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10 perguntas a... por Inês Meneses

Benjamim: “Interessa-me a verdade na música”

Benjamim é o nome artístico de Luís Nunes que foi também Walter Benjamin. Viveu alguns anos em Londres. Agora em Lisboa, produz vários músicos portugueses e acaba de lançar “1986” um disco bilingue com Barnaby Keen. “Auto Rádio” foi o primeiro álbum em português. Estará dia 28 de julho em Sines, no Festival Músicas do Mundo

Luis Barra

1. Teres sido Walter Benjamin, para seres depois Benjamim sendo tu Luís, não te baralha?
Acho que baralha toda a gente. Sempre me dá uma desculpa para às vezes não saber quem sou, diverte-me que outras pessoas fiquem sem saber o que me chamar.

2. Passar a cantar em português foi ironicamente como aprender uma nova língua?
Sem qualquer ironia, ainda é difícil. Tive que aprender tudo de novo, começar a falar outra vez. Todas as línguas têm os seus truques e o seu universo específico.

3. Qual foi a grande lição dos tempos em Londres?
Cinquenta libras duram muito mais tempo do que eu imaginava, essa foi a primeira. Também aprendi que somos uma gota de água num oceano. A maior lição foi perceber que cantar em inglês não fazia sentido, compreender quem eu sou — contextualizar-me no mundo.

4. A amizade conserva-se à distância?
Se não se conservar não é bem amizade... Mas de vez em quando também temos de vencer a distância e ir visitar os amigos.

5. Um disco bilingue satisfaz duas vezes. Foi natural chegar aqui sendo o Barnaby Keen inglês?
Este disco só é bilingue porque o Barnaby fala e gosta de cantar em português, acho que nada poderia ter sido mais natural e também não poderia ter acontecido de outra maneira. Interessa-me a verdade na música.

6. Estiveste este ano no Festival da Canção (acompanhando a Lena D’Água). Fez-se história de várias maneiras?
Foi histórico, sem dúvida. Foi uma honra para mim ter partilhado o palco com uma mulher que eu admiro muitíssimo, a Lena foi uma grande inspiração quando eu estava a tentar imaginar o meu primeiro disco. Também foi obviamente um privilégio ter participado na edição em que Portugal ganhou, com uma bela canção e um intérprete fora de série.

7. Estamos a perder os complexos?
Provavelmente. Aos poucos. Se há cinco anos me dissessem que ia participar no Festival eu teria rido às gargalhadas.

8. Com que músicos percebeste que esse seria também o teu caminho?
Com todos os que admiro. Mas sobretudo com os meus amigos com quem eu tenho a sorte de partilhar esta viagem — João Correia, Nuno Lucas, António Vasconcelos Dias, Pedro Girão, Miguel Pereira, Manuel Dordio, Fachada, Noiserv, Tiago Sousa, João Paulo Feliciano e muitos outros! Acho que todas as pessoas com quem toquei me fizeram perceber que era aqui que eu queria estar.

9. De quanto precisas para ser feliz?
De tanto quanto for estritamente essencial. Preciso da minha família, dos meus amigos e dinheiro para o bife, como diz o Sérgio Godinho.

10. Qual é a imagem mais bonita de “1986”?
A primavera.