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"A Argélia não está imune à Primavera Árabe"

Argélia celebrou, na quinta-feira, o 50º aniversário da independência. Em entrevista ao Expresso, Catarina Mendes Leal, autora do livro "Magrebe, Islamismo e a relação energética de Portugal" refere que "a grande incerteza será após a saída de cena do Presidente Bouteflika".
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'A Argélia não está imune à Primavera Árabe'

A Argélia está imune à Primavera Árabe?

Não. As revoltas árabes e as mudanças de governo no Norte de África, cuja dinâmica política futura vai ser fortemente influenciada pelas dinâmicas de conflito no Golfo Pérsico e no Levante, com risco de transformar o Mediterrâneo numa região muito mais instável e turbulenta, fazem com que nenhum país da área esteja imune.

Mas recorde-se que os regimes políticos árabes, em geral, e os do Magrebe, em particular, conseguiram durante a década anterior manter o controlo exclusivo sobre as alavancas essenciais do poder nas mãos de um pequeno grupo.

Com efeito, a título ilustrativo, a concentração do poder de decisão está organizada em torno da "Casa Real" (Marrocos), da "Casa Militar" (Argélia) e esteve, até ao início de 2011, em torno da  "Casa Presidencial" (Tunísia). E, se é certo que nessa década consentiram uma pequena abertura eleitoral, a qual foi bastante limitada, interditaram qualquer veleidade contestatária por parte das forças sociais.

Não obstante, há que sublinhar que, em termos de repressão e de utilização da violência, não se manifestaram com a mesma intensidade no "Estado-Makhzen" (Marrocos), no "Estado-Exército" (Argélia) ou no "Estado-Polícia" (Tunísia).

Em suma, a Argélia (à semelhança dos países desta área) apresenta, por um lado, uma série de deficiências no seu funcionamento politico-institucional, incluindo falta de participação política e repressão dos grupos de oposição. Por outro, regista uma acumulação de tensões sociais crescentes que têm a sua base no desequilíbrio demográfico, o qual combinado com problemas estruturais económicos, conduziu a elevadas taxas de desemprego entre as camadas mais jovens. Paralelamente, há um conflito de valores entre as elites de influência ocidental (sobretudo francófona) e a maioria da população.

O resultado obtido pela Aliança Argélia Verde (coligação islamita) nas legislativas de 10 de maio, aquém das expectativas, numa altura em que no contexto da Primavera Árabe partidos islamitas estão a subir ao poder, significa que a Argélia teme a repetição do cenário de 1991 (quando a FIS salafita venceu as legislativas, que foram anuladas pela cúpula militar)?

A vitória da Frente de Libertação Nacional (FLN) acaba por ser um reflexo da gestão efetuada pelo regime (Casa Militar/Estado-Exercíto) em relação à Primavera Árabe. Apesar do descontentamento acentuado manifestado pela população no início desta Primavera Árabe, a implementação de determinadas medidas a nível interno acabaram por atenuar e mitigar a propagação desse tipo de manifestações.

Olhando para os resultados eleitorais, pouco mudou no Governo da Argélia: a FLN e o União Nacional Democrática (RND) continuam a deter a liderança. O Movimento da Sociedade para a Paz (MSP, partido islamita e que fez parte dos governos de coligação - Aliança Presidencial - desde 2007 até ao final de 2011) juntou-se na Aliança Argélia Verde (AAV) aos outros dois partidos de base islamista - El Islah (a Reforma) e ao Ennahda (Renascença), desempenhando agora um papel de oposição, mas continuando no Parlamento.

Enquanto houver uma manutenção do status quo do atual poder argelino, o cenário de 1991 não poderá ter lugar. A grande incerteza será em torno da evolução da Argélia após a saída de cena do atual Presidente Bouteflika.

A dependência energética de Portugal em relação à Argélia pode ser um fator de vulnerabilidade para o nosso país, na eventualidade da Argélia vir a ser palco de uma transformação política semelhante à que aconteceu nos vizinhos Tunísia, Egito e Líbia?

A dependência energética de Portugal em relação à Argélia deve ser analisada individualmente a nível de petróleo e de gás natural. Em relação ao petróleo, Portugal importa de mais de uma dúzia de países. E apesar da Argélia ter um peso importante (oscilando entre 8% e 12%, consoante os anos), não está na dependência da Argélia (tem opções).

Em relação ao gás natural, a situação é diferente pois quase metade do nosso gás natural vem da Argélia (via gasoduto) e a outra metade vem da Nigéria (país que também apresenta grandes vulnerabilidades).

No Magrebe, o reforço dos movimentos islamistas começou no final dos anos 1970 (resultado de uma conjugação de fatores: crise nos respetivos modelos pós-coloniais de desenvolvimento em ligação com desenvolvimentos internacionais específicos). O avanço do Islão político foi encarado e "tratado" de forma diferente pelos países da área, tendo em consideração que os partidos islamitas não só representam grande parte da população argelina (bem como Marrocos), como também demonstram um grande interesse em reformas da lei, boa governança e democracia.

Estes partidos islamistas que têm participado no processo político têm-se tornado mais pragmáticos e estão dispostos a estabelecerem compromissos desde que passaram a estar numa posição em que podem perder o estatuto e a influência e têm sido forçados a lidar com os problemas políticos reais.

Não me parece que a integração do Islão político moderado venha a ser um foco de instabilidade para os respetivos Estados e para as relações com os outros Estados que ameace o abastecimento energético a Portugal. Pode sim haver lugar ao endurecimento negocial por parte dos Governos locais.

Num cenário extremo, poderia assistir-se a um reforço dos grupos terroristas da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) que se aventurassem a atacar infraestruturas energéticas chave, na Argélia ou que partam dela.







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Excelente entrevista
Excelente entrevista. Quer da parte da entrevistadora quer da entrevistada.

Onde posso comprar o livro que referem? Alguém me sabe dizer?

Cumprimentos,

António

oreivaivestido.blogspot.pt
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