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A escola com contrato não é uma invenção portuguesa

A esquerda recusa-se a aceitar que a escola pública não é monopólio do Estado.

Alexandre Homem Cristo (www.expresso.pt)
8:45 Terça feira, 8 de fevereiro de 2011

O debate sobre as escolas com contrato de associação sofre de um terrível vício: discute-se o financiamento público a escolas privadas, para que estas integrem a Rede Pública de Educação, como se isso fosse uma invenção portuguesa. Não é. Nos EUA, mais de um milhão de alunos frequentam charter schools. Pela Europa fora, esta é já uma prática comum, com resultados manifestamente positivos para a aprendizagem dos jovens, e cada vez mais uma tendência nas políticas educativas (ver Reino Unido ).

Na Irlanda, a grande maioria das escolas públicas são privadas e na Dinamarca o sistema de cheque-ensino existe há praticamente 140 anos. Na Holanda, o Estado financia indiscriminadamente as escolas estatais e privadas, assegurando que ambas integram a Rede Pública de Educação e são, por isso, gratuitas para os alunos. Cerca de 70% dos alunos frequentam as escolas privadas da Rede Pública, i.e. as escolas com contrato de associação, sendo os resultados educativos muito positivos: 10º/11º/11º no ranking PISA 2009 em leitura, matemática e ciências, respectivamente, 2º/3º/3º no mesmo ranking se contarmos apenas os países europeus. Na Suécia, as escolas com contrato de associação, chamadas de escolas independentes, são integralmente financiadas pelo Estado, e recebem mais de 10% dos alunos do ensino obrigatório e de 20% dos alunos do ensino secundário não-obrigatório (entre os 16 e os 19 anos). Ainda no caso sueco, estudos académicos* apontam para o facto da existência das escolas independentes, ao criar concorrência no interior da Rede Pública de Educação, ter potenciado a melhoria dos desempenhos escolares dos alunos nas escolas municipais suecas (i.e. as escolas públicas tradicionais).

Ora, em Portugal, nenhum dos críticos ao financiamento público às escolas com contrato de associação se importou com o que lá fora se faz. Pelo contrário, não só ficaram surpreendidos (ver por exemplo este artigo da Fernanda Câncio no DN ) com a existência de escolas privadas financiadas pelo Estado como, depois de descobrir da existência deste fenómeno paranormal, abordaram a discussão como se de uma invenção portuguesa se tratasse. É, reconheçamos, uma estratégia conveniente. Assim, não só se ignora tudo o que se poderia aprender com a experiência destes e de outros países, como se pode optar por uma perspectiva preconceituosa (i.e. ideológica) sobre a questão, repetindo as mentiras dos fartos privilégios e lucros que a propaganda ministerial se encarregou de espalhar (ver por exemplo este artigo do Daniel Oliveira no Expresso ).

Acontece que não existem nem lucros nem privilégios. Os alunos em causa não são ricos ou diferentes dos que frequentam as escolas públicas do país. E, por mais que isso custe à esquerda, escola pública não significa escola estatal; há, pelo mundo, dezenas de sistemas educativos que o demonstram. Só não vê quem não quer.

----------------

* por 'estudos académicos' entenda-se investigações realizadas e publicadas por instituições independentes, cujos resultados são transparentes e os autores responsabilizáveis, e não estudos realizados por individualidades ligadas ao partido do Governo, por encomenda do Ministério da Educação, produzidos em tempo recorde e que sugerem tomadas de decisão políticas. No caso das escolas suecas, o estudo referido é: Lindbom, Anders (2010) 'School Choice in Sweden: Effects on Student Performance, School Costs, and Segregation', Scandinavian Journal of Educational Research, 54: 6, 615 - 630.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Pois pois
PASe7e (seguir utilizador), 1 ponto , 10:20 | Terça feira, 8 de fevereiro de 2011
"Acontece que não existem nem lucros nem privilégios" !!! Está-se mesmo a ver! Os donos dos colégios privados só querem ajudar, não têm lucro nenhum com a sua actividade! Alguém acredita nisto? É mesmo passar um atestado de burrice a todos os leitores.

É chocante ver os defensores do "mercado" virem agora exigir que o estado "deturpe" o mesmo mercado com subsídios e apoios onde tal não tem uma justificação social. O "mercado" só tem de ser respeitado quando se trata de aumentar o preço da gasolina ou facilitar os despedimentos?
 
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Legitimidade para Discordar
escabroso (seguir utilizador), 1 ponto , 11:03 | Terça feira, 8 de fevereiro de 2011
Nunca ninguém defendeu que Escola Pública é Escola Estatal, no entando é legítimo ao Estado, leia-se Governo, definir a rede de escolas públicas ou privadas com contrato de associação. Sim! CONTRATO! Acordo de vontades entre duas partes e não a imposição por parte de uma delas das condições ou regras. O diploma dos contratos de associação tem critérios para a sua celebração alguns dos quais , hoje, já não fazem sentido, uma vez que já temos mais e melhores escolas públicas. Se os contratos cobrirem mais de 5%( que é uma vergonha) de alunos carenciados, e não houver estabelecimento público nas proximidades, ou uma rede de transportes capaz, talvez se justifique. Ninguém quer tirar o direito de as famílias escolherem as Escolas dos seus filhos, agora os outros prtugueses é que não têm que pagar essa sua decisão!
 
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Estado totalitário?
manginhas (seguir utilizador), 1 ponto , 14:38 | Terça feira, 8 de fevereiro de 2011
O Estado não é o dono da educação dos nossos filhos. Temos o direito de escolha.
Porquê não avançar com o cheque-educação?
Libertamos o País de gastos inúteis e melhoramos a qualidade da Educação.
Todos somos contribuintes. Todos deveríamos poder usufruir da garantia que é dada sobre "ensino obrigatório". Na realidade é uma fraude porque tal apenas acontece nas escolas que o Estado quer.
 
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