25 de abril de 2014 às 9:12
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A encruzilhada síria

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Estive na Síria. Foi, aliás, dos vários países árabes que conheço, aquele onde mais gostei de estar. Por causa do incrível património histórico. Pelo mosaico cultural e religioso que ali se mantém. A laicidade do Estado sente-se. Sente-se na tolerância religiosa, cada vez mais rara nos países muçulmanos. Trata-se de uma ditadura laica que, da mesma forma que prende e mata os opositores políticos, mantém controlados os movimentos de qualquer tipo de fundamentalismo religioso que nunca quereriam nada com a dinastia Assad. A ligação ao Irão é táctica. A ligação religiosa faz-se pela minoria alauíta (10%), que se considera xiita e que domina o poder político. Ainda assim, a maioria é sunita e o Estado é laico. Uma realidade bem distante da iraniana.

Na segunda cidade síria, Alepo, que se diz o mais antigo local habitado do Mundo, assisti a uma missa dos maronitas e os símbolos cristãos eram tão visíveis como os islâmicos. Nos anos sessenta houve tensões com os cristãos (arménios, ortodoxos gregos, maronitas e católicos latinos - cerca de 10% dos sírios) mas os problemas não são visíveis para um visitante. Há ainda drusos, xiitas e alauítas, para além da maioria sunita. A diversidade é apenas manchada pelos bairros judeus sem judeus. A outrora numerosa comunidade judaica (eram 30 mil, quase todos a viver em Damasco e Alepo) há muito abandonou o país. Ou seja, um governo islamista neste país seria uma tragédia sem nome.

O cosmopolitismo sente-se também por via dos refugiados. Cerca de um milhão de iraquianos, meio milhão de palestinianos, duzentos mil libaneses. Isto em 2006, quando lá estive, durante o ataque israelita ao Líbano. Não digo que os refugiados sejam exemplarmente recebidos. Mas, comparando com o que vi no Egito, na Jordânia ou no Líbano, é, de longe, o Estado árabe que melhor recebe os palestinianos. Ou seja: o mais coerente entre o que diz e o que faz. O pan-arabismo é aqui um pouco (só mesmo um pouquinho) mais do que retórica. E a resistência a Israel também. E é também isso, muito mais do que a repressão, que explica os sentimentos do Ocidente em relação à dinastia Assad.

Estive na Síria. Foi, aliás, dos países árabes que conheço, aquele onde menos gostei de estar. Por causa da ditadura. Ela sente-se em cada esquina. A Síria é, como a Coreia do Norte, uma república monárquica. Ao pai Hafez al-Assad sucedeu o filho, Bashar al-Assad. Os dois têm o carisma de uma anémona. Mas, mesmo assim, não hesitam em levar o culto da personalidade até ao enjoo. As fotografias de pai e filho são omnipresentes. Todos os cafés, lojas, restaurantes e bares, queiram ou não queiram, são obrigados a ostentar as carinhas dos dois senhores. Nas fotos de propaganda do regime ao pai e ao filho junta-se o Espírito Santo. O filho predileto de Hafez, Basil al-Assad, era o candidato ao trono, mas morreu prematuramente num acidente de viação. Ficou o filho Bashar, o mais ocidentalizado, que chegou a dar sinais de abertura nunca concretizados. Por todo o lado se veem imagens de Basil, retratado como herói nacional, montado em cavalos. Ao que parece praticava hipismo e conseguiu um segundo prémio para a Síria. Sendo da dinastia Assad, isso chega para ser um novo Saladino.

A Síria é, como praticamente todos os regimes árabes, uma ditadura repressiva. Esta calhou ter estado do lado de lá do Muro - ou seja, do lado dos derrotados. Mas falar de socialismo aqui seria no mínimo exagerado. O país é pobre e o governo, para além de repressivo, é visivelmente incompetente. A intervenção do Estado na economia não muito é maior do que nos países vizinhos. A repressão política sim. Não me espantei, por isso, com o comportamento criminoso deste governo, perante a contestação política.

Este é o retrato da Síria que conheci. Muito antes da Primavera Árabe. Num momento em que o País olhava para fora e se unia por causa disso. Acontecia a guerra do Líbano e as bandeiras do Hezbollah surgiam, até com algum desconforto inicial do regime, por todo o lado. Apesar da ditadura, apesar da repressão, estava longe de imaginar uma contestação à dinastia Assad seria tão acirrada. Mas se a tivesse imaginado teria pressentido esta mortandade.

Perante o que vi, divide-se a minha consciência. Os milhares de mortos e o ignóbil aparelho repressivo do regime não dão espaço a qualquer tipo de cinismo. Bashar al-Assad tem de cair e não vejo como pode este regime dirigir qualquer tipo de transição pacífica para a democracia. A longa história de crimes não permite qualquer tipo de benefício da dúvida.

Mas a rara diversidade e tolerância religiosa que ali se vive faz-me temer por um futuro em que os islamistas tenham mais poder. Com um pormaior: a oposição na Síria é bem menos estruturada e sólida do que no Egito e facilmente manipulável por todos os interesses, incluindo os mais sinistros. E terá, até por não ser vista como alternativa, muito menos apoio popular.

Não ignoro também os interesses muito pouco altruístas do ocidente. Controlar a Síria é controlar o conflito israelo-palestiniano, a política interna do Líbano, parte do conflito curdo com a Turquia e ter uma porta aberta para o Irão. Não me parece que os EUA e a Europa, com a sua longa história de cumplicidade com as ditaduras árabes, estejam muito preocupados com os direitos humanos. A companhia, entre os "amigos" de uma Síria democrática e livre, da Arábia Saudita, do Bahrein (que lidaram com mão de ferro com a sua "Primavera Árabe) e da Turquia (que tem interesses naquela fronteira por causa dos independentistas curdos), diz tudo dos interesses que ali se movem. Que não são nem melhores nem piores do que o oportunismo chinês e russo.

Neste caso, não tenho uma posição fechada. Desejo, claro que desejo, o fim da ditadura síria. O seu derrube é uma peça fundamental para a democratização do mundo árabe. Travar a loucura assassina do regime sírio é um imperativo ético. Mas nem o dia seguinte, nas atuais circunstâncias, me parece nada animador, nem as motivações externas me parecem merecedoras de qualquer respeito. Pode a Síria conquistar a sua liberdade sem se entregar a uma ainda mais sangrenta guerra civil, onde os interesses dos vizinhos árabes, de Israel, da Turquia e dos EUA sejam o que realmente vai determinar o seu futuro? Não sei. Sei que a mortandade e a repressão têm de acabar. Sei que falta aos intervenientes externos, entre eles várias ditaduras árabes, autoridade para ali meterem a pata.

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Preocupações
Há determinadas situações que, sendo péssimas, se se tentam alterar, só pode ser para pior.
O Ocidente sabe, por experiência própria, que cada vez que interferiu com o Islão, sempre borrou a escrita.

Impôs o Xá no Irão e a curto prazo deu entrada aos aytolas.
Meteu-se com o Sadam e transformou o laico Iraque num estado a caminho do Xiismo.
Na Tunísia,Líbia e Egipto a influência dos fundamentalistas religiosos cresceu, e está para ver se não se apoderam do poder.
Este caso da Síria não foge ao figurino e ao dilema do Ocidente: Ditaduras. mesmo duras, que controlem os fundamentalismos, ou apoiar aberturas que levarão o clero radical ao poder.

De uma ou outra opção resultará, ou a manutenção de uma paz podre , com sacrifício das populações, ou o perigo eminente de um grande conflito.
Na minha modesta opinião, esse grande conflito é inevitável, mais década, menos década. Os valores defendidos são inconciliáveis e antagónicos.
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Deixa-me rir.......
O seu derrube é uma peça fundamental para a democratização do mundo árabe

Democratização do mundo árabe.......

Onde??????

Não será antes islamização fundamentalista do mundo árabe, com pantominas (Eleições) ensaiadas de 5 em 5 anos, sempre com o mesmo resultado?
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Não sei se é mais para chorar... Ver comentário
AS LAGRIMAS DE JACARÉ DO DANIEL
Eu sabia! Eu desconfiava q vc devia ter estado alguma vez na Síria e q nessa mesma viagem tbem visitou Beirute, o Vale de Beka e a Faixa de Gaza. Deve ter sido nessa sua viagenzinha d turismo q vc consolidou a seu antagonismo visceral a Israel e jurou amor eterno ao Hizbollah d Hassan Nasrallah e o seu apoio incondicional ao Hamas, ambos movimentos terroristas. Bashar tem sido o seguro de vida destes dois movimentos assassinos e, seria muito honesto d sua parte (vc nunca o fará!) q dissesse q ao dia d hoje elementos destes 2 movimentos conjuntamente com o formado por desmobilizados da guarda revolucionaria iraniana, os Quds, andam a matar alegremente e fanaticamente a população sunita síria. Deste seu folheto turístico d hoje o mais hilariante decorre em considerar táctica a união dos alaúitas ao Irão. A dissertação q nos faz da do Clã Assad em nada é surpreendente pois em todas as capitais árabes o culto da personalidade ao presidente ou rei é a regra. O q vc não diz é q o q está a acontecer hoje. Esta espiral d mortes e assassínios NÃO é nova. Ninguém, como vc bem sabe, na Síria esquece o ano 1989. Nesse ano teve lugar um fenómeno d revolta colectiva em tudo igual ao actual. Quem estava por detrás da então contestação são os mesmos d hoje, a Irmandade Muçulmana e a população sunita. Na altura foram mortos entre 20.000 e 30.000 pessoas e a cidade então massacrada foi Hama. Estes acontecimentos não o impediram d visitar a Síria e ser um incondicional do terror xiita. ...
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Uma crónica côr de rosa
De um País a ferro e fogo.
Muitos cronistas Portugueses gostam mais de escrever no sofá do que partir para a linha da frente.
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Uma crónica côr de rosa e o copianço Ver comentário
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Esta gente do Bloco é "esquerda de sofá" Ver comentário
Re: Esta gente do Bloco é Ver comentário
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Esteve na Síria, na esplanada das mordomias Ver comentário
Comentário cor de burro quando foge. Ver comentário
É letra pequena,a coerência é asssim Ver comentário
A encruzilhada síria
Diz o povo que entre marido e mulher ninguém deve meter a colher. Todos nós ficamos chocados com as imagens que nos vão chegando todos os dias através das televisões. Não há dúvidas que a Comunidade Internacional tem de fazer algo, mas penso que a última palavra deve pertencer aos Países Árabes. Como diz um amigo meu, há duas coisas no Mundo que dão cabo da vida dos homens; uma são as mulheres e a outra as religiões. Sem as mulheres não podemos passar porque fazem imensa falta e no que se refere às religiões, poder podíamos, mas não deixam.
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Re: hehehe ;) Ver comentário
A encruzilhada portuguesa
Estive em Portugal. Foi, aliás, dos países onde mais gostei de viver. Por causa do incrível Património histórico e natural, da comida, e de muitas outras coisas. Apesar de se considerar um Estado Laico, sente-se todavia a presença da Igreja Católica, e o próprio Governo não tem o livre exercício da soberania no que toca ao estabelecimento dos feriados.

Este país só reprime os mais carenciados, que poucos ou nenhum direitos têm, e protege as corporações, chamadas sindicatos ou ordens, das mais variadas profissões que adquiriram privilégios e os negam à restante população.

Confunde democracia com total liberdade para defender interesses privados ou mesmo individuais, em vez de a entender como uma forma de defender o bem público.

Tolera, por essa razão, a corrupção, o compadrio, e sobretudo a total impunidade de quem abusa das suas funções em proveito próprio, sobretudo na esfera política.

Habituada nos últimos 25 anos a viver acima das suas posses, a população não se apercebe da verdadeira situação económica e financeira do país, e condicionada pela religião, espera que tudo se resolva por milagre.

O País abdicou das suas fronteiras e da sua moeda e continua a acreditar que é através da competitividade e da concorrência com 26 outros Países europeus que vai equilibrar a sua Balança Comercial, as Contas Públicas, e resolver a situação dos desempregados.

AINDA NÃO SE APERCEBEU DA ENCRUZILHADA ONDE SE ENCONTRA!!!
DO
Encruzilhadas ou mais a virtualidade da hipocrisia e dos interesses ocultos de certos países.
Mas concordo consigo que cada vez mais se assiste à intolerância em certos países árabes.
Compreendo o dilema
Tal como o DO eu também conheço a Síria, e também a Jordânia e, ao contrário do DO, também Israel (Sobre quem DO gosta muito de ditar sentenças sem ter qualquer conhecimento de causa).

Eu também tenho o dilema de optar entre um déspota (mal iluminado), mas cujos "súbditos" até nem vivem mal (Não vi miséria na Síria por aí além) e onde qualquer pessoa pode praticar sem restrições a sua religião e entre uma corja de fundamentalistas que calam toda e qualquer oposição a golpes de scimitarra e onde não admitem visões politicas e religiosas diferentes das suas.
O DO está quase lá... falta o quase!
O artigo estaria bom, não fosse a tinta bloquista do DO deixar a sua mancha...
Com que então, na Síria dão-se todos muitos bem, e “um governo islamista neste país seria uma tragédia sem nome” por causa da “diversidade”. Mas como salienta – e bem – já não há judeus na Síria. Quem é que os expulsou, terão sido os islamitas? Ou terá sido o governo “laico”? E essa “laicidade” é tão laica, como é que apoia o Hezbollah, uma milícia religiosa radical, e se apoia num Irão igualmente radical?
E com que então, Israel atacou o Líbano??? E eu a pensar que tinha sido sempre o Líbano a, repetidamente, atacar Israel usando para o efeito a OLP e do Hezbollah (e não vamos cair na desculpara de desresponsabilização do Líbano pois ambas as organizações actuavam/actuam dentro das suas fronteiras)… o assassinato e o rapto dos soldados israelitas em patrulha DENTRO DAS FRONTEIRAS DE ISRAEL em 2006, na opinião do DO e dos seus acólitos, deve ter sido um acto amigável por parte do Líbano.
Re: O DO está quase lá... falta o quase! Ver comentário
Excelente Crónica
Caro Daniel

Excelente artigo. Sou um grande apoiante da primavera árabe, mas temo que o facto de tanta gente ter provado o sabor a sangue torne os próximos tempos muito complicados.

Espero que Assad caia, e rápido. Mas não dou como garantido que a seguir a Síria terá paz. Espero que o consigam e que não caiam numa guerra civil ainda pior.

No seguimento do que disse, acho incrível a posição "pró-democrática" da Arábia Saudita, a pior de todas as ditaduras do médio oriente.

Os melhores cumprimentos,

António

http://oreivaivestido.blo...
NOVOS PATRÕES
Caro Daniel Oliveira, o mundo tem novos patrões; A saber, a R.P.China e depois os BRICs.
Nada ainda foi feito para parar esta mortandade porque a R.P.China e pelo menos um dos BRICs, a Rússia, não deixaram. Vetaram no Conselho de Segurança da ONU.
Esta é a filosofia de vida dos novos patrões. Habituemo-nos. E já agora, terá de começar a habituar-se a fazer pontaria para eles e não para os antigos patrões que, esses, andam a lamber as muitas feridas.
Diz que...
Diz que se derrota o ditador...para lá por outro ditador simpático aos interesses do "Ocidente" (leia-se EUA e aliado principal no médio-oriente). O povo é o instrumento que legitima o estratagema. Diz que os EUA têm todo o interesse em manter o controlo no Médio-Oriente e Norte de África e que quando surge um "vírus" num país, se "vacinam" os outros em redor para que o "virus" não os contagie. O processo é o mesmo desde a guerra do Vietname e a Primavera Árabe é isso mesmo.

http://www.aljazeera.com/...

Se o link não aparecer inteiro escrever o URL simples do aljazeera e .../indepth/opinion/2012/02/2012219123013358391.html dois artigos de importância vital para quem queira entender um pouco o que se está a passar.
Força, Daniele!

Força, Daniele, tu és a nossa voz.

Desculpe o tom confidencial.

António

"O Sábio"- fala de tudo e sabe de tudo este ....!
Dizia a minha avó, quando eu me sentava ao seu lado escutando sua sabedoria, aquela incrivelmente quente sabedoria da avó, que tantas saudades me dá, dizia ela: "Fidalguia sem comedoria é gaita que não assobia".
É o que sinto em relação a esta personagem, que de tudo e sobre tudo escreve, qual Fidalgo andarilho, deste Portugal de hoje!
E pensava eu que estas personagens - "o sabe de tudo" - já estavam extintos! Ou em vias disso.....
Cpts.
ps. sim, eu respeito todas as opiniões, mas....."eu não acredito em bruxas, mas que existem, existem!"
A realpolitik do BE
Até que enfim! Muitos mortos depois Daniel Oliveira lá se lembrou que conhece a Síria.

Aquelas mortes todas são uma grande tragédia, é horrível. Os Assad são uns facínoras! A mortandade e a repressão têm de acabar!

O problema é que os Estados Unidos e Israel se calhar ganham alguma coisa com isso!

E depois que diferença faz entre morrerem milhares de sírios debaixo das bombas do seu próprio exército ou a tiro uns aos utros, minoria contra minoria.

Morte por morte então que os fascistas neoliberais, os sionistas e as monarquias teocráticas amigas por fascistas neoliberais não ganhem nada.

Perante a morte de um povo às mãos do seu próprio governo o Daniel Oliveira vem para aqui "carpir" a sua consciência dividida!

Se a Síria fosse aliada dos Estados Unidos contra o Irão ou se tudo isto se passasse na Jordânia, Daniel Oliveira teria vindo para aqui espumar raiva, exigir acção e criticar o veto americano no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
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