17 de abril de 2014 às 22:24
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Sócrates: "Défice subiu por decisão do Governo"

"Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias", afirmou o primeiro-ministro, sublinhando que a subida está em linha com a Europa. Clique para visitar o dossiê Orçamento do Estado 2010
Lusa
Sócrates garante que a subida do défice foi para responder à crise António Pedro Ferreira Sócrates garante que a subida do défice foi para responder à crise

O primeiro-ministro considerou hoje que o aumento do défice para 9,3% não resultou de "descontrolo" mas sim de uma decisão do Governo que está em linha com as principais economias mundiais.   

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"Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias", considerou hoje José Sócrates na conferência "Orçamento do Estado 2010", organizada pelo Diário Económico e pela Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas.   
 
"O défice orçamental português aumentou por uma boa razão, [aumentou] para responder à crise", vincou José Sócrates.  


Resposta à crise?



Para sustentar esta ideia, o primeiro-ministro comparou o aumento do défice em Portugal nos últimos dois anos com a evolução do mesmo indicador noutros países desenvolvidos.  
 
O défice português, recordou José Sócrates, passou de 2,6% em 2007 para 9,3% no ano passado, o que representa uma subida de 6,7 pontos percentuais.   
 
"E quanto é que aumentou o défice nos países do G-20? A média de crescimento foi de 6,9% nesses dois anos. Nos países da OCDE aumentou 6,8. Nos Estados Unidos, nos dois últimos anos, subiu 9,7%. No Japão 8% e em Espanha 13,8%", argumentou o primeiro-ministro.
 
Para Sócrates, "o facto de o Estado português ter decidido aumentar o seu défice foi para resolver os problemas e numa dimensão em linha com as outras economias". Não se elevou demasiado, mas sim em linha com a média dos países evoluídos e numa proporção aceitável", frisou.  
 
O desequilíbrio nas contas públicas "pode aumentar por uma emergência, como houve em 2009, e tivemos bons resultados, foi [o aumento do défice] que permitiu à economia resistir à crise", sublinhou o chefe do Governo.   


Gastos adicionais subiram défice




O primeiro-ministro considerou ainda que foram os gastos adicionais do Estado português - causadores do aumento do défice - que fizeram com que Portugal tenha conseguido "sair da recessão técnica" e tenha registado "no terceiro trimestre de 2009 um crescimento económico dos mais fortes da Europa".  
 
"Hoje poderemos ter, com boa segurança, a perspetiva de que no final de 2009 a queda do produto será bastante inferior à que se previa no início do ano", sublinhou.  
 
Referindo que "a crise ainda não acabou" e que em 2010 o Estado "vai continuar a fazer num esforço orçamental muito grande", José Sócrates recordou ainda as principais linhas do Orçamento no que diz respeito às prioridades de investimento.   
 
"O défice pode ser bom ou pode ser mau dependendo de uma única coisa: o sítio onde se gasta o dinheiro", disse o primeiro-ministro, apontando as cinco áreas prioritárias do Governo.  
 
As prioridades são os investimentos em barragens, escolas, hospitais, creches e infraestruturas, enumerou.  
 
 
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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QUEM TRAVA ESTE COMBOIO DESGOVERNADO?
O Expresso do (des)Oriente(-se) segue a sua marcha, em direcção à ravina cuja ponte já ruíu, depois da próxima curva à esquerda...

Existem várias teorias sobre o dinheiro, economia monetária, poupança e financiamento, etc... e a realidade da mente humana.
O dinheiro desempenha na economia uma função vital como meio de troca e unidade de conta, e deveria perservar o valor das poupanças.

Com a desmaterialização do dinheiro, o sistema financeiro libertou-se de amarras e inovou na criação de produtos financeiros, de forma que multiplicou de facto a massa monetária, ganhando dimensão tal que tornou reféns governos e banqueiros centrais.

Dos príncipios estatísticos que levaram à contracção dos rácios de capital e relação de depósitos e financiamentos, aos mercados de futuros, derivados e securitização de títulos, o monstro sequestrou a economia e tornou-se incontrolável.

Várias teorias passadas, uma verdade prevalece: Se fôr dado a alguém o poder de criar dinheiro, certamente a sua mente humana, imaginativa e gananciosa, o levará ao exagero.

Se o sistema bancário permite alavancar a economia, fazê-lo com recurso ao "saldo negativo" das poupanças constitui só por si um risco sistémico potencialmente explosivo.

O crédito hipoteca rendimentos futuros, mas o futuro é coisa que ainda não existe... e o jogo devia estar limitado aos casinos, com regulação apertada e tributação agravada.

Quem cuida das poupanças de quem ousou não consumir ontem o seu futuro.
Versões diferentes de membros do Governo
O Ministro das Finanças disse diferente de Sócrates.
    Disse que se enganara no cálculo de défice no fim de 2009. Que fizera em Dezembro.
    Por as receitas serem inferiores ao que esperara.
    Não faz sentido tal engano. Porque, precisamente em Dezembro, se fez sentir o efeito do subsídio de Natal e da euforia das compras natalícias. O que terá dado mais IRS, mais IVA, mais IRC e por aí fora.
    Ou será erro crasso de avaliação ou haverá razão escondida.
                                                  António José de Matos Nunes da Silva

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