20 de junho de 2013 às 0:28
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A barraca dos espelhos

Maria Luísa Vasconcelos, Professora da Universidade Fernando Pessoa

Neste verão de férias com sol e chuva, tive o tempo de uma noitada entre farturas e algodão doce, numa festa de foguetes, cheiros e falares mistos. Tão modesta, tão modesta, que mostrava a riqueza de coisas que, há tanto tempo!, sempre pela mão, as conheci. E lá estavam o tiro com setas que ganhava a boneca, o derrube das latas, os carrinhos elétricos, o túnel dos fantasmas, a barraca dos espelhos.

Lembram-se desse espaço onde nada acontecia até nos aproximarmos de retângulos mágicos, ficando cada vez mais estranhos às figuras irreconhecíveis de nós próprios? E do riso dos magros que se viam no ridículo da figura gorda, e do riso dos gordos que se viam no sonho da figura esbelta?

Não pude deixar de me lembrar dos estranhos alferes que, Hoje, com a coragem que o medo lhes pega, clamam "Tributem-nos". Ou seja, assim o entendo, é preciso controlar a dívida, sustentá-la se tal necessário, pois é ela que os enriquece. Seja essa a forma de evitar a sua implosão!

Mas há sempre os que se tentam em escapar ao custo deste controlo solidário. E lá procuram a barraca dos espelhos, onde escolhem a magia que lhes transforma a gorda barriga e se anunciam na seca figura de um mero trabalhador.


Clique na imagem para visitar o site da Universidade Fernando Pessoa




Nota
Este texto é da inteira responsabilidade do autor e da entidade representada.

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