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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Álvaro Costa: “Ainda vou fazer uma maratona”

Homem da rádio e da TV. Apresentou programas como a “Liga dos Últimos” ou o “Via Rápida”. Em novembro, sofreu um AVC, do qual recupera com grande fôlego. Integra a lista de Rui Moreira à Câmara do Porto como suplente

RUI DUARTE SILVA

1. À beira da morte todos os clichés deixam de ser ridículos?
À beira da morte, queremos é viver...

2. Um susto pode mudar-nos ou nós nunca mudamos e passamos apenas 
a estar mais vigilantes?
Pensava muitas vezes nisso, quando ouvia a canção dos Blue Oyster Cult, ‘Don’t Fear The Reaper’... O Ceifeiro ou a ‘visão dele’ muda mesmo.

3. Podemos juntar rock’n’roll e política?
Se a política é a polis e não a partidocracia, até se podem casar pela Igreja... Ainda estou em lua de mel.

4. Os políticos em geral não aprenderam nada com o exemplo de Obama?
Obama era o Jimi Hendrix do Capitol Hill. Havia ali um pouco de Marvin Gaye, e imitar essa gente não é para todos...

5. Diz a Patti Smith a dada altura no seu “Just Kids”: “eu estava demasiado curiosa acerca do futuro para olhar para trás”. Foi o que te aconteceu na vida?
Eu estou já em 2018, pelo menos... Não é a tanga do live fast, die young and leave a good corpse, mas sim, e para já, o viver rápido. Ainda vou fazer uma maratona, lentamente, porque prometi. Pode ser a de Boston?

6. O teu pensamento foi sempre demasiado veloz para ser materializado. Às vezes nem as palavras chegam?
O meu cérebro e eu temos as nossas dificuldades de relacionamento, e não se dirigem no mesmo sentido. Pode ser que agora me torne mais como o Aloísio, que nunca corria mais do que o necessário...

7. Em que momento deixa de ser importante aquilo que os outros pensam de nós?
No momento em que se acorda num hospital e se percebe que alguém ‘lá em cima’ decidiu que a gente se ia ver mais tarde...

8. O teu lado conservador revelou-se na paternidade?
O meu lado conservador revelou-se na Igreja Matriz de Vila do Conde e na catequese. A minha filha Francisca revelou alguma coisa de lúcido em mim: não regressei aos USA porque a preferi a ela.

9. É mais fácil lembrares-te de um resultado do FCP na Liga dos Campeões do que do aniversário de algumas pessoas que amas, não é?
7 de março de 1984, entrava pela primeira vez no Monte da Virgem, na RTP Porto, com o futuro presidente do Boavista, João Loureiro... Nessa noite, o FCP jogava com o Donetsk para a Taça das Taças e estive para me baldar ao meu próprio futuro...

10. O teu livro de memórias podia chamar-se ‘Entre Venice Beach 
e as Caxinas’?
O Bukowski ia gostar, mas o título já está reservado: “E a Matemática, Filho?”, a homenagem que o meu pai, dandy transmontano e portuense, merece...