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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Catarina Santos: “Temos de acelerar a mudança para um estilo de vida mais responsável”

Catarina Santos, diretora de marketing do Esporão. No próximo dia 30 acontece mais um ‘Dia Grande’ na Herdade do Esporão: 24 horas de música, gastronomia, debates mas, sobretudo, um reencontro com as raízes e a identidade do país

TIAGO MIRANDA

Como se preserva uma marca de décadas (mantendo a essência) mas projetando-a para o futuro?
Com a memória do seu lastro histórico e valores. Com a vontade de fazer sempre melhor, com novidade e abertura, preservando o seu carácter. Favorecendo o acesso à marca e favorecendo a sua notoriedade.

Depois do vinho (e do azeite), uma cerveja — a Sovina — é acolhida pelo Esporão. Como se adota um produto sem que ele destoe do que foi entretanto criado?
Quando o produto encerra em si determinados atributos, e dispõe de um alinhamento de valores com o Esporão, essa ‘adoção’ é quase natural.

O ‘Dia Grande’ é essencialmente uma celebração?
É um convívio único e anual em tom de festa, que favorece o contacto direto com o universo Esporão, o nosso território e património. É um encontro com as tradições locais, a arte e a cultura e, em particular, novos olhares que incidem sobre elas.

Andamos todos obcecados com a sustentabilidade, mas ainda estamos muito longe dos seus parâmetros mínimos.
Estamos claramente mais conscientes do impacto que a ação humana provoca no planeta e temos rapidamente de acelerar a mudança para um estilo de vida mais responsável, consciente e equilibrado. E exigir que os nossos líderes sejam aceleradores dessa mudança.

Nem sempre olhámos para a comida como parte integrante da nossa cultura. O que mudou?
Esse olhar está agora mais consciente e focado na imensa riqueza desse inestimável património imaterial e na singularidade da nossa alimentação.

Qual é a melhor forma de se beber um vinho?
Gosto especialmente de o fazer em família, com amigos ou com a pessoa que se ama e com quem se reparte esse gosto.

Deixámos de ser um ‘povo sofredor’ para sermos cada vez mais hedonistas?
O sofrimento, ou antes, uma certa nostalgia continua a dar-nos um forte sentido coletivo, mas cada vez mais tem vindo a prevalecer um modo afirmativo, confiante e perscrutador. Está a construir-se mais poesia e a ter-se mais prazer e orgulho nela.

Integramos uma sociedade individualista, mas que persegue uma visão holística. Como vamos encontrar o equilíbrio?
Valorizando os elementos matriciais da humanidade e promovendo e respeitando a diversidade e as opções individuais.

Os dinamarqueses inventaram o hygge, conceito que define uma ideia de felicidade ou bem-estar. Em que se traduz o seu?
O meu bem-estar está no amor incondicional que sinto pelos mais próximos e na consciência da beleza dos mais pequenos gestos que criam boas memórias

Brinda-se às certezas ou ao que está para vir?
Brinda-se ao que foi e que é certo, e ao sonho que nos alimenta a alma. Brindo com vinho à vida, ao amor e à amizade.