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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

José Theotónio: “A vida não são só números”

Luis Barra

1. Também se aprende com os alunos?
Muito. Privamos com jovens fantásticos, com outras mentalidades e experiências, o que promove o nosso próprio crescimento.

2. Temos um défice de atenção generalizado (e longe de ser apenas no ensino). Como é que se recupera disto?
Recuperamos com trabalho, esforço, dedicação — como diz o meu filho: com “foco”. Com equilíbrio entre esforço e gozo pessoal, o défice de atenção é recuperado.

3. Quando é que os números substituíram os adjetivos?
A vida não são só números, mas saber analisá-los é essencial para aumentar o conhecimento e tomar as decisões certas. Na comunicação e motivação, os adjetivos não são substituíveis pelos números.

4. O seu lado sonhador leva-o 
para onde?
Para desejar uma vida equilibrada entre a paixão e a razão, nos campos profissional e pessoal.

5. E de repente há meio mundo encantado com Portugal. Como é que isto aconteceu?
Descobriram-nos, e quem conhece Portugal e os portugueses dificilmente não se encanta.

6. E ter mão no turismo desenfreado, 
é possível?
É! Fazendo o que tem que ser feito. O crescimento trouxe vantagens extraordinárias: criação de emprego, reabilitação urbana, aumento das receitas de exportação. Mas ainda temos muito que implementar: bilhética eletrónica para gerir a procura e a carga horária dos locais visitados, mobilidade nas áreas turísticas, política de habitação para equilibrar residentes e turistas e gestão dos aeroportos.

7. Vamos sempre a tempo de cultivar 
a nossa autoestima?
Sempre. Se procuramos a felicidade, temos de aprender com os erros sem deixar de os lamentar. Ser resilientes e vermos nos outros o que têm de bom e darmos o que temos de melhor.

8. Em criança disseram-lhe mais que ‘sim’ ou que ‘não’?
Muitos mais “sins” do que “nãos”. Mas alguns dos “nãos” resultaram nos ensinamentos mais importantes que tive da vida.

9. É o trabalho deste governo que está a dar frutos, ou o esforço começa sempre antes?
É o trabalho de todos os portugueses que não se resignaram perante as adversidades, entre os quais há com certeza pessoas deste Governo. Quando algo corre mal não atribuo todas as culpas ao Governo e ao Estado, também não sou dos que quando corre bem idolatra. Neste Governo, começando no primeiro-ministro, há portugueses não resignados que trabalham a sério, para melhorar a vida coletiva dos portugueses.

10. Onde se sente em casa?
Junto da família e amigos, em Lisboa, na Madeira, onde vivi 10 anos, no meu Alentejo natal ou em qualquer hotel Pestana no mundo.