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10 perguntas a... por Inês Meneses

João Reis: “Toda a ambição é legítima mas nem todos os homens estão preparados para ela”

FOTO josé carlos carvalho

João Reis e o reencontro com Nuno Carinhas 20 anos depois. O ator será o protagonista de “Macbeth”, próxima produção do Teatro Nacional São João, no Porto, que se estreia a 1 de junho

Ao sexto texto de Shakespeare, o que ainda se descobre?
Eu gosto de ver o palco como extensão do mundo, como o lugar que torna visível e amplia os grandes mistérios e contradições da natureza humana e nesse sentido Shakespeare é absolutamente ímpar, tal como Tchekhov por exemplo, que eu curiosamente ainda não fiz.

Tal como acontece com Macbeth, a ambição tira-nos a racionalidade?
O problema de Macbeth vai muito além da ambição desmesurada, num certo sentido ele é dominado também por uma pulsão niilista, e essa condição, para quem está à mercê de ter que cumprir os seus desejos para poder ser rei e homem, é uma ameaça destruidora. Há sempre alguma coisa que não se cumpre, uma insatisfação permanente. Toda a ambição é legítima mas nem todos os homens estão preparados para ela.

O reencontro com Nuno Carinhas, 20 anos depois, mostra que devemos voltar às pessoas com quem já fomos felizes?
Tenho uma enorme estima e carinho pelo Nuno, afável, conciliador, sensível, aberto, generoso. Pois, temos de voltar sempre a estas pessoas.

E no amor, qual é o segredo para continuarmos ao lado de quem amamos?
Acertar o passo quando se tropeça e desligar o telemóvel.

Quando decidiu ficar no Teatro São João (contra ventos e marés) percebeu que estava certo. São os nossos feelings que devem ser tidos em conta?
Nem sempre são certeiros, mas devem ser tidos em conta quando a empatia ou a falta dela nos avisa. O convite generoso do Ricardo Pais marcou muito o meu percurso.

Tem conseguido manter a promessa de fazer teatro uma vez por ano?
Tenho, mas é um exercício cada vez mais difícil por circunstâncias que não podem ser enumeradas de forma abreviada.

As novelas deixaram de ser estigmatizantes para um ator 
de teatro?
Depende do que se procura. Não corro atrás de ilusões. Para mim é um trabalho, é uma parte do meu trabalho como ator onde tenho conseguido superar expectativas e conhecer pessoas que passei a admirar.

Começar a trabalhar aos 16 anos fez 
de si melhor ou não passa por aí?
Não passa por aí mas ajuda a perceber melhor tanta coisa! A dar valor a cada conquista, a cada desejo que se cumpre.

Essa responsabilização precoce foi passada aos seus filhos?
Não sei, de todo. Mas há uma premissa que é comum a todos eles, que cada coisa, cada conquista, tem um valor intrínseco que não deve ser subestimado.

Continua a ser do Vitória 
de Guimarães?
Vitória, sempre!!! Com grande paixão e com a enorme vantagem de não ser antinada, nem cultivar ódios de estimação.