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30 anos após morte da filha, pai rapta assassino, leva-o para França e fá-lo condenar

9:47 Terça feira, 25 de outubro de 2011
André Bamberski (esq.) e Dieter Krombach (dir.)
André Bamberski (esq.) e Dieter Krombach (dir.)

É ao mesmo tempo uma história de amor a um filho, de amor à justiça, de persistência invulgar -- mais do que invulgar: raríssima - e também de coragem.

André Bamberski, um contabilista francês, tinha uma mulher e uma filha. Em 1975, a mulher trocou-o por um médico alemão chamado Dieter Krombach, homem elegante e vaidoso.

A filha de Bamberski, Kalinka, uma bela jovem de 14 anos, foi um dia passar férias a casa do padrasto, em Lindau, junto ao lago Constança. E já não regressou.

Apareceu misteriosamente morta na sua cama. A autópsia foi inconclusiva, embora o dr. Krombach admitisse tê-la injectado com Kobalt-Ferrlecit, um medicamento perigoso. Disse que o fizera para ajudar Kalinka a ficar bronzeada mais depressa.

Indícios deliberadamente ignorados


O dr. Krombach era (e é) um homem proeminente na sua terra. Ao que parece, beneficiou da proteção empenhada dos seus pares, e terá mesmo estado presente na autópsia, segundo o relatório oficial.

Talvez isso ajude a perceber por que as marcas evidentes de violência na vagina de Kalinka, e o líquido esbranquiçado lá encontrado, não foram tidos em conta.

Também a injeção de sucessivos produtos pelo dr. Krombach no corpo da rapariga quando ela já estava morta foram ignorados. O ministério público alemão arquivou o caso.

Coube ao francês reabri-lo. E uma segunda autópsia revelou um facto extraordinário: o aparelho genital de Kalinka havia sido integralmente retirado.

Um médico sem escrúpulos


Se o pai já suspeitava de malfeitoria, a partir daí teve a certeza. E ao longo dos anos foi incansável a exigir justiça.

A investigação francesa determinou uma acusação, mas as autoridades alemãs recusaram extraditar o médico. Julgado à revelia, em 1995 foi condenado a 15 anos de cadeia. A sentença seria mais tarde anulada por motivos puramente processuais: ao não permitir o recurso em julgamentos à revelia, a lei francesa ofendia a convenção europeia dos direitos do homem. Deste então, e em consequência desse caso, a lei foi alterada.

A salvo na sua terra, o dr. Krombach não permaneceu calmo. Em 1997, foi condenado - com pena suspensa... -- por violar uma doente de dezasseis anos, no seu escritório, após a drogar. Outras mulheres o acusaram do mesmo, mas as autoridades disseram que faltavam provas.

Em 2006, nova condenação, por fraude e exercício ilegal de medicina, já que Krombach se encontrava inibido de praticar. Desta vez, como não estava em causa a mera morte de uma adolescente e sim as prerrogativas de uma importante classe profissional, o médico cumpriu dois anos de cadeia.

O rapto e a conclusão


Faltava fazer justiça. Perante a crescente evidência de pressões de bastidores a favor de Krombach, Andrei Bamberski tomou o assunto nas suas mãos.

Já várias vezes tinha ido ter com o médico para o informar de que jamais teria paz. Em 2009, foi mais longe: mandou raptá-lo. O preço terá sido vinte mil euros. Krombach apareceu amarrado, amordaçado e ferido à porta do ministério público na cidade francesa de Mulhouse. Identificado, recebeu assistência médica e ficou preso.

A Alemanha tentou levá-lo para casa, mas desta vez foi a França a mostrar-se intransigente. E há dias Krombach, agora presencialmente, foi condenado a 15 anos por homicídio involuntário.

Antes da sentença, entrevistado pelos media, Bamberski afirmava a sua convicção sobre a culpa do médico: "Não 'suspeito', não 'imagino'. Tenho a certeza"

Enfrentando ele próprio um julgamento criminal por rapto, mostra-se tranquilo: "A minha vida teria sido muito mais fácil se eu tivesse tido a cobardia de dizer, 'Bem, está morta', e seguido em frente".

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Alemanha:Muito cívica, muito moderna, ...mas Leis?
carlos-carlos (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 23:11 | Terça feira, 25 de outubro de 2011
Às vezes a Lei é pouco 'legal'!

Quando as provas são claras, porque carga de água os colegas encobrem um assassino?

Os próprio colegas alemães, também deveriam ser julgados por conivência com um criminoso.

Não entendo que o próprio Ministério Público da Alemanha, não seja acusador desse violador e assassino, e até dos colegas que o encobriram.

 
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    Re: Alemanha:Muito cívica, muito moderna, ...mas L    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 23:30 | Terça feira, 25 de outubro de 2011
    Re: Alemanha:Muito cívica, muito moderna, ...mas L    Ver comentário
carlos-carlos (seguir utilizador), 2 pontos , 20:53 | Sexta feira, 4 de novembro de 2011
    Re: Alemanha:Muito cívica, muito moderna, ...mas L    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 21:22 | Sexta feira, 4 de novembro de 2011
    Re: Alemanha:Muito cívica, muito moderna, ...mas L    Ver comentário
carlos-carlos (seguir utilizador), 2 pontos , 21:32 | Sexta feira, 4 de novembro de 2011
    Re: Alemanha:Muito cívica, muito moderna, ...mas L    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 21:53 | Sexta feira, 4 de novembro de 2011
    Re: Alemanha:Muito cívica, muito moderna, ...mas L    Ver comentário
carlos-carlos (seguir utilizador), 2 pontos , 22:51 | Sexta feira, 4 de novembro de 2011
    Re: Alemanha:Muito cívica, muito moderna, ...mas L    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 23:38 | Sexta feira, 4 de novembro de 2011
Um caso de justiça
seringador1961 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 19:40 | Terça feira, 25 de outubro de 2011
Para mim, não passa de demonstração efectiva a que qualquer cidadão está sujeito, à justiça das sociedades modernas.
Nem tão pouco espermos que alguem analise esta caso segundo dois prismas importantes:-O elemento assasino que continuou a sua saga com outras vitimas, achando-se impune, apesar de criminoso;-E o de um pai, que bradando por justiça, tal lhe foi sistematicamente negada.Sou de parecer que este caso, será por muitos ditos responsáveis, nesta áera, um simples virar de página, e uma noite bem dormida!
 
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Amor de Pai
rht (seguir utilizador), 1 ponto , 10:43 | Terça feira, 25 de outubro de 2011
Teria sido muito mais fácil, sem dúvida, mas deve-se sentir orgulhoso por não ter baixado os braços pela memória da filha!
 
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Lei e Justiça
Borrifador (seguir utilizador), 1 ponto , 12:12 | Terça feira, 25 de outubro de 2011
Existe a lei e existe a Justiça.
O Ideal é que as duas estejam irmanadas no mesmo documento, mas neste caso a Lei impediu que se fizesse justiça.

O que o Sr. Bamberski fez, foi tornear a lei para que se fizesse Justiça.
 
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ManuelCutileiro (seguir utilizador), 1 ponto , 19:58 | Terça feira, 25 de outubro de 2011
Justiça foi feita...
Azoreanangel (seguir utilizador), 1 ponto , 12:55 | Terça feira, 25 de outubro de 2011
Quando a justiça dos tribunais não faz justiça, é muito difícil ficar-se de braços cruzados e vermos o culpado a sorrir e sair impune depois de ter cometido um crime tão horrendo contra outro ser humano (que amamos).
Levou o seu tempo...e ainda bem. A vingança é um prato que se serve frio...
E este pai teve a paciência e sangue frio para esperar pelo momento certo. Muitos pais não teriam esperado tanto tempo...
Acho que nenhum tribunal poderá condenar este pai por ter agido assim, porque fê-lo com sede de justiça!
 
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Justiça pelas próprias mãos ? Sim ou não ?
Pedritus (seguir utilizador), 1 ponto , 18:58 | Terça feira, 25 de outubro de 2011
Eu voto Sim, quando o sistema não funciona. Não funcionou, e o pai não desistiu. Afinal, se desistisse, viveria o resto da vida a atormentar-se. Assim, não salvou a filha, mas salvou a paz de espírito para o resto dos seus dias. Far-se-á justiça.

Eu faria o mesmo, mas um bocadito diferente. Teria mandado violá-lo por todos os poros, e depois sim, então entregá-lo-ia à justiça, provavelmente com uma "peça" a menos.
 
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Tucano
Tucano (seguir utilizador), 1 ponto , 10:30 | Quarta feira, 26 de outubro de 2011
Gostava de ver o resultado de um referendo sobre a pena de morte para crimes como este, nos paíse da UE.....
 
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SER PAI É ISTO MESMO
MUITO DESILUDIDA (seguir utilizador), 1 ponto , 14:38 | Quarta feira, 26 de outubro de 2011
Ser pai, ou mãe, não é mais do que ir até ao fim da linha, por um filho. Se o fim da linha é fazer o que a (in)justiça dos estados não é capaz, por ceder a pressões, lobis e interesses de classe ou pessoais, então que assim seja.
Todos nós precisamos de ser capazes de AFRONTAR E COMBATER as fraquezas e subtilezas das leis que, mais servem os que as violam do que as suas vitimas.
Bem haja este pai.
 
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Apenas garanto que...
Tito D'alva (seguir utilizador), 1 ponto , 20:12 | Quarta feira, 26 de outubro de 2011
... o senhor Dieter Krombach, teve muita sorte, porque se fosse Eu, no lugar do pai... ele (Dieter Krombach) estaria a ajustar contas com o senhor dos senhores...
 
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Krombach
mopina (seguir utilizador), 1 ponto , 22:15 | Quarta feira, 26 de outubro de 2011
Quando uma pessoa tem a consciência tranquila e certezas, deve ir até onde a sua alma o deixe chegar. Bem haja a este Senhor, que nunca acreditou na justiça, mas sim a sua tranquilidade e segurança.
 
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Não há palavras...
Titanium (seguir utilizador), 1 ponto , 9:44 | Segunda feira, 7 de novembro de 2011
Pobre rapariguinha, na flor da idade teve que ter como mãe (uma péssima e incompetente mãe, uma entre muitas) que a pôs nas"garras"de um maldito pedofilo homicida que só veio ao mundo para desgraçar a vida dos outros seres humanos e tudo isso com a permissão de"amigos"influentes nojentos e negligentes junto com uma procudadoria alemã parcial, incompetente, negligente! São estas situações que nos fazem pensar a nós pais pois o perigo espreita a cada esquina e de onde nunca se espera e a justiça é usada por gente de estatutos na sociedade maquiavelicamente e cheios de esquemas absurdos e"alçapões"para fugir à lei! O pai da pobre jovem falecida é um grande HERÓI isso sim... houvesse muitos mais pais assim, bem haja...
 
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