15 verdades sobre business angels

Smart Money - é assim que é conhecido o investimento feito pelos business angels, porque além de dinheiro, também trazem experiência e contactos para os projetos.

Maria Martins (www.expresso.pt)
15 verdades sobre <i>business angels</i> Images_of_Money/Flickr

Os Business Angels (BA) são, geralmente, os primeiros investidores que o empreendedor conhece - depois da família e dos amigos. O seu papel é crucial nas primeiras etapas da empresa. São pessoas com experiência na área da gestão que apoiarão o empreendedor de duas formas: com entrada de capital no projeto e com o seu know how, ajudando-o do ponto de vista estratégico, e também a encontrar os primeiros clientes ou parceiros, graças à sua rede de contactos. "Esta experiência é muitas vezes a mais valorizada", explica João Trigo da Roza, presidente da Associação Portuguesa de Business Angels, "daí dizer-se que os business angels entram com smart money".

O seu negócio é de alto risco, pois estão dispostos a investir dinheiro - geralmente, entre 50 mil e 500 mil euros - em empresas que muitas vezes ainda nem sequer testaram os produtos ou serviços no mercado. Por isso não é de estranhar que sejam altamente exigentes com os projetos que escolhem. "Em 2010, analisámos 120 projetos e investimos apenas em oito", explica o presidente da Associação Portuguesa de Business Angels, que representa oito fundos e 140 associados. Se estes números ainda não o impressionam, saiba que nos próximos dois anos, os membros da APBA têm cerca de 7 milhões de euros para investir em startups,  e a Federação Nacional de Business Angels - que representa dez associações de BA e que é presidida por Francisco Banha -, acena-lhe com 39 milhões prontos a serem aplicados até Junho de 2013 Convencido? Ok, agora falta perceber como convencê-los a investirem em si.

O QUE ATRAI UM BUSINESS ANGEL


Uma boa equipa. O líder é o primeiro a ser escrutinado até à medula. Tem de ser íntegro, estar disposto a ouvir os outros e ter algum tipo de experiência anterior. Não se preocupe se já tiver um caso de fracasso no currículo, pois alguns BA até valorizam isso. "Assim sabemos que há um conjunto de erros que, em princípio não voltará a cometer", justifica Trigo da Roza. Entusiasmo na defesa da ideia e credibilidade do percurso são os requisitos apontados por Francisco Banha.

A equipa deve ser pluridisciplinar, para se complementar em todas as competências necessárias na empresa, ter alguma experiência de trabalho em conjunto - "nos primeiros tempos vão passar horas e dias a fio juntos, por isso é fundamental que se entendam bem", explica Trigo da Roza.

Uma oportunidade perfeitamente identificada. "De preferência que já tenha sido testada com soluções low cost", diz Francisco Banha. O ideal é uma ideia única, que não seja facilmente copiável nos próximos tempos. O BA precisa de ter alguma garantia de que conseguirá um bom retorno quando deixar a empresa.

Um projeto escalável. Dificilmente alguém aposta numa ideia que olhe apenas para o mercado nacional. O potencial de internacionalização é fundamental para atrair a atenção, e o dinheiro, do BA. O seu risco é elevado e só se justifica investir em startups que tenham uma capacidade muito forte de crescer.

O QUE EXIGE EM TROCA DO INVESTIMENTO


Participação no capital. Mas sempre minoritária. Mesmo que queira, não encontrará um BA disponível para ficar com a maioria na empresa. O objetivo é que o empreendedor sinta sempre o projeto como seu.

Dedicação total da equipa. No início, alguns BA até podem fechar os olhos se um dos membros da equipa continuar com uma atividade paralela, mas quanto ao líder não há contemplações, tem de se dedicar a 100% à empresa.

Capacidade de interagir com o mentor. Há pessoas muito competentes e com ideias brilhantes, mas que não estão dispostas a ouvir os outros. Mas a ideia inicial vai ter de ser ajustada e o BA é fundamental nesse processo.  

Transparência na relação. "Não gostamos de ter surpresas", admite Trigo da Roza. O objectivo do BA é acrescentar valor ao projeto e isso só é conseguido através de uma interação frequente com o empreendedor, para estar sempre informado dos passos estratégicos da empresa.

DESCONFIE DE QUEM LHE EXIGIR...


Um salário - Não faz sentido pedirem um salário em troca do apoio que vão dar ao projeto. Este tipo de investimento é de risco e o BA está preparado para perder dinheiro, se for esse o caso, e não para ganhar um salário enquanto mantiver a participação na empresa.

Cláusulas de exclusividades longas. É um pedido que não faz sentido, uma vez que o objetivo do BA é rentabilizar o investimento o mais rápido possível. Além disso, manter esta cláusula pode inibir a empresa de recorrer a outras fontes de financiamento, como o capital de risco, que é fundamental para ajudar a empresa a crescer.

Garantias reais. Nenhum BA lhe vai exigir bens em troca do capital investido. Se não exigem juros, ainda menos lhe exigiriam o carro ou a casa. Estes investimentos são de risco elevado, mas essa é a missão do BA.

ERROS QUE NÃO DEVE COMETER


Valorizar mais a tecnologia do que o mercado. Perceber qual o valor que a tecnologia vai acrescentar ao cliente é o primeiro passo, e nunca pôr a tecnologia à frente do mercado, alerta João Trigo da Roza. Tentar vender uma tecnologia que não se percebe para que serve é como querer ficar rico vendendo areia no deserto - ninguém vai querer pagar por ela.

Sobrevalorizar o projeto.  O BA até entende que acredite que a sua ideia vai valer milhões - e também são projetos milionários que ele procura -, mas não tente que a participação deste investidor seja realizada em função de um valor que a empresa ainda não tem no mercado.

Falta de preparação na abordagem aos investidores. "Não apareça diante de um potencial investidor sem ter feito o trabalho de casa", avisa Francisco Banha. Tem de estar preparado para apresentar a sua ideia em poucos minutos - de preferência em apenas... 90 segundos! E deve conhecer o projeto, o mercado e os potenciais clientes como a palma da sua mão. Não há margem para falhas.

Ausência de estratégia. O plano de negócios tem de ter devidamente identificados a área geográfica que pretende cobrir, as indústrias e os segmentos a que o produto ou serviço de destina. Enquanto não tiver certezas sobre isto, qualquer reunião com investidores será perda de tempo.

Equipa desadequada. Fique já a saber que o BA não gosta de investir em navegadores solitários. Ter uma equipa é fundamental para levar uma ideia a bom porto. Ninguém consegue dominar todas as áreas e a empresa não deve ficar demasiado dependente de uma só pessoa. Repare que mesmo o talentoso Steve Jobs precisou de Steve Wozniak para criar a Apple.

2 Comentários
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Como é que foi mesmo?
"Steve Jobs precisou de Steve Wozniak para criar a Apple"??

Dito assim Wozniak parece um acessório, e ele foi tudo menos um "acessório", Wozniak foi a mente por detrás da Apple, o Steve Jobs soube aproveitar o génio de Wozniak, isso sim, e mais recentemente (98) soube trazer uma visão a uma empresa com muitas competências tecnológicas.

Wozniak e Jobs são ambos muito bons no que fazem, mas fazem coisas muito diferentes.
Steve Jobs Ver comentário