25 de maio de 2013 às 9:34
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À beira do abismo

O caso Freeport acrescentou à crise económica e social uma dimensão insuportável. Que me lembre é a primeira vez depois do 25 de Abril que um primeiro-ministro aparece nos jornais envolvido directamente numa suspeita de corrupção. Por mais que se tente atribuir tal facto a manobras políticas de bastidores a verdade é que este caso assume uma gravidade sem precedentes. Seria assim em qualquer circunstância, piora muito dada a delicada situação em que o país e o mundo se encontram. Há três semanas que o assunto está no topo da agenda mediática, minando a autoridade do primeiro-ministro.

De todas as incomodidades colocadas pelo caso Freeport a actuação da justiça é uma das que mais perplexidades suscitam. A uma já crónica lentidão, de que já só se fala quando se constata, soma-se neste caso, por parte da Procuradoria-Geral da República, um comportamento errático, incompreensível e constrangedor na componente comunicacional.

Há três semanas a Procuradoria achou por bem interromper o descanso semanal para desmentir um semanário. Na semana seguinte repetiu a dose, nada acrescentado de novo ao que tinha dito na semana anterior. Esta semana, a procuradora Cândida Almeida, titular da investigação, afirmou que, no caso Freeport, "não há arguidos nem suspeitos". Isto é verdadeiramente extraordinário!

Não sou jurista, por isso não posso garantir que tecnicamente a senhora procuradora não tenha razão. Mas qualquer cidadão perguntará como é que a investigação desencadeia buscas em vários sítios, inclusive num dos mais importante escritórios de advogados do país, se não há suspeitos? Ou será que, em casos de corrupção, pode haver situações suspeitas sem que essa suspeição envolva pessoas? Seria estranho, eventualmente impossível, mas que sabemos nós destas subtilezas, que tanto nos baralham?

Sabemos pouco. Como não sabemos como foi possível este processo estar tanto tempo parado, ou quem é que está verdadeiramente a actuar, se é a investigação portuguesa ou a inglesa. O que nos remete para esta terrível dúvida sobre a eficácia da justiça em Portugal, reiteradamente posta em causa em situações que envolvem figuras públicas.
Uma democracia em que a justiça não funciona, ou funciona com agendas externas, é uma democracia doente. Neste caso e neste contexto coloca-nos à beira do abismo.

Luís Marques

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A ribalta mediática dos senhores juizes
A prestação da Dra Cândida Almeida na TV foi um misto de contradições, ambiguidades e actos falhados. Encarregada pelo Governo de acalmar a opinião pública acabou por não estar à altura da encomenda, tendo mesmo desvendado o nome de um suspeito - o tio de Sócrates.
Tratando-se como se trata de um caso de grande melindre político, teria sido certamente melhor ter resistido à sedução das luzes da ribalta e dar prova do que é a prática do segredo de justiça...
Quanto à questão da suspeição, os abundantes dados fornecidos pelos ingleses e pelos emails difundidos, assim como as notícias divulgadas a conta gotas pelos media sobre a situação dos familiares do PM deixam antever a descoberta provável de uma grande teia de interesses pessoais e partidários.
Estamos em queda
A situação criada com o chamado caso Freeport, não nos colocou à beira do abismo, empurrou-nos para lá. Considerando os envolvidos e os cargos políticos que exercem, dos seus pares esperava-se uma intervenção critica e politicamente responsabilizadora, aos próprios suspeitos, ou não, seria exigível que retirassem as devidas ilações e não se agarrassem ao poder. Todavia, nada disto acontece, porque todos tem rabos de palha, todos licenciaram à última hora coisas em governos de gestão, todos, com rarissímas excepções, estão-se marimbando para a causa pública. Olham aos seus interesses pessoais, enriquecem não se sabe bem como, pagam em notas e a pronto e os cidadãos que se amolem. Nestes quase trinta e cinco anos de democracia, contem-se aqueles que por via do exercício da política, enriqueceram de um dia para o outro, sem se saber como, ou melhor sabe-se e quais foram as consequências, nenhumas, ou melhor, foram atirados para cima, para novos cargos, para novas formas de enriquecimento ilegítimo. Em Portugal legisla-se para branquear os "desvios" dos poderosos e ninguém paga por isso. Usam-se todos os tipos de artimanhas para defender o que não tem defesa, as instituições saem à rua em defesa do indefensável, sem vergonha, nem pudor. O caso Freeport serviu para perceber que em Portugal os cidadãos honestos, que não são suspeitos do que quer que seja, podem ser buscados, violentamente buscados na maior das impunidades, isto segundo a PGR e a sua "mulher de mão" Drª.C. Almeida.
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