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A economia para lá do PIB

A Economia da Felicidade quer que o crescimento económico tenha em conta os níveis de bem-estar das pessoas. Há países onde já se fala "a sério" do assunto. Em Portugal, nasceu agora o primeiro "doutor felicidade".
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Quando chegou ao poder, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, avisou desde logo que, com ele, a economia devia encontrar uma forma eficaz de introduzir o conceito de felicidade na medição do PIB e na contabilidade nacional. Afinal, que importa ter uma economia a crescer, se os níveis de felicidade e bem-estar das populações diminuírem? Uma comissão foi nomeada, com o objectivo de encontrar instrumentos de medição do crescimento, que levassem em conta a qualidade de vida. Era uma espécie de "manifesto anti-PIB", há muito falado como uma fórmula incompleta, utilizada de forma injusta e desadequada para calibrar políticas públicas.

Joseph Stiglitz e Amartya Sen - dois prémios Nobel da Economia - encabeçaram a comissão e os resultados foram lançados por Sarkozy como um desafio para os parceiros europeus: o de alterar os parâmetros para medir indicadores económicos. Para a comissão, completa ainda por vários economistas de renome, aquilo que é fisicamente produzido (e que é já contabilizado pelo PIB), deve ter a mesma preponderância da felicidade, da sustentabilidade ambiental ou de uma distribuição equilibrada do rendimento.

Sarkozy leva os louros de ter sido o primeiro presidente de uma potência económica a falar seriamente do assunto. Ganha pela comissão prestigiada que escolheu. Pelo apoio técnico que conseguiu da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), onde os países mais ricos do mundo se integram. Mas, para já, conseguiu pouco mais do que isso (até porque as conclusões da comissão não foram tão fraturantes como se desejava).

O grande argumento contra a inclusão dos indicadores propostos pela comissão de Sarkozy é simples: como se pretende medir um indicador tão subjectivo como a felicidade?

Esta é, sem dúvida, uma "objeção de partida" para este assunto. Mas nada que lhe retire credibilidade: Os dados retirados da análise do bem-estar das pessoas "são suficientemente objectivos para serem tratados estatisticamente ou economicamente", garante Gabriel Leite Mota, o primeiro português a aventurar-se na área de Economia da Felicidade.  

O "doutor felicidade"


"Três ensaios sobre a felicidade na economia, explorando a utilidade de dados subjectivos do bem-estar para a análise económica do bem-estar." Este é o título da tese de doutoramento na qual trabalhou nos últimos seis anos.  Chegar a este tema foi relativamente simples: ainda no tempo da licenciatura, na Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), Gabriel Mota começou a aperceber-se de que, não raras vezes, o crescimento económico conduzia a um aumento da desigualdade entre as pessoas, e não, como a lógica primária indica, a um aumento do bem-estar. "Tradicionalmente, os economistas pensam que há uma relação forte entre crescimento e bem-estar, mas começaram a existir dados que, objectivamente, refutam essa ideia", explica.

Gabriel Mota insere-se na minoria dos economistas que não têm nos números a sua máxima religião. Para ele, a diferença entre crescer e desenvolver foi algo que esteve sempre bem presente. "Facilmente encontrava exemplos de casos em que o crescimento económico ou mesmo o desenvolvimento tecnológico não significavam um aumento do bem-estar das pessoas", afirma, enquanto lembra o alerta dado por vários economistas internacionais para que se encontrem alternativas ao PIB, como único instrumento para medir o estado de um país.

A tese do doutoramento que apresentou não é fraturante - tal como os prémios Nobel não conseguiram ser - mas, em Portugal, é um abrir de um mundo completamente novo, porque não há ninguém na área de economia doutorado no assunto (a propósito, explicou-nos, teve que apresentar "provas" de que o tema "economia da felicidade" era já internacionalmente relevante para conseguir a orientação de um docente do Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa).

Políticas portuguesas


Há uma pergunta prática que não podemos deixar de lançar: Estarão os políticos portugueses abertos a introduzir conceitos de Economia da Felicidade nas suas politicas? "Não sei, francamente não sei", responde-nos Gabriel Mota. "Estes indicadores correrão sempre o risco de não estarem alinhados com os interesses dos políticos", desenvolve. O interesse de ter na felicidade da população o seu objectivo principal. A verdade é que, mesmo que as políticas não sejam pensadas para a felicidade da população, poucos poderão ignorar as evidências que demonstram, em estudos feitos na área dos recursos humanos, que "as pessoas mais motivadas e mais felizes desempenham melhor as suas tarefas e têm mais produtividade, logo geram maior crescimento". A equação é simples e o raciocínio análogo pode ser aplicado ao país: "Se as pessoas estão mais felizes, produzem mais e temos maior crescimento económico", conclui o também docente da Universidade do Porto. E acrescenta: "Ao mesmo tempo, quanto maior for o crescimento, maior bem-estar teremos, porque pelo menos ao nível dos bens materiais estaremos mais satisfeitos".

O que já existe são rankings sobre os países mais felizes do mundo. Com algumas variações, a Dinamarca (e os países nórdicos de uma forma geral) é a campeã habitual, com Portugal a classificar-se medianamente (na casa dos trintas), o que faz "perspectivar um grande espaço para melhorias".

São vários os factores que influenciam o índice de bem-estar das pessoas. O rendimento auferido talvez surja à cabeça, mas a "vida familiar, a estabilidade no emprego, as possibilidades de evolução na carreira, o tempo de lazer e o bem-estar no trabalho" são também importantes. Alem disso, há provas de que um país com "instituições de qualidade e maior acesso à democracia" é um pais com cidadãos mais satisfeitos. No fundo é mais ou menos isto: "O equilibro entre o bem-estar material, laboral e familiar: dentro destas três variáveis estará grande parte do nosso bem-estar".

No que diz respeito à forma de usar estes indicadores - como o indicador mais importante ou como um dos indicadores, a ser usado em conjugação com outros - não há consensos entre os especialistas (e Gabriel Mota também não arrisca um lado). O caminho a percorrer no estudo em Economia da Felicidade parece ser mais longo do que o já percorrido. Mas Gabriel Mota tem uma convicção, em jeito de esperança: "À medida que a investigação cientifica avança, a transferência para a esfera politica também aumenta". Um dia, Portugal talvez fale "a sério" do assunto.  


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Sarkozy-pequeno em estatura,egoista na felicidade.
Sarkozy é um mau exemplo de felicidade da população: a expulsão dos ciganos romenos puseram a nú um presidente que é pequeno até na sua estatura.
Re: Sarkozy-pequeno em estatura,egoista na felicid
Re: Sarkozy-pequeno em estatura,egoista na felicid
Contra-mão!
Pois é Portugal deve andar em contramão, pois não só as poilíticas não têm em consideração a felicidade dos portugueses, como ainda são cirúrgicamente desenvolvidas para provocar a infelicidade.

PIB: - Produto Interno Bruto ou Provoca Infelicidade á Bruta!!!!!
FELICIDADE???
Chamaram???
- Bom dia! Cá estou eu.
(e, vou avisando que não admito homónimos no expresso, tá??!!!
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Edição Diária 17.Abr.2014

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