Argumentos contra e a favor da distribuição gratuita de preservativos na escola sucedem-se depois do Expresso, na edição de 10 de Maio
, ter anunciado a intenção do PS em legislar sobre a matéria.
Num país onde os infectados com sida
rondam os 40 mil, falar de preservativo é obrigatório quando o assunto é sexo.
Enerva-me, profundamente, o discurso de castidade e abstinência da Igreja sobre a questão. Não pode ser aceitável no século XXI que qualquer instituição continue a defender a reprodução como a única justificação para o sexo.
Se há coisa que os "miúdos" das gerações mais novas precisam de ter consciência é que do sexo sem preservativo vêm as dst
(doenças sexualmente transmissíveis) e os bebés. Escrevo com ar de quem dá uma novidade, porque se houve coisa que vi nos anos em que fiz voluntariado com mães adolescentes foi dezenas de miúdas, muitas delas com 11 e 12 anos, que não tinham percebido o que podia acontecer sem metódos contraceptivos.
Dito isto, há uma questão de fundo que envolve a distribuição gratuita de preservativos na escola. Os miúdos precisam de se proteger, muito bem. E se o vão fazer, já agora, que façam com segurança.
Mas algo de errado se passa numa sociedade que aceita que uma criança de 14 e 15 anos inicie a vida sexual, quando o Estado nem sequer lhe reconhece (e bem) idade para votar.
Existe uma idade ideal para perder a virgindade? Não. Cada pessoa é diferente, diz o cliché. O sexo é algo do outro mundo? Não. Deve ser a actividade mais feita desde que os animais existem na terra.
No entanto, é algo íntimo. Logo deve ser especial. A decisão de iniciar a vida sexual deve ser feita com o minímo de responsabilidade. Lamento mas os "miúdos" do Secundário não o têm. Há um tempo para tudo e o deles ainda é de serem crianças.