Cerca de 60 manifestantes foram detidos hoje depois de terem lançado pedras contra a embaixada da China em Haia, na sequência dos motins étnicos que fizeram pelo menos 156 mortos em Xinjiang.
"Cerca de 60 pessoas foram detidas porque recusavam obedecer às ordens da polícia ", revelou Chantal Margés, porta-voz da Polícia da Haia.
Cerca de 200 manifestantes, segundo a Polícia, concentraram-se hoje ao início da tarde em frente da embaixada da China em Haia, em resposta ao apelo da Associação dos Uígures do Turquestão Oriental na Holanda, segundo a Polícia.
Várias dezenas de manifestantes lançaram então pedras e paralelepípedos através das grades e por cima dos muros que protegem o edifício, situado num bairro residencial de Haia. Cerca de 60 pessoas foram detidas.
Enquanto esperavam a chegada dos reforços policias e de veículos, os manifestantes, entre os quais muitas mulheres, continuaram sentados em frente da embaixada, cercados de um cordão policial. Agitavam bandeiras e cartazes proclamando nomeadamente: "Chineses, regressem à China".
Os manifestantes foram depois metidos em várias carrinhas da polícia e em dois autocarros aos gritos de "China terrorista", testemunharam jornalistas. Foram conduzidos para uma esquadra central de Haia.
Pelo menos 156 pessoas morreram e mais de 800 ficaram feridas nos tumultos de domingo no Xinjiang, Noroeste do pais, que Pequim descreveu como "uma catástrofe".
"A História provou, por mais de uma vez, que a estabilidade social é uma bênção e os tumultos uma catástrofe", diz um comentário da agência noticiosa oficial chinesa Nova China (Xinhua).
Foram os mais violentos incidentes étnicos registados na China nos últimos anos, incluindo os que ocorreram no Tibete em Março de 2008, que oficialmente causaram 19 mortos.
O Xinjiang, que confina com as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, Paquistão e Afeganistão, tem cerca de 21 milhões de habitantes, mais de um terço dos quais são uigures, uma etnia de origem turca e com religião muçulmana.
Trata-se de um território quase 15 vezes maior que Portugal, rico em petróleo e gás natural.