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10 perguntas a... por Inês Meneses

Álvaro Covões : “Eu vejo e sinto Portugal todos os dias”

tiago miranda

1. Qual é a primeira memória que tem do Coliseu dos Recreios?
A primeira memória que tenho é o circo. Os palhaços e, claro, os trapezistas.

2. Era inevitável acabar a fazer concertos?
Sempre fui educado para fazer tudo menos para estar nesta área. Na minha infância, o mundo do espetáculo estava muito associado a uma vida boémia e pouco saudável. Inevitavelmente, porque nasci no caldeirão, ingressei nele após uma passagem pelos mercados financeiros. Penso ter contribuído para o reconhecimento e a profissionalização de um sector que hoje assume um papel importante na economia mundial, como gerador de riqueza e de emprego.

3. O que se aprende no meio dos artistas?
O outro lado da moeda. Apesar de uma imagem descontraída que cultivam, são das pessoas mais profissionais com quem já me cruzei. No mundo dos espetáculos a semana de 40 horas é uma piada.

4. O NOS Alive esgota meses antes de acontecer. É ‘só’ o cartaz?
O primeiro motivo é o cartaz, daí a nossa assinatura ser o “Melhor Cartaz. Sempre!”. Em segundo, vem a experiência, que trabalhamos de ano para ano para ser sempre melhor.

5. Sem estratégia não há carreira?
Para que a estratégia tenha resultados é preciso muito esforço e empenho. Mas o fator sorte, ou seja, estar no lugar certo, na hora certa, ajudam muito.

6. O amor pelo país não o poupa a críticas?
Portugal tem tudo para ser um país rico, em que todos os portugueses possam viver muito melhor. O que nos falta é uma exímia gestão das pessoas e dos recursos. Há uma linha que separa a sociedade civil e o Estado. A fórmula de sucesso passa por parcerias público-privadas em que o privado assume o risco financeiro e o Estado é o parceiro facilitador. É inacreditável a quantidade de edifícios públicos que estão fechados e que apesar de serem propriedade dos portugueses, estes não podem usufruir deles.

7. Em que falhamos enquanto povo?
A falta de capacidade reivindicativa, a falta de coragem de exigir responsabilidade à má gestão pública e um conjunto de leis feitas que impedem o razoável e regular funcionamento da justiça.

8. A sofreguidão turística precisa 
de freio?
O turismo é a primeira indústria nacional. Sem o Turismo Portugal estaria ainda sob a alçada da troika. É urgente a criação de conteúdos para a valorização do destino Portugal, e assim descentralizarmos os turistas.

9. É a partir do Brasil que melhor se vê Portugal?
Não. Eu vejo e sinto Portugal todos os dias.

10. Onde está o quadro mais bonito 
do mundo?
“A Coroação de Napoleão”, de Jacques-Louis David, que está no Museu do Louvre.