Francisco Sá Carneiro, Diogo Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Telles assinaram no dia 5 de Julho um "Acordo pré-eleitoral de governo" para "pôr termo à crise de indefinição, identidade e desorientação" que o país vivia "desde o 11 de Março de 1975".
As crises de governo eram uma constante e, face a consecutivas tentativas falhadas para formar Executivo, passou a viver-se o tempo dos chamados Governos de incidência presidencial - como resposta do Presidente da República, general Ramalho Eanes. O primeiro balão de ensaio foi com Nobre da Costa, cujo programa não passou na Assembleia da República; depois foi a vez de Mota Pinto, que governou até quando pôde; finalmente foi Maria de Lurdes Pintasilgo, no seu muito contestado governo de 100 dias, cuja missão era preparar as eleições marcadas para Outubro.
A resposta à crise viria de Sá Carneiro e dos seus parceiros da Aliança Democrática (AD), que estabeleceram uma plataforma política cujos objectivos iam além da formação de um governo maioritário. A questão das eleições presidenciais de 1980 estava já em cima da mesa - e Sá Carneiro não pretendia renovar o seu apoio a Eanes.
A AD venceria duas eleições legislativas mas perderia o seu desígnio maior, corporizado no slogan: "Um Governo, uma Maioria, um Presidente". Sá Carneiro perdeu essa batalha, e a vida, durante uma campanha (presidencial) perpassada de emoções.