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A Alemanha e os outros na Europa pós-moderninha

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Devido à fraca qualidade do autor do costume, a gerência de "A Tempo e a Desmodo" iniciou uma nova secção: "os convidados". O convidado desta semana é Eduardo Passos, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa.

 

A Europa pós-moderna sempre conviveu mal com alguns conceitos que fazem parte de qualquer sistema internacional. Conceitos como power politics ou equilíbrio de poder estiveram afastados das mentes dos europeístas por longos anos. Afinal, acreditava-se que a instabilidade na Europa só podia ser ultrapassada com um discurso construtivista que varresse do solo europeu aqueles princípios realistas.

Para entendermos o porquê de não darmos o salto para o verdadeiro federalismo e para compreendermos o motivo pelo qual o projecto europeu está em rutura, é preciso trazer os conceitos acima citados para a mesa de discussões. Foi o que fez Sebastian Rosato quando analisou a relação entre a power politics e a evolução da integração europeia. Nesse estudo, Rosato partiu das seguintes premissas realistas: primeiro, as instituições reflectem a distribuição de poder existente num determinado sistema; segundo, os Estados quando enfrentam um inimigo comum tendem a seguir dois caminhos, a cooperação ou integração. A Europa, diante de uma grande potência inimiga, como a União Soviética, seguiu o processo de integração. Com o fim da Guerra Fria, e o desaparecimento do inimigo comum, Sebato conclui que o estímulo para a Europa prosseguir com a sua integração acabou, donde o actual imobilismo institucional.

Na Europa, é preciso voltar a prestar atenção ao equilíbrio de poder, que é um dos conceitos mais importantes das relações internacionais e um dos garantes da estabilidade de qualquer sistema, seja internacional ou regional. Apesar de diferentes definições e abordagens, este conceito pressupõem que os Estados, não tendo um Leviatã que mantenha a ordem, impedem a emergência de um poder hegemónico que ponha em causa a sua independência. Ironicamente, a crise da moeda única, que sempre foi vista como um dos alicerces do aprofundamento federalista, tem posto em causa não só o projecto de integração europeu como também o  equilíbrio de poder entre as potências europeias. Com a Espanha, a Itália e a França com as suas economias de rastos e a ausência do Reino Unido e Estados, a Alemanha tem vindo a assumir um papel que poucos pensavam que pudesse assumir há meia dúzia de anos. E ter apenas uma máquina a carburar em toda a Europa é mais um preocupante sinal da fraqueza do sistema europeu.

Ao fechar-se num sistema pós-moderno artificial, a Europa negou a natureza dos seus principais actores: os Estados, com as suas particularidades, as suas diferentes histórias, e com vontades distintas. Por isso, na cabeça de cada líder europeu neste momento deveria estar a necessidade de restabelecer a harmonia económica no continente, manter o equilíbrio de poder entre as potências e defender a independência dos seus Estados, nem que para isso seja necessário retroceder alguns passos. Mas talvez seja pedir demais que esses mesmos líderes tenham consciência destas pequenas coisas.

Eduardo Passos

 

 

 


Opinião


Multimédia

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Comentários 31 Comentar
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algo tão profundo, como a crise de identidade europeia, ao equilibrio de poder é redutor. E a assumpção de Sebastian Rossato é ela também falaciosa. A construção europeia não teve em vista o contra-poder à URSS, teve em vista a reconstrução alemã e o eixo França-Alemanha, a alteração desse eixo, e o desequilibrio de poder entre estes dois é que poderá ser causa de uma europa actualmente desfragmentada. Aliás, as mais importantes e maiores alterações à UE deram-se após a guerra fria.

barbarraridades.blogspot.pt/
Re: resumir...
Re: resumir...
Re: resumir...
Re: resumir...
Re: resumir...
Re: resumir...
Re: resumir...
Re: resumir...
concluir
Re: concluir
Re: resumir...
HR
Isso pode acontecer no momento em que todos os estados membros tenham os mesmos direitos e obrigações de igual modo.
Re: HR
Atraso de um dia na publicação desta crónica?
«Por isso, na cabeça de cada líder europeu neste momento deveria estar a necessidade de restabelecer a harmonia económica no continente, manter o equilíbrio de poder entre as potências e defender a independência dos seus Estados, nem que para isso seja necessário retroceder alguns passos. Mas talvez seja pedir demais que esses mesmos líderes tenham consciência destas pequenas coisas.»

As frases acima talvez estejam um dia atrasadas; é que hoje surgiu a notícia (podem consultar a página do Diário Económico online com o título «Merkel cede em toda a linha a Espanha e Itália») de que «Os líderes da zona euro aceitaram hoje de madrugada ceder à pressão de Itália e Espanha para tomar medidas de curto prazo para travar o aumento dos juros que estava a tornar incomportável o financiamento das suas dívidas. O fundo de resgate vai poupar as contas públicas dos Estados na recapitalização directa dos bancos e na compra de dívida no mercado.»
Não significa que chegámos a uma solução milagrosa, mas penso que já é um passo em direção a uma tentativa de achar uma solução.
Dead Cat Bounce (PorOutroLado.com)
Harmonia económica no continente?
QUAL harmonia económica??? A UE baseia-se, desde o Acto Único, não na solidariedade e na construção progressiva do Mercado Único, mas sim na "concorrência e competitividade" entre os seus Estados-membros!!!

NUM ESTADO, não há "CONCORRÊNCIA" interna: há MUTUALIZAÇÃO DOS LUCROS E DAS PERDAS!!!

Se o objectivo poderia EM TEORIA ser alcançado com o modelo vigente antes da aplicação de Schengen e da Moeda Única - e é por essa razão que continuava a existir Pauta Aduaneira, ainda que com tarifas reduzidas ou mesmo nulas em certas trocas intracomunitárias - a abertura súbita que colocou os Estados em CONCORRÊNCIA DIRECTA, privando-os ainda por cima de terem uma POLÍTICA MONETÁRIA, FOI A ABERTURA DA CAIXA DE PANDORA!!!

As diferenças e desequilíbrios não podem senão agravar-se. QUANDO MUITO, depois de sairem vários Estados do Euro e talvez da UE poderá surgir uma Federação, MAS NÃO A 27!!!

A situação do nosso País EXIGE que seja feito um debate sério e SEM TABUS sobre a situação que vivemos, em que deve ser equacionada a nossa saída ATEMPADA do Euro e da UE!!!

Recomendo a leitura:

economia.publico.pt/Noticia/o-debate-tem-de-passar-de-como-resgatar-o-euro-a-como-gerir-a- ruptura-ordeira-do-euro-1552569
Re: Harmonia económica no continente?
Re: Harmonia económica no continente?
A Alemanha-e-os-outros-na-Europa-pos-moderninha
Já aqui o referi mais que uma vez que sou um europeísta convicto do Atlântico aos Urais. No entanto esta União parece-me uma anedota tal como a vê os EUA, embora o resto do Mundo a veja como um sonho, mas também com esperança. Foi concebida por homens que viam além do muro e hoje temos políticos que não vêem um palmo à frente do nariz. Aliás a Europa só consegue sobreviver mantendo-se unida. Caso não aconteça vai ser engolida por uma China e companhia. Já aqui referi mais que uma vez que o capitalismo parece ter se dado mal com a queda com Comunismo e até parece que não consegue viver sem o seu velho rival. Karl Markes previu que se ia comer a ele mesmo, o que provavelmente não imaginou é que seria a queda do Comunismo que provocaria a sua derrota. Seja como for o que me parece é que o capitalismo no mínimo tal como o temos conhecido até aqui parece-me ter os dias contados.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/o-euro-e-os-custos-de-financiamento.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/alemanha-ganha-se-pedir-dinheiro.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/resgate-portugal-nao-era-necessario.html
Re: A Alemanha-e-os-outros-na-Europa-pos-moderninh
Tal cronista,tal convidado
O H.R. faz o título, o convidado,talvez um amigo, cita um antigo colaborador do Goldman Sachs e escreve mais uns lugares-comuns. A originalidade destas opiniões é nula.Só podia sair uma crónica de merda...
Re: Tal cronista,tal convidado
Re: Tal cronista,tal convidado
Re: A Alemanha e os outros na Europa pós-moderninh
Este blogue ganha mesmo outra dimensão quando não está constantemente a servir de borrifador de ódio demagógico aos funcionários públicos.

É mesmo preciso ter um colaborador externo para que se produzam reflexões que façam sentido?
PQP
a verdade, quer queiram quer não! Aplaudo de pé o que aqui foi escrito na crónica...
Baixa Qualidade!
Estou a ler bem??? Estarei e entender bem?? " devido á fraca qualidade do autor do costume...."??? isto é o quê? Saneamento interno, auto-censura, mais uma palhaçada do HR? Alguém me pode esclarecer ?
A Barreira Invisivel
Um passageiro num autocarro grego muda de lugar quando uma turista alemã se senta a seu lado. Num encontro social algures numa cidade alemã, uma mulher grega é apresentada por uma amiga alemã ao seu grupo de amigas; uma delas ironiza :" Não trouxe a carteira comigo". Um político francês exclama com fervor :" Não somos um País qualquer ! Somos a França!". O primeiro ministro do Luxemburgo vai abandonar a liderança do Eurogrupo em protesto contra as permanentes intromissões da dupla Merckel-Sarkozy. Um politico senior da Grecia, discursa emocionado contra as politicas de austeridade que são uma humilhação para um país com os séculos de história da Grécia. Carros incendiados e montras partidas em Madrid e Roma . Um deputado português discursa para o quem quer ouvir, que "se está a marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal, nas condições em que emprestou", sugerindo que "o país deve suspender o pagamento da sua dívida para deixar as pernas dos banqueiros a tremer".

E assim, o que começou por ser uma linha ténue de clivagem norte-sul, ameaça tornar-se num processo de desunião europeia, que nos pode fazer retroceder no tempo dezenas de anos, e deitar a perder tudo o que de positivo se foi capaz de construir a partir do pós-guerra: um mercado mais alargado, cooperativo e competitivo, livre circulação de pessoas, bens e serviços, transfusão cultural, uma moeda única, uma voz forte no mundo.

Provavelmente..... www.poroutrolado.com
eixo Franco-Alemão motor da europa
O chamado eixo franco- alemão foi sempre o motor da união europeia desde a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço criada em 1951 pelo Tratado de Paris. Este foi o primeiro passo concreto com vista à integração econômica e também para evitar uma 3ª Guerra Mundial. Foram seis os países fundadores: França, Itália, Alemanha Ocidental, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo, ou seja alguns dos países que mais sofreram com a II G.G. Seria difícil pensar que estaria na mente maquiavélica destes fundadores apenas a criação dum eixo Franco-Alemão que sempre foi uma realidade histórica mas antes rivais e agora aliados. As grandes etapas da CEE foram a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço de 1951 e O Acto Único (1986). À CEE aderiram posteriormente o Reino Unido, Irlanda e Dinamarca (1973), Grécia (1981), e, em 1986, Portugal e Espanha. A Reunificação da Alemanha só ocorreu em 1990. O Tratado de Maastricht de 7 de Fevereiro de 1992 têm sido um mero verbo de encher pelo menos no que diz respeito à unificação política. Dizer que as mais importantes e maiores alterações à UE se deram-se após a guerra fria...é uma maneira de ver a realidade muito discutível. Na verdade estas grandes alterações foram mais intenções do que realidades e levaram à progressiva fragilização da CEE desde logo porque a Inglaterra de colocou de fora da união económica não aderindo ao Euro, o que levou a que o eixo Franco-Alemão ganhasse força.
CEE e defesa comum!
Exactamente o mesmo que dizer que a construção europeia teve início para fazer frente ao mercado americano…não será nem de longe nem de perto porque se a CEE começa com comunidade do carvão e do aço, que eram sinónimo de indústria pesada na Europa, sem a qual não teria havido o "milagre económico" que se instaurou a partir do Plano Marshall. (www.dw.de/dw/article/0,,596748,00.html)
Ora, o Plano Marshall, um aprofundamento da Doutrina Truman, foi o principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. Logo uma coisa anula a outra!
“Na Primavera de 1950 a Europa encontrava-se à beira do abismo. A Guerra-fria fez pesar a ameaça de um conflito entre as partes Leste e Oeste do continente. Cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, os antigos adversários estavam longe da reconciliação, por isso era preciso evitar repetir os erros anteriores e criar condições para uma paz duradoura entre inimigos, mas o problema residia na relação entre a França e a Alemanha”. (www.slideshare.net/carla77/a-cee9b)
Se quiser não foi uma coisa nem outra mas algo que vai dar ao mesmo. A CEE foi criada para unir o eixo Franco-Alemão evitando um conflito no centro da Europa que comprometesse os interesse da Europa ocidental na guerra fria.
O primeiro passo para a criação da Comunidade Europeia foi dado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert Schuman.
CEE e defesa comum2
O primeiro passo para a criação da Comunidade Europeia foi dado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert Schuman. Em 9 de Maio de 1950, propôs um plano, delineado por Jean Monnet, para integrar e gerir em comum a produção franco-alemã de carvão e aço.
Nesse mesmo ano, o governo francês propôs a criação de uma Comunidade Europeia de Defesa (CED). Este projecto falhou em 1954, quando a própria Assembleia Legislativa francesa vetou a sua aplicação. A CDE, que implicava uma forte integração militar e política, foi substituída nesse mesmo ano de 1954 pela União Europeia Ocidental (UEO), uma organização que, na prática, foi anulada pela OTAN
Apesar deste tropeço, o caminho da integração económica continuou. Assim, no Tratado de Paris assinado em 18 de Abril de 1951, nasceu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a CECA, que realizou o Plano Schuman de 1950. (www.historiasiglo20.org/europortug/ante2.htm).
Como se vê, a Nato apenas se antecipou e tornou inútil a integração militar que a América temia e não queria.
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Edição Diária 17.Abr.2014

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