A barraca dos espelhos
Neste verão de férias com sol e chuva, tive o tempo de uma noitada entre farturas e algodão doce, numa festa de foguetes, cheiros e falares mistos. Tão modesta, tão modesta, que mostrava a riqueza de coisas que, há tanto tempo!, sempre pela mão, as conheci. E lá estavam o tiro com setas que ganhava a boneca, o derrube das latas, os carrinhos elétricos, o túnel dos fantasmas, a barraca dos espelhos.
Lembram-se desse espaço onde nada acontecia até nos aproximarmos de retângulos mágicos, ficando cada vez mais estranhos às figuras irreconhecíveis de nós próprios? E do riso dos magros que se viam no ridículo da figura gorda, e do riso dos gordos que se viam no sonho da figura esbelta?
Não pude deixar de me lembrar dos estranhos alferes que, Hoje, com a coragem que o medo lhes pega, clamam "Tributem-nos". Ou seja, assim o entendo, é preciso controlar a dívida, sustentá-la se tal necessário, pois é ela que os enriquece. Seja essa a forma de evitar a sua implosão!
Mas há sempre os que se tentam em escapar ao custo deste controlo solidário. E lá procuram a barraca dos espelhos, onde escolhem a magia que lhes transforma a gorda barriga e se anunciam na seca figura de um mero trabalhador.




