16/05/2012 atualizado às 23:10

10 de Junho: Homenagem de Cavaco Silva a Salgueiro Maia é "envergonhada, tímida e sem chama" - António Sousa Duarte

Lisboa, 10 Jun (Lusa) - O investigador António Sousa Duarte criticou hoje o presidente da República por ter homenageado Salgueiro Maia, vinte anos depois de, enquanto primeiro-ministro, lhe ter recusado uma pensão, considerando que a homenagem de hoje é "envergonhada, tímida e sem chama".

16:33 Quarta feira, 10 de junho de 2009

*** serviço áudio e vídeo disponíveis em www.lusa.pt ***

Lisboa, 10 Jun (Lusa) - O investigador António Sousa Duarte criticou hoje o presidente da República por ter homenageado Salgueiro Maia, vinte anos depois de, enquanto primeiro-ministro, lhe ter recusado uma pensão, considerando que a homenagem de hoje é "envergonhada, tímida e sem chama".

Para António Sousa Duarte - autor de uma biografia sobre aquele capitão de Abril, intitulada "Salgueiro Maia - Um homem da Liberdade" -, a homenagem de hoje de Cavaco Silva ao capitão de Abril é "justa", mas "tímida, envergonhada, discreta e muito fugaz", sendo ainda "um erro em cima de outro erro", ou seja, "um duplo erro".

Em declarações à agência Lusa, António Sousa Duarte considera que, embora não se pedisse hoje ao Presidente da República que fizesse um "pedido de desculpa" em relação ao que fez há 20 anos - quando, enquanto primeiro-ministro, recusou a atribuição de uma pensão àquele capitão de Abril - ter-lhe-ia "bastado, com humildade, dizer que, em circunstâncias análogas, não faria o que fez há 20 anos".

Para o investigador, a homenagem de hoje do Presidente da República a Salgueiro Maia é a "assumpção" e o "reconhecimento" de "um erro".

O autor da biografia de Salgueiro Maia afirmou que "de homenagens póstumas está Salgueiro Maia farto".

Sousa Duarte disse também que a homenagem de hoje do Presidente da República foi "tenuamente anestesiada", o que "prova" que "continua tudo como dantes".

Em 1988, o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusou atribuir a Salgueiro Maia uma pensão que tinha sido pedida pelo capitão de Abril pelos "serviços excepcionais e relevantes prestados ao país" devido à sua participação no 25 de Abril, para a qual nunca obteve resposta, segundo declarações da viúva de Salgueiro Maia.

Aliás, a opinião de António Sousa Duarte contrasta com a da viúva do capitão de Abril, Natércia Salgueiro Maia que, em declarações ao jornal Público relativizou a controvérsia da não atribuição de pensão ao marido.

Natércia Salgueiro afirmou ao jornal Público que não seria "altura para entrar em polémicas".

A recusa ou a falta de resposta ao pedido de Salgueiro Maia só vieram a público três anos depois quando Cavaco Silva concordou com a atribuição de pensões a dois ex-inspectores da PIDE, um dos quais estivera envolvido nos disparos sobre a multidão concentrada à porta da sede daquela polícia política.

Só em 1995, já com António Guterres como primeiro-ministro, Salgueiro Maia viria a receber uma "pensão de sangue".

CP.

Lusa/fim.

Lusa
Palavras-chave  Política
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Eu vi um sapo...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:54 | Quarta feira, 10 de junho de 2009
... a ser engolido pelo nosso PR. Deve ter sido um dos momentos mais difíceis da sua carreira política. Apesar de ser imcompreensível para a maioria dos Portugueses. Vá-se lá saber porque embirrou com Maia! O Professor Cavaco Silva, possivelmente, não gosta de heróis. Hoje ficamos a saber, pelo menos, que venera os santos ou beatos, já que tanto elogiou Nuno Álvares Pereira. ou apenas fez isso para desestabilizar as relações entre Portugal e Espanha? Ou melhor, entre Sócrates e Zapatero?
 
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"empobrecer a nossa democracia"
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 16:57 | Quarta feira, 10 de junho de 2009
"A recusa ou a falta de resposta ao pedido de Salgueiro Maia só vieram a público três anos depois quando Cavaco Silva concordou com a atribuição de pensões a dois ex-inspectores da PIDE, um dos quais estivera envolvido nos disparos sobre a multidão concentrada à porta da sede daquela polícia política."
 
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