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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

São José Lapa: “No fio da navalha... tentando sempre o equilíbrio”

JOÃO LIMA

Se a idade nos ajuda a relativizar tanta coisa, porque não espanta o medo?
Cabe aos mártires, aos fanáticos, aos terroristas, ‘derrotar’ o medo... aos restantes, aos muitos milhões de outros, resta-nos gerir esse medo, controlando-o e por vezes vencendo-o. O medo esse de que nem a finitude nos salva mas antes pelo contrário...

O mundo brinda-nos cada vez mais com os imprevisíveis. Isso faz-te viver 
de que forma?
No fio da navalha... na corda bamba... tentando sempre restabelecer o equilíbrio.

Estamos mais passivos no nosso olhar sobre os outros?
Não. Mesmo que me coloque no lugar do outro, caio 
na armadilha da pequenez de opinar sobre o outro... 
O teatro, as suas personagens e Portugal dos anos 
50 foram também os meus professores.

A tua mãe era professora de piano. Conseguiste ficar com alguma 
da disciplina dela?
Sim. O prazer de fazer a coisa, o encenar, o cultivar, 
o fazer, fazer...

O “Humor de Perdição” acabou por ser um marco?
Ah sim, para a mentalidade conservadora (estúpida mesmo) da época, sem dúvida. E claro para o Herman José, que saiu vencedor dessa proibição político-religiosa... dessa apostasia à portuguesa.

O riso salva-nos do mal?
Citando Hannah Arendt: “A permanência da autoridade requer que as pessoas ou a sua função seja respeitada. 
O maior inimigo da autoridade é o desprezo e o mais seguro de a minar é o riso.”

Aprender até morrer (dizias tu). 
E todos os dias o novo te surpreende?
Sem dúvida, claro que sim.

As Aguncheiras são um espaço 
de criação e de refúgio?
Sim, senhora... o paraíso da criação e estudo.

Lês à tua neta?
Invento... assim as histórias permitem que eu também curta.

As mulheres ainda vão governar 
o mundo?
Tenho esperança que tal aconteça nos próximos anos, isto... se entretanto o Trump, o Kim Jong e outros não nos mandarem a todas/os para o ‘galheiro’!