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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Miguel Guedes: “Pinto da Costa mudou o país”

rui duarte silva

1. O que aconteceu este ano ao FCP?
Num país tão centralista como o nosso, deu muita luta ser o clube hegemónico após o 25 de Abril. Depois, inexplicavelmente, instalou-se a ideia de que os milagres são eternos.

2. Consegues imaginar outro presidente para o clube que não seja Pinto da Costa?
Pinto da Costa é e será por muitos anos a figura maior do clube. Devolveu-o às vitórias e identificou-o com a cidade e a região. Fez do clube a maior potência internacional do futebol português. Pinto da Costa mudou o país. Mas antes e depois de Pinto da Costa, existe sempre o FC Porto.

3. O excesso de mediatização em torno de determinadas figuras do futebol não é proporcional aos resultados por elas alcançados. Vivemos tempos de ‘muita parra e pouca uva’?
A mediatização é um fenómeno de excessos, só essa hipérbole permite a massificação. Como evitar a loucura quando convivemos — no mesmo tempo — com Ronaldo, Mourinho e Éder?... Com tantos heróis prováveis e improváveis só falta que Salvador calce chuteiras e se construam mais aeroportos para batismo. Acho normal e não me incomoda nada.

4. Abrandaste no rock’n’roll?
O rock’n’roll é arte de acelerar e abrandar pela vontade. É verdade que, por vezes, há mais rock numa guitarra acústica do que nos Black Sabbath. Mas dificilmente abandonas o teu primeiro encontro. Como se poderá ouvir no próximo disco dos Blind Zero.

5. Foi mais difícil seres levado a sério por seres o ‘rapaz’ da banda?
Abandonei muito facilmente a ideia de que me levassem a sério no sentido mais “institucional” da coisa. Acho aborrecido. Sempre fiz muitas coisas diferentes e quase sempre encontro nelas o traço de personalidade comum que me afasta da esquizofrenia.

6. Aceitar o fim de um ciclo também 
é sinal de maturidade?
Sobretudo se prosseguirmos para a faculdade.

7. Os artistas portugueses continuam mal defendidos porque são muitas vezes negligentes na sua própria defesa?
A cabeça de um artista não funciona como um escritório administrativo mas pode e deve libertar-se da criação por umas horas, assegurando a defesa dos seus direitos e, como tal, a sua liberdade e independência artística.

8. Que trabalho está o Rui Moreira 
a fazer no Porto?
Culturalmente, a cidade renasceu das cinzas. Com Rui Rio nunca deixaram de crescer flores no deserto e a cultura foi de resistência e de espanto. Mas é muito bom que haja água.

9. Tens um amor crescente pela tua cidade ou também te zangas com ela?
A cidade é constante na minha vida. Posso irritar-me com ela e por vezes não a desculpo. Mas cada vez a amo mais.

10. O regresso de “Twin Peaks” é como ter outra vez 20 anos?
O retorno aos 20 só acontecerá quando “Seinfeld” voltar. Mas confesso que não vejo consistentemente uma série televisiva desde que Laura Palmer prometeu ao agente Cooper voltar em 25 anos. Helás, showtime!