Lisboa, 01 Jan (Lusa) - O novo Museu dos Coches, um projecto da autoria do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha que representa um investimento de 31,5 milhões de euros, é uma das mais importantes obras da área dos museus em 2009.
Os pormenores do projecto - que vai ocupar mais de 15.000 metros quadrados dos terrenos das antigas Oficinias Gerais do Exército, em Belém - foram apresentados em Julho deste ano pelos ministérios da Cultura, e da Economia e Inovação.
A Câmara Municipal de Lisboa já apreciou o projecto e aprovou-o globalmente, mas rejeitou a construção de um silo para estacionamento no local, tendo pedido a sua reavaliação. Tanto o Governo como o arquitecto Paulo Mendes da Rocha já se mostraram abertos a refazer o projecto.
O novo edifício, que deverá abrir em 2010, passará a acolher um acervo de coches reais e carruagens único no mundo e que atraiu no ano passado cerca de 240 mil visitantes, contando com os visitantes do núcleo de Vila Viçosa.
A nova casa para os coches, um antigo projecto da tutela, é um dos projectos mais emblemáticos da área dos museus nacionais previstos para 2009, mas não é o único.
O Museu Mar da Língua Portuguesa, confirmou recentemente o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, vai mesmo ser criado no antigo Museu de Arte Popular, também em Belém.
Quando falou no parlamento, em Novembro, sobre o orçamento para o próximo ano, o ministro indicou que o projecto previa as obras de restauro do Museu de Arte Popular, uma segunda fase de adaptação do espaço, e uma terceira de instalação museológica.
O projecto museológico do Museu Mar da Língua Portuguesa já tinha sido apresentado pela anterior ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, e acabou por ser cancelado por Pinto Ribeiro, que pretende redesenhá-lo e criá-lo em parceria com o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, no Brasil.
Mas o sector não deu origem apenas a notícias de novos projectos. Os museus nacionais foram novamente em 2008 alvo de polémica porque este ministro, tal como a anterior, recebeu uma carta dos directores dos museus a alertar para as graves dificuldades financeiras e de falta de vigilantes num sector "em ruptura".
Vários museus, entre eles o Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu Nacional de Arte Contemporânea (Chiado), foram obrigados a encerrar salas ou mais um dia por semana por falta de pessoal para vigiar os acervos.
O problema foi resolvido por mais seis meses, com mais de uma centena de contratados, mas o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) pretende encontrar uma solução mais definitiva.
Também no parlamento, o ministro da Cultura anunciou um reforço de 3,9 milhões de euros para o orçamento do IMC em 2009, de forma a "estabilizar" a situação carenciada dos 28 museus e cinco palácios nacionais.
Curiosamente, apesar de terem vindo a enfrentar cada vez maiores dificuldades financeiras e de falta de vigilantes nos últimos anos - que atingiram as programações e restringiram o acesso aos espaços - os museus nacionais têm vindo a atrair mais visitantes.
Nos últimos dois anos, o número de visitantes dos 28 museus nacionais ultrapassou um milhão, uma conquista só alcançada anteriormente em 1998, o ano excepcional da Expo.
Dados do IMC a que a Agência Lusa teve acesso indicam que em Setembro deste ano o número de visitantes ascendia a 983.000, demonstrando que, após o último trimestre deste ano, o patamar de um milhão de visitas deverá ser largamente ultrapassado.
Por outro lado, responsáveis e profissionais do sector têm vindo a alertar para a necessidade de se repensar o papel dos museus numa sociedade em acelerada mutação, com um público cada vez mais exigente.
O próprio director do IMC, Manuel Bairrão Oleiro, num texto da sua autoria publicado recentemente pela revista Museologias.pt, defendeu "uma definição clara de qual o efectivo papel que o Estado pretende que os museus públicos desempenhem".
No texto, o responsável apresentava três hipóteses de modelos de gestão para o futuro dos museus: num dos extremos, a hipótese de privatização da gestão dos museus públicos, mantendo-se a propriedade pública das colecções, no outro extremo os museus públicos serem geridos no estrito quadro da Administração Pública.
Uma terceira possibilidade, - mais interessante e que melhores garantias de sucesso poderia trazer aos museus públicos, segundo o responsável - seria o museu financeiramente apoiado pelo Estado, de forma continuada, mas gerido de acordo com regras de gestão privada.
AG.
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