Os enfermeiros do sector público, guiados pelos seus excelsos sindicalistas, têm ocupado grande parte do espaço mediático com as suas "reivindicações". Exigem, como primeiro ordenado, 1200 euros. Porque são licenciados, dizem, e porque os outros licenciados recebem isso na administração pública, dizem, também. Como se o preço do trabalho fosse definido assim, na base do "também quero".
De qualquer modo, não me choca que atirem o barro à parede, a ver se cola. O que me choca é que, enquanto paralisam os serviços públicos de saúde durante os seus protestos, ao abrigo das extraordinárias leis que regulam estes "direitos", os senhores enfermeiros compõem verdadeiras campanhas de ódio contra qualquer um que não partilhe das ideias da classe. Foi o caso do Henrique Raposo, que escreveu um texto
sobre a "luta" dos enfermeiros portugueses e conseguiu que lhe fizessem um grupo no Facebook
, organizado por um enfermeiro, onde recebe ameaças sérias de tratamento precário caso recorra ao serviço público de saúde. Isto é grave, muito grave. Enquanto sociedade, já toleramos que os senhores enfermeiros não vão trabalhar à conta das suas reivindicações e ainda somos obrigados a tolerar ameaças desta estirpe.
O grupo do Facebook não se fica por aí: existe um mural onde enfermeiros e não enfermeiros cospem a sua bílis acumulada, existe um espaço de fotografias onde estas são alteradas a fim de apoucar o cronista, entre outros curiosos espinhos virtuais.
O mais impressionante disto tudo é que, já com centenas de participantes, este grupo ainda não tenha sido alvo de condenação por parte dos sindicatos e restantes apoiantes da causa, que enchem o peito de democracia quando não estão, claramente, a referir-se a ela, enquanto assobiam para o lado quando a vêem ser desta forma torpe atacada.