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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Rui Pedro Tendinha : “Não gosto de gastar os filmes que amo”

1. Quando se está perante a Marion Cotillard ainda se consegue fazer perguntas?
Só perguntas indiscretas. Este ano, em Cannes, confessava-me que vai para a cama com um realizador, apenas um, Guillaume Canet, só por acaso o seu marido.

2. Moldaste um espaço televisivo ao teu nome e à tua medida. O cinema tem cada vez menos espaço na televisão?
A culpa do molde é de Boucherie Mendes. O facto de ser em formato snack tem a ver com o espasmo de atenção do telespectador (os ingleses dizem attention span) de hoje. Digamos que em sete minutos tenho muito menos hipótese de maçar aquela espectadora que já não tem pachorra para ouvir as entrevistas genéricas onde todos se elogiam.

3. As séries são o novo cinema?
“Twin Peaks” é cinema, sim senhor. Mas continua a haver bom cinema. Eu fico triste quando não tenho tempo para ver todos os episódios de uma vez de um “House of Cards” ou de “Stranger Things”. Fico triste pois quero e tenho de ver o que chega de novo ao grande ecrã. Sou sempre do team “grande ecrã”, mesmo quando percebo que há cinema (novo ou não) no pequeno.

4. Para uma geração como a tua foi Spielberg quem fez a ponte entre vários cinemas?
Gostaria tanto de responder que foi o John Carpenter... 
E quase o foi, mas depois vês em puto “Os Salteadores 
da Arca Perdida”, “Os Goonies” (que ele produziu) e o “ET” e ficas a perceber que sim. Spielberg é bom demais para a minha geração. Se fosse mais novo diria que as pontes teriam sido dadas por P. T. Anderson.

5. Julião Sarmento editou um pequeno livro chamado “One hundred seventy one entertainment celebrities” que testemunha o teu apreço pelas estrelas. Continuas a colecionar 
essas fotografias?
Agora de forma perversa. Quem sabe pode haver sequela ou reboot. Podes perguntar à atriz do Soderbergh, a Sasha Grey, por sinal colaboradora de Sarmento.

6. Cannes continua a ser o festival 
com mais glamour?
Prefiro sempre o glamour casual smart de Toronto, mas o Curtas Vila do Conde tem um glamour muito mais bonito.

7. E Hollywood perde força ou é uma indústria inesgotável?
A Hollywood indie poderia estar bem melhor, mas ainda meto a mão no fogo por David O. Russells, Mike Mills e J. J. Abrams. E depois há sempre o P.T.

8. Qual foi o filme que viste mais vezes?
Não gosto de gastar os filmes que amo. Se calhar só vi umas três vezes o “Um Coração Selvagem”, do mestre Lynch.

9. Irmos menos às salas de cinema não tem abalado o romantismo?
Os números dizem que os portugueses vão mais às salas do que antes. Mas vão aos filmes errados.

10. Entre um bom filme e um jogo 
do Benfica, hesitas?
Claro que não.