A fotografia ao lado retrata o momento em que o general Costa Gomes, Presidente da República (PR), abandona o Regimento de Comandos da Amadora, após ter ido ali para prestar homenagem a Jaime Neves, Ramalho Eanes, Vasco Lourenço, Melo Antunes, Pinheiro de Azevedo e tantos outros, pela participação - e vitória - no chamado "25 de Novembro".
Costa Gomes apresentava-se, naquela noite de 27 de Novembro, com um semblante mais confiante, após quase um mês de indefinição e de batalha político-militar. Foi um mês carregado de acontecimentos, logo iniciados pelo célebre debate entre Mário Soares e Álvaro Cunhal na televisão, onde, acusado por Soares de querer instalar em Portugal uma ditadura, Cunhal respondia com uma frase histórica: "olhe que não, olhe que não".
O clima político adensava-se diariamente com notícias da imprensa afectas ao PCP onde se dava conta de golpes e contragolpes. As duas partes em confronto, por um lado os militares afectos ao partido comunista e à esquerda radical de Otelo e, por outro, os militares do "Grupo dos Nove" que tinham como principal ideólogo o major Melo Antunes, iam contando as espingardas, para o que se previa, como inevitável, confronto final. No dia 24 o país esteve na iminência de se dividir em dois (Norte e Sul) e não fora o bom senso dos Nove e, principalmente, de Costa Gomes, Portugal teria mergulhado numa guerra civil, com resultados incalculáveis.
Declarado pelo PR o "estado de sítio" para a região de Lisboa, o país voltou uma semana depois à sua normalidade democrática.