 1950, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert Schuman, apelou à reconciliação entre a França e a Alemanha. Nasceu a integração europeia, Bruxelas deu o nome de Schuman a uma praça e 9 de maio tornou-se oficialmente o Dia da Europa.
Contudo, nos dias de hoje, quando se fala de Europa, é apenas em termos de crise e de desgraça. As eleições da semana passada em França e na Grécia apenas reforçaram o sentimento negativo. Qualquer observador suspeita que, depois de um Merkozy, é improvável assistir-se a um Mer-lande e mais a uma Mer-de. A Grécia... bem, deixemo-la afundar-se no Mediterrâneo.
Continue a ler este artigo de um politólogo belga em Presseurop.eu.
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