Anterior
Cidadão do Mundo - está presente dia 20 de Dezembro!
Seguinte
These are my people!
Página Inicial   >  Blogues  >  Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes  >   Á criança esquecida que foi morta e cujo nome não entrou na História

Á criança esquecida que foi morta e cujo nome não entrou na História

A propósito da Cerimónia de Evocação do Dia Internacional da Memória do Holocausto realizada, ontem, dia 27 de Janeiro, na Biblioteca da Assembleia da República decidimos, pela sua relevância, dar-vos a conhecer alguns extractos do discurso proferido pela Secretária Executiva do ITF - International Task Force, Ms. Kathrin Meyer.

|
“2 milhões de refugiados, provenientes das províncias de leste, chegam esgotados pelas estradas”
(Alemanha)
“2 milhões de refugiados, provenientes das províncias de leste, chegam esgotados pelas estradas” (Alemanha)  / Centro de Documentação e Informação – Diário de Notícias Dossier Mapas (1939-1945); pasta – campos de concentração

(...) Permitam-me começar com uma citação de Elie Wiesel: "Não transmitir uma experiência é traí-la." Relembrar o passado e os milhões de pessoas que pereceram no Holocausto é o mínimo que podemos fazer para honrar a sua experiência. A memória é o que devemos às vítimas, aos sobreviventes, aos libertadores e a nós próprios.

Entre 17 de Junho e 8 de Julho de 1940, Aristides de Sousa Mendes , Cônsul de Portugal em Bordéus, emitiu vistos de entrada a 30.000 judeus e outros refugiados em fuga de uma França ocupada pelos nazis. Em menos de três semanas conseguiu salvar o equivalente a uma cidade inteira da destruição quase certa. (...) Não exagero ao dizer que milhões de pessoas que hoje estão vivas devem a sua existência, de forma directa ou indirecta, a este homem corajoso que morreu indigente e em desgraça, punido pelo governo de Salazar por ter desobedecido à ordem directa de suspender a emissão de vistos a judeus refugiados. (...)

Eis a definição de um verdadeiro herói: um homem que desobedece ao seu próprio governo e que paga um elevado preço pessoal para fazer o que está certo - salvar pessoas inocentes da morte e do sofrimento. Esta é, também, a definição de um verdadeiro diplomata: alguém que usou o seu cargo influente para ajudar as pessoas a atravessar as fronteiras para a segurança no meio de uma guerra terrível. (...)

É, indubitavelmente, uma história encorajadora. A maioria das histórias do Holocausto não o é.

(...) O Holocausto - como conceito e como sistema - teve origem na mente dos homens. Não foi uma catástrofe natural. Foi uma catástrofe provocada pelo homem. O preconceito está a aumentar nos nossos próprios países, mas também noutros lados, tanto na esfera pública como nos bastidores. É justamente a este nível que a luta tem de ser travada.

Genocídios e crimes contra a humanidade continuam a ocorrer em muitos lugares do mundo. O conhecimento sobre as origens, os motivos e o significado do Holocausto é imprescindível para sensibilizar a opinião pública e mobilizar forças para fazer recuar essas tendências. (...)

Temos de ter sempre bem presente na nossa memória a fragilidade da vida humana e a vulnerabilidade das nossas sociedades. Temos de preservar a memória do Holocausto para a posteridade como uma lição sobre a falta de moral da humanidade. Fazemo-lo com a esperança de que possamos, de facto, aprender com os acontecimentos do passado. (...)

Gostaria de citar uma parte do discurso do Professor Yehuda Bauer, Presidente Honorário do ITF , proferido há exactamente cinco anos, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, no Dia Internacional da Memória do Holocausto : "Certamente, o Holocausto revela as profundezas da depravação humana, porém, nas suas margens, encontram-se os picos do sacrifício pessoal em prol dos outros. E isso mostra-nos que existe uma alternativa".

A nossa memória colectiva é o que define o nosso presente e futuro. Sem a memória do Holocausto, não conseguiremos construir sociedades democráticas e pluralistas nas quais a diversidade étnica, cultural e religiosa seja não só tolerada mas, também, respeitada e valorizada.

Devemo-lo ao sacrifício pessoal de Aristides de Sousa Mendes. (...) Devemo-lo á criança esquecida que foi morta e cujo nome não entrou na História. (...)"

Clique para visitar o museu
MUSEU VIRTUAL
ARISTIDES SOUSA MENDES

Opinião


Multimédia

Cheesecake com manjericão e doce de tomate

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Voámos num F-16

Um piloto da Força Aérea voou com uma câmara GoPro do Expresso e temos imagens inéditas e exclusivas para lhe mostrar num trabalho multimédia.

Salada de salmão com sorvete de manga

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Por faróis nunca dantes navegados

São a salvaguarda dos navegantes, a luz que tranquiliza o mar. Há 48 faróis em Portugal continental e nas ilhas. Este é um acontecimento único: todos os faróis e 1830 km de costa disponíveis num mesmo trabalho. Para entendê-los e vê-los, basta navegar neste artigo.

Parecem casulos onde gente hiberna à espera de ver terra

No Porto de Manaus não há barcos, mas autocarros bíblicos que caminham sobre água. Têm vários andares e estão cheios de camas de rede que parecem casulos onde homens, mulheres e crianças aguardam o destino. E há gente a vender o que houver e tiver de ser junto ao Porto. "Como há Copa, tem por aí muito gringo que vem ter com 'nóis'. E então fica mais fácil vender"

O adeus de Lobo Antunes às aulas de medicina

O neurocirurgião deu terça-feira a sua "Última Lição" no auditório do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na véspera de deixar o seu trabalho no serviço nacional de saúde.

Jaguar volta a fabricar desportivo dos anos 60

Até ao verão será fabricado um número limitado de desportivos Jaguar E-Type Lightweight, seguindo todas as especificações originais, incluindo a continuação do número de série das unidades produzidas em 1963.

"Naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas"

Mais do que uma manifestação, o 'primeiro' 1º de Maio é recordado como a grande festa da Revolução dos Cravos, quando o povo saiu às ruas em massa e a união das esquerdas era um sonho possível. "O 1º de Maio seria mais uma primeira coisa, porque naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas." Foi há 40 anos.

Este trabalho não foi visado por qualquer comissão de censura

Aquilo que hoje é uma expressão anacrónica estava em relevo na primeira página do "República", a 25 de Abril de 1974: "Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura". Quarenta anos depois da Revolução, veja os jornais, ouça os sons e compreenda como decorreu o "dia inicial inteiro e limpo", como lhe chamou Sophia. O Expresso falou ainda com cinco gerações de 40 anos e percorreu a "geografia" das Ruas 25 de Abril de todo o país, falando com quem lá mora. Veja a reportagem multimédia.


Comentários 0 Comentar

Últimas


Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador
PUBLICIDADE

Pub