A Autoeuropa vai fazer greve? Duvido
Na greve geral do ano passado, tivemos um episódio cómico e revelador de duas marcas típicas deste nosso Portugalinho. Em primeiro lugar, o tal episódio revelou a falência total deste sindicalismo à la Carvalho da Silva, o sindicalismo mais reacionário da Europa e arredores; em segundo lugar, mostrou a complacência dos média ante este sindicalismo envelhecido. Mas que episódio foi esse, ó reacionário d'uma figa? Calma, que eu explico já. Na abertura da greve, Carvalho da Silva e, se não me engano, Jerónimo de Sousa colocaram-se à porta da Autoeuropa; com esta atitude, a dupla Jerónimo & Silva queria mostrar que a maior fábrica do país, ora essa, estava com os sindicatos . Mas sabem qual foi a percentagem de adesão dos trabalhadores da Autoeuropa? Apenas 9% (tal como foi comunicado pela empresa). Como é óbvio, as televisões, que filmaram o show da dupla comunista, não reportaram esta fraca adesão.
Mas, agora, a pergunta que interessa é só uma: por que razão os trabalhadores da Autoeuropa não-estão-nem-aí para a CGTP? Bom, porque a Autoeuropa está organizada de acordo com princípios de flexibilidade laboral, os tais princípios que são diabolizados pela CGTP. E isso só foi possível graças à inteligência da Comissão de Trabalhadores daquela casa, que nunca foi na cantiga reacionária dos sindicatos. Recusando a lógica de confronto, recusando a ideia de que o patrão é um ser pestífero, esta Comissão conseguiu criar um clima de entendimento com a Administração. E, nesse clima, trabalhadores e administradores negociaram um ponto fundamental para a competitividade da Autoeuropa: a flexibilidade do horário laboral (o "banco de horas"). Isto revela que esta Comissão está consciente de que uma fábrica - em 2011- necessita de músculos flexíveis, pois só assim pode produzir para os mercados externos, pois só assim pode captar mais modelos para as suas linhas de produção.
Resultados deste clima laboral sem guerrilha? Um aumento de produção na casa dos 50% e, em consequência, um aumento dos salários em 2011 e 2012. Eis o resultado de uma Comissão que está mesmo preocupada com os trabalhadores, eis o fruto de uma Comissão que coloca os interesses dos trabalhadores à frente dos interesses do PCP e da CGTP. Não é por acaso que comunistas e sindicalistas detestam o próprio conceito de comissão de trabalhadores.


