23 de abril de 2014 às 23:57
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A amarga vitória do revogável Portas

Daniel Oliveira

Não sei, nem me parece especialmente relevante, se todo o circo montado por Paulo Portas tinha como objetivo este final. Se tinha, o seu cinismo e maquiavelismo ultrapassa ainda mais o que já se supunha. Se não tinha, a sua inconsequência e imponderação eram um segredo bem guardado. A verdade é esta: toda a encenação resultou num extraordinário reforço do CDS no governo.

Paulo Portas fica com a coordenação da economia, o que terá de incluir o dinheiro do QREN - única fonte de financiamento público que sobra para o investimento -, com as negociações com a troika - o verdadeiro Ministério das Finanças - e ainda a suposta reforma de Estado - que corresponde, basicamente, aos cortes de despesa pública. Fica com o deve e com haver. Será, basicamente, na companhia do novo ministro da Economia do CDS, o novo primeiro-ministro.

Esta sua nova posição levanta dois problemas ao governo. Nenhuma coligação pode ser realmente dirigida pelo seu partido mais fraco. Um país não pode ser dirigido por alguém que nem 12% dos votos conseguiu. Trata-se de um subversão democrática que duvido que o PSD suporte por muito tempo. E, apesar de ter reforçado a sua posição interna na coligação e, por isso, no próprio CDS, Paulo Portas saiu muito fragilizado, junto da opinião pública, em todo este processo. A imagem de irresponsabilidade e oportunismo passou a estar colada à sua figura de forma, essa si, irrevogável.

Tudo isto seria resolvido se Portas conseguisse cedências extraordinárias da troika, uma reforma do Estado aceitável pelos parceiros sociais e uma política económica que contrariasse a espiral recessiva em que vivemos. Ou seja, se Paulo Portas conseguisse não um, não dois, mais três milagres em simultâneo. Eu, homem de pouca fé, duvido. Caso contrário, Portas será o novo Gaspar: o bode expiatório de todas as desgraças. Com a diferença de ter, ao contrário do "finado" ministro, de segurar o reduzido eleitorado do CDS.

Não tenho dúvidas que Portas tentará fazer uso do seu talento para transformar pequenas conquistas simbólicas em enormes sinais de mudança. Isso funcionava quando era ministro da Defesa ou dos Negócios Estrangeiros. Agora são coisas palpáveis e um pouco mais relevantes que estão em causa. E ele deixará de poder estar com um pé dentro e outro fora do governo. Deixará de poder culpar Gaspar ou Passos por cada desastre. E isto em vésperas da 8ª avaliação, que vem com propostas lunáticas da troika (como a redução do salário mínimo para jovens) e uma realidade cada vez mais distante da prometida recuperação. E isto num governo que é uma ruína e em que nenhum português, depois da semana que passou, alguma vez voltará a acreditar. E isto com ministros do PSD, a começar pelo primeiro-ministro formal, a querer minar um pouco mais a sua credibilidade.

Esta é a única vitória de Passos Coelho: Portas terá, finalmente, de dividir com ele os espinhosa coroa de todas as derrotas e desgraças. Sim, Passos afunda-se. Mas sabe que levará Portas com ele. O País ganha alguma coisa com isto? Nada. Tem um governo mais desacreditado no interior e mais fraco para o exterior.

Esta vitória de Portas é uma derrota de todos. É a imagem acabada da degradação de um governo, de um programa de "ajustamento" (em que já nem o FMI se revê mas que, como de costume, os seus funcionários continuarão a aplicar com notável zelo) e, temo, da própria democracia. Tudo porque o País não pode aguentar a instabilidade que provocariam eleições. Como se pudesse haver situação mais instável do que esta.

Comentários 61 Comentar
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Análises
No geral, há que concordar. Faltarão alguns elementos do foro privado, no relacionamento entre Passos e Portas, ódios e desprezos prováveis, que nos ajudariam a perceber a novela.
Muito oportuna a referência ao incómodo que essa menorização trará ao PSD, com consequências a curto prazo, nomeadamente no acesso a esse micro pote europeu.
Um dia saberemos o que levou Passos a um tão grande passo atrás. Ou incapacidade de largar o poder, ou convicção de que se trataria da melhor solução.

DO omite, por conveniência própria, a desconfiança generalizada na opção eleições. Desde o eleitorado nacional, passando por essas estâncias internacionais e acabando em Cavaco, ninguém acredita que Seguro e a sua não-equipa tenham engenho e arte para evitar o descalabro.
Esse tem sido o factor limitativo da acção de Cavaco, que aguentará este moribundo governo, à falta de alternativa credível.
Está confrontado entre o mau e o muito mau.........
PS,PCP e Bloco, que se coliguem! Ver comentário
Manif na Fonte Luminosa... Ver comentário
DO tem razão no essencial...
Chega ao fim, e deixa de ter.
Não é a "instabilidade" o maior problema que adviria de novas eleições. O maior problema é que estas dariam a maioria ao PS, não por qualquer mérito deste partido, mas simplesmente por oposição ao governo actual e à palhaçada política da última semana.
Ora, AJS é um Passos Coelho em pior... Consegue ser mais burro, mais insignificante, mais inútil... Enfim, uma desgraça ainda maior.
Acha realmente que o país ganhava alguma coisa com isso? Valeria a pena a tal "instabilidade" para entregar o governo a Seguro? Se calhar não...
desgraça maior é difícil Ver comentário
... Ver comentário
É um facto! Ver comentário
Aqui não há a presunção de inocência Ver comentário
Deus me livre... Ver comentário
Presunção de inocência Ver comentário
Depois dos submarinos...
... o dinheiro do QREN. Ora, quem parte e reparte...
... já se sabe o resto.

Eles sabem muito!

É como digo: não se aproveita um!
Algo de Bom:
1-"Esta vitória de Portas é uma derrota de todos."
2-"o seu cinismo e maquiavelismo ultrapassa ainda mais o que já se supunha."
3-"Nenhuma coligação pode ser realmente dirigida pelo seu partido mais fraco. Um país não pode ser dirigido por alguém que nem 12% dos votos conseguiu."
Oh joana bom dia Ver comentário
Oh Sim! Ver comentário
E o que pensa agora ???? Ver comentário
Vou Almoçar!!! Ver comentário
Já Almocei!!! Ver comentário
LOL Ver comentário
já... Ver comentário
joaninha tens razão,portas é chico esperto Ver comentário
Um País Governado por "transformistas"!!!!
Transformistas políticos entenda-se não estou a falar de "travestis" embora alguns pareçam sê-lo. O que estou a escrever aqui não vale nada mas mesmo nada como não valem as crónicas por melhor intencionadas que sejam. Ninguém sabe o que se passou e oficialmente ninguém sabe o que se vai passar. De concreto temos um PM que nomeou um Vice Ministro que tem mais poderes do que quem o nomeou...e que manda na pessoa que ele diz não ter condições para ocupar o lugar ...leia-se Maria Luís Albuquerque.....A réstia de esperança de que o Presidente acabe com toda esta brincadeira e tome as rédeas de todo este assunto. Todas estas crónicas são pura especulação e nesta altura em que é conhecida a negociação de um 2º resgate já não há qualquer motivo para o Presidente não demitir o Governo. Governo de Salvação Nacional já ....o resto é conversa da treta!!!!
nada
absolutamente nada de novo.
tudo velho e requentado.
DO está com alguma dificuldade em acrescentar alguma novidade.
...aliás Ver comentário
então já Ver comentário
:) Ver comentário
a-amarga-vitoria-do-revogavel-portas
Há quem diga que isto é o começo do fim. O que não aconteceu com o BPN e os submarinos vai acontecer com a inexperiencia e incompetencia de Passos e a ganância e safadeza de Portas. Vão fazer o funeral ao PSD e CDS. Pelos comentários que pululam por aí se vê o desespero reinante de alguns militantes e simpatizantes. Na verdade Portas tem uma tarefa difícil pela frente. É verdade que já descemos tanto, que só já podemos começar a subir, no entanto o mais certo se tal vier a acontecer não sairemos da cave. Portas tem o sonho de chegar a primeiro ministro e quase está a acontecer. Já fez patifarias a Marcelo, Durão Barroso, Santana e até a Cavaco. Parece ter ainda estaleca para arrumar com Passos, como fez a Manuel Monteiro além de outros no partido. Passar do CDS para o PSD como fez a falecida deputada Maria José Nogueira Pinto. Mais vidas que um gato, mas também para eles um dia acaba.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2013/07/paulo-portas-primeiro-ministro.html
Eleições ou vontade de resolver problemas?
Estou basicamente de acordo com tudo o que afirma DO mas não posso estar de acordo que a solução seja eleições.
Entendo que os partidos da oposição queiram capitalizar o desgaste dos partidos do governo e até entendo que nem sequer possam dizer outra coisa aos seus militantes mas outra coisa diferente é a corência nos argumentos. De facto não há coisa que mais me desiluda numa certa esquerda que o argumento "não pode ser pior".
Não posso entender, que tenhamos hoje um parlamento onde se podem construir quatro maiorias absolutas bipartidárias diferentes (só depende de vontade política - o maior défice português) e haja quem proponha eleições criando ainda mais défice financeiro para "ganhar" uma maioria relativa do PS que só faça maioria com o PSD. Já sei que é isso que interessa aos "campeões da renegociação da dívida sem falar com a troika e das políticas patrióticas que se não podem ser de esquerda que ao menos sejam de direita", mas isso é precisamente persistir no "vitorioso" rasto da Grécia. Digo vitorioso porque já conseguiram "impôr" um perdão da dívida (que inveja!) e cada vez "impõem" mais as suas políticas patrióticas.
uma implica a outra. Ver comentário
Não veja essa implicação Ver comentário
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O DO assume...
neste artigo que é homem de pouca fé... Está explicado pq abandonou amuado e com azedumes públicas o BE !! Mas é óbvio que ainda mantém a sua fé inabalável no culto do "esquerdismo caviar". Cheira-me que este espertalhão modernaço ainda vai aparecer nas listas do PS, caso estes precisem duma muleta do género "idiota útil. É esperar para ver...
Jogada arriscada
No jogo que é a politica, portas jogou uma cartada muito alta, e na minha opinião até não lhe correu muito mal, já que passos e cavaco cederam em tudo que tinham para ceder, quem saiu a perder com isto foi o país e os Portugueses, como é habitual.
Já cavaco com o medo e com a arrogância de quem nunca tem duvidas e raramente se engana, arrastou - se uma vez mais, para o lodaçal politico que é esta coligação.
Portas como camaleão politico que é conseguiu o que queria, de uma assentada viu reforçados os seus poderes, aumentou o numero de ministros do cds, e ainda consegui correr com os Gaspar.
Passos Coelho ficou mal na fotografia, enquanto líder de partido que foi o que mais votos consegui nas ultimas eleições, não devia ter cedido as exigências de portas, e devia ter assumido a rotura com a coligação, demitindo - se, e passando a batata quente para a mãos de cavaco, que como sabemos na sua enorme cobardia politica era a ultima coisa que queria, ter que assumir a marcação de eleições ou indigitar um governo de iniciativa presidencial.
Para mim isto tudo não passa de uma grande encenação; de notar que Portas tem uma tarefa dantesca pela frente, juntar os cacos de um partido completamente desgastado por uma governação desastrada de Passos e Gaspar, e isso só se consegue com tempo, Portas joga com isso nos próximos dois anos, tempo que lhe resta para levantar a moral as tropas.
...diga antes oportunista. Ver comentário
Evidente Ver comentário
Portas foi autorizado pelo CDS Ver comentário
Extrema direita Ver comentário
Tens toda a razão mas....
Assim que Cavaco Silva , Passos Coelho, Paulo Portas e restantes membros do Governo foram aplaudidos nos Jerónimos....tive a certeza que este governo vai durar ate 2015
... Ver comentário
Assino em baixo!
A análise é perfeita!
A desgraça é certa e o epitáfio será que a lei de murphi se cumpriu mais vez! Com este presidente, este primeiro ministro e este governo tudo só pode correr mal.
Tem razão... Ver comentário
O DEMOKRATA DO DANIEL
POIS É...

os outros são maus e não sabem nada... voces, que tudo sempre fizeram contra o Estado de Direito, é que sabem!

RECOMENDO AO EXPRESSO QUE INSIRA AS CRONICAS DO DANIEL NUMA RUBRICA HUMORÍSTICA DO EXPRESSO.
...quando não se tem nada para dizer... Ver comentário
se não gostas não leias... Ver comentário
odisseianalua ouro é sempre ouro o daniel é ouro Ver comentário
Ocorreu-me. E se este golpe/acordo foi a 3
e na realidade é o governo de salvação nacional,
como forma de impedir eleições?

Portas/Passos/Cavaco,
são suficientemente sacanas para forjar a palhaçada.
trata-se de Portugal , não de PORTAS
É fundamental que Portugal ultrapasse a atual instabilidade política, para poder cumprir a tempo o programa de ajustamento económico e financeiro para estar em condições de estabilizar a situação política e possa encaminhar-se para o sucesso económico . Voctor Gaspar deixou um legado a Portugal ,implementou o programa conforme combinado com a troika, com algumas das medidas necessárias para que Portugal saia do programa. Mesmo com a sabotagem da esquerda radical , este governo remodelado de seguir com determinação para prosseguir com o programa de ajustamento.
A direitralha radical Ver comentário
Há mais Portugal Ver comentário
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