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A bolsa ou o seu bolso

A isenção fiscal às mais-valias bolsistas é um tabu que já fez cair um secretário de Estado.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
10:34 Terça feira, 26 de janeiro de 2010

Foi há uma década que o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Sá Fernandes, propôs no seu pacote fiscal a tributação das mais-valias bolsistas. O argumento era simples: se a produção paga imposto, se o trabalho paga imposto, se todas as actividades comerciais pagam imposto, se as doações pagam imposto, se a venda de imóveis paga imposto, como raio se justifica que o lucro conseguido pela venda de acções não as pague?

A ameaça veio rápida: Belmiro de Azevedo prometeu debandar para a bolsa holandesa. Ninguém acreditou, mas não foi preciso esperar muito. Uma desculpa mal amanhada - uma frase qualquer sobre o caso Camarate em que Sá Fernandes fora advogado das famílias das vítimas - serviu para mandar borda fora o incómodo secretário de Estado. O pacote fiscal morreu ali e com ele a proposta de acabar com esta excepção difícil de explicar com qualquer argumento moral, económico ou fiscal.

Depois veio o Orçamento Limiano e o pântano e Guterres partiu. Durão Barroso chegou a São Bento e a excepção manteve-se. Um tabu manteve-se intocável, mesmo quando o combate ao défice se dizia desígnio nacional. Sempre que foi ao Parlamento morreu às mãos da maioria.

Voltou o PS. Passaram-se quatro anos. O défice afinal ainda era incomportável. Todos tinham de se sacrificar um pouco. Todos? Não. As mais-valias para acções compradas há mais de um ano continuaram e continuam isentas de qualquer imposto. Nada. Zero. Mesmo sabendo-se que em quase toda a Europa e nos Estados Unidos elas são, como é evidente, tributadas. Que restam poucos países civilizados para onde Belmiro partir. Que só no último ano os 16 principais investidores viram os seus títulos valorizados em 5,3 mil milhões de euros. E que se vendessem o que têm nem um tostão do seu lucro pagaria imposto. E ainda assim nem uma agulha buliu num Estado que teima em financiar-se quase exclusivamente através do esforço dos que trabalham.

Nas últimas eleições o PS voltou a pôr, como ornamento, esta proposta no seu programa eleitoral. Ontem, no programa "Prós e Contras" da RTP, Jorge Lacão confessou, sem se esforçar muito com argumentos aceitáveis, que ainda não é desta. Que é preciso combater o défice, sim. Que todos têm de ajudar, claro. Que por isso não se pode acabar com o Pagamento Especial por Conta, evidentemente. Mas que assustar a bolsa com uma medida que existe em quase toda a Europa é que não pode ser. A bolsa que teve o seu melhor ano dos últimos doze em 2009 é sensível a qualquer contrariedade.

Talvez no dia em que as galinhas tenham dentes o lucro do jogo bolsista se junte ao trabalho, à agricultura, ao comércio, à produção para ajudar às contas públicas. Talvez nessa altura também a banca, que está muitíssimo bem e recomenda-se, pague tanto de IRC como o resto das empresas. Mas isso será na altura em que os nossos governantes peçam realmente sacrifícios a todos. Que palavras como "rigor" e "responsabilidade" queiram realmente dizer alguma coisa.

Até lá, caro leitor, saiba que o seu trabalho, taxado sem apelo nem agravo ao fim de cada mês, tem menos dignidade para o Estado do que a compra e venda acções. A si, não se importa o governo de contrariar. Afinal de contas, dificilmente fará cair um secretário de Estado com a ameaça de abalar para a Holanda.

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Atenção....
Bairrada Vigilante (seguir utilizador), 2 pontos , 12:14 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
.... que o assunto não é tão "líquido" quanto parece, como segue:

- No caso de tributação de mais-valias com aplicações de longo-prazo (nos ganhos de curto-prazo já existe) quem garantirá que os grandes investidores em Bolsa não o façam sediados em "outras praças" e, desse modo, o Estado Português nada apanhará;

- E será tão justo quanto parece? Quanto se registam menos-valias elevadas, como é? O Estado devolve o imposto?

é evidente que se justificará fazer qualquer coisa mas, comparar com redimentos de trabalho ou outros que são sempre positivos é um profundo DISPARATE.

Aliás de militante (ou ex) do BE não se poderia esperar outra coisa.....

 
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    Re: Atenção...A CEGUEIRA DO DANIEL.    Ver comentário
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 1 ponto , 14:50 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
O "package". Mistificações ideológicas e demagogia
PIANINHO (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 15:39 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
Colocar Daniel Oliveira como cronista assíduo do Expresso deve ter por intenção, fazer o contraponto político com Henrique Raposo, que escreve artigos diariamente.

Acho que os comentaristas deste espaço, vão ter a oportunidade de ficar confusos, ao lerem os textos
destes 2 senhores, porque os conteúdos tem o claro propósito de mistificar as ideologias, das extremas esquerda/direita que eles no íntimo se querem situar no espectro político nacional, porém, só para baralhar os incautos, escrevem sobre notícias ou factos políticos, nas antípodas do seu próprio pensamento.

A confusão que suscita ao ler D.O. comparando o seu artigo de ontem sobre os cursos de ética que a TAP proporcionou aos trabalhadores, incluindo os pilotos que no Facebook falaram em espaço aberto a todos, pondo em cheque a sua entidade patronal, salvo erro, pelos excelsos privilégios que “perderam”, “coitados” por serem colocados ao nível dos restantes trabalhadores.

D.O. resolveu ser solidário com os pilotos muito ofendidos, classe tão “desprotegida“.

Este tipo de posição num militante “esquerdista” é uma ofensa aos direitos dos trabalhadores em geral.

Hoje, inverte a agulha política e ataca todos os governos por não terem ainda tributado as mais valias em bolsa, que até está incluído no Programa Eleitoral 1910-1913 do PS, só que não foi previsto por em prática, já em 2010.
Esta escolha do Expresso, a que tem todo o direito, passou haver mais um demagogo, pseudo ideólogo do BE.

 
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´Há heróis que dão prejuízo.
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 10:55 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
Sá Fernandes é um mau exemplo e há heróis que só dão prejuízo.Não se pode brincar com a sopa do Povo.
 
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Tomates
Samm (seguir utilizador), 1 ponto , 11:16 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
Os equilibrios orçamentais são atingidos, sucessivamente, pelo aumento dos impostos da classe média, até à absoluta saturação e exaustão desta, e pelo congelamento dos ordenados da função pública (que servem de base para os aumentos no sector privado).
A fórmula mágica tem sido o investimento público, vulgo auto-estradas, e centros comerciais, onde se estimula o consumo (de produtos importados) e onde se criam centenas de trabalhos (precários e mal pagos).

Não há governo com "tomates" para taxar as transações bolsistas, que nada produzem e que apenas enriquecem uma ínfima parte da população?

Será que este país de bananas vai ficar eternamente refém dos Belmiros e das suas ameaças?
 
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Enquanto
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 11:19 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
pensarmos que " está tudo bem" , " eles que se amanhem" , "quero lá saber, eu nem vou à bolsa" , " lá está o gajo a chatear" , etc, etc, não há cravos nem rosas que nos tirem desta piolheira do poder politico e das mentalidades que o deixam ser como é.
É óbvio que Daniel Oliveira tem razão. E se toda a gente percebesse o inacreditável da questão, isto resolvia-se. Aliás, já se tinha resolvido !
 
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Belmiro
George Rupp (seguir utilizador), 1 ponto , 11:56 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
Concordo com o cronista que não há justificação possível para se continuar a não tributar as mais-valias bolsistas. O Belmiro seguramente não debandará por causa disso. Temos de ter alguma paciência com um empresário que dá trabalho a dezenas de milhares de pessoas.
 
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Porque acabou o capitalismo popular?
roze (seguir utilizador), 1 ponto , 12:13 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
porque os papalvos foram burlados! Será que os milhões que o governo vai sacar à bolsa caeêm do céu?
 
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Porque....
James F. (seguir utilizador), 1 ponto , 12:20 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
(usando uma linguagem mais "comum") Porque o pessoal com mais graveto investe nesse campo e convém não ter custos ao ganho....
Realmente, até podia ser algo rever, mas em todas as mais valias e juros que são ganhos. O imposto sobre o juro é de acordo com a antiguidade da aplicação 20, 16 e 8% para as aplicações a curto, médio e longo prazo respectivamente. Porque não se baixam estas taxas e coloca-se o mesmo tipo de escala às acções? Esta medida seria uma pequena forma para ajudar a estabilizar a volutilidade do mercado de acções por sua vez dimínuia a especulação, também aumentaria a supervisão de activos aplicados a longo prazo. Também, devido à crise em que nos encontramos e com as taxas baixas que são utilizadas nas aplicações a curto o prazo, o que se ganha é ridículo e além disso ainda temos 20% a descontar sobre o ridículo o que dá um resultado irrisoriamente ridículo. Se "dividissemos os males pelas aldeias" existia um aumento nas receitas dos impostos e aumentava-se o incentivo às aplicações a curto prazo.
Como não dá jeito ao "pessoal do graveto" que podem investir mais facilmente em acções e têm acesso a informação privilegiada, o imposto sobre mais valias aplicadas a mais de um ano em acções não é rentável.... vá-se lá saber por quê....
 
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Eu abalei
userEX50677 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:08 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
para a Holanda e foi o melhor que fiz.

Este Portugal já não é o meu pais. É pena, que sinto falta do solinho, mas solinho passo sem ele, não passo é sem comidinha e sem dinheiro para a renda de casa.

Cumprimentos da terra das tulipa
 
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É preciso é sacar mais... e que tal gastar menos
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:14 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
DO acha que se descobrissem petróleo no nosso País e hipoteticamente iniciasse de imediato a produção os nossos problemas se resolviam?

Na minha opinião, não.

Por acaso já foi explicado onde foram aplicados os milhares de milhões de Euros com que nos endividamos nos últimos anos?

Escusa de tentar encher uma vasilha que está rota.

DO pensa que faça o que se fizer tudo continua na mesma:

- Toda a gente põe o dinheiro no Banco, aí DO acha que basta ter acesso às contas bancárias para se chegar ao "ladrão". Esquece-se que quando houver acesso, o "ladrão" deixa de lá estar.

- Se as empresas cotadas, verificarem ter melhores condições noutras Praças, é de esperar - desde que legal - que se mudem.

DO devia olhar para a Venezuela e verificar como um "Estado-Chavez" vai conseguir pôr o País na falência. E não é por faltar entrada de dinheiro.

Sei que tudo o que Chavez faz, é em nome de políticas de esquerda e por isso é normal que, para Daniel Oliveira isto seja um exemplo reaccionário.
 
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A bolsa ou a vida, na versão esquerdalhosa
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 14:51 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
Vamos supor alguém que comprou um apartamento em 1989 e o vendeu em 2007, em alta, para comprar outro.
Fez uma elevada mais valia, sobre a qual pagou um imposto. O apartamento que comprou em 2007 teve de ser vendido em 2009, para evitar males maiores. Fez uma elevada menos valia, a que ninguém acudiu, para além de ter pago à cabeça o roubo chamado IMT na compra do apartamento. Aqui está a equidade fiscal do Estado.
Rouba na alta, não compensa na baixa.
As acções? Bom, por aqui se vê o simplismo d a esquerda, já não é não perceber nada de economia, é não perceber nada da vida: a maioria das instituições que se dedicam à compra e venda de acções, seja através de fundos, em regime de short selling, futuros, derivados ou o que seja, e faz lucros, paga imposto sobre esses lucros. Portanto, as mais valias, que compensam com as menos valias (certo?), pagam imposto.
Só os particulares que compram ou detêm acções, é que pagariam um novo imposto. Sobre quê? Sobre as mais valias, ora pois, diz o Bloco. Isso. E as menos valias, digo eu?
Assumindo que os particulares investem em títulos mobiliários a sua poupança de rendimentos que já foram tributados e que o investimento na bolsa só é rentável a longo prazo, salvo especulações súbitas, que existe um alto risco nessas aplicações, o que a esquerda propõe é que se tribute duas vezes o rendimento e o resultado do risco. Bom incentivo à poupança, não haja dúvidas. Quando se perde, é um casino. Quando se ganha, é especulação. Ora, adeus.
 
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    Re: A bolsa ou a vida, na versão esquerdalhosa    Ver comentário
Daniel Oliveira (seguir utilizador), 1 ponto , 15:32 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
    É simples    Ver comentário
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 18:52 | Quinta feira, 28 de janeiro de 2010
Não é aceitável
1963777 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:59 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
O equilíbrio das contas públicas é necessário, mas não pode ser feito à custa da sobrecarga sucessiva dos que trabalham e descontam o que é devido. O que o governo devia perceber é que já não será minimamente aceitável colocar a hipótese de aumentar a carga fiscal aos mesmos de sempre, quando trata com tanta benevolência e subserviência as mais valias chorudas resultantes da actividade bancária e da especulação bolsista. Espero que, se tal acontecer, os portugueses se mobilizem e manifestem nas ruas.
 
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Daniel de Oliveira
ERA 2009 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:11 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
Este cavalheiro não é o mesmo do Eixo do Mal ?
Então, estámos conversados.
 
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D.O.
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:34 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
É a justa democracia Portuguesa, e não vale a pena comentar mais nada.
 
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- Equidade contributiva -
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 20:24 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010

Aprecio muito o artigo do cronista. Já são muitos os que não pagam os impostos com a evasão fiscal, portanto todas as vezes que um lucro é acertado deve ser ao mesmo tempo tributado senão o principio da igualdade contributiva vai por agua abaixo. Desde que a sociedade seja formada de pessoas, que têm que contribuir as necessidades de cada cidadão em relação aos seus próprios bens, qualquer forma de desvio de este dever social e civil é condenável moralmente e inaceitável. Então o Estado deve encontrar remédio imediato para aplicar a Justiça.

António
 
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