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Praxe: na Universidade e na vida, integra-te na cobardia

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Antes pelo contrário -  Praxe: na Universidade e na vida, integra-te na cobardia

Felizmente, longe vão os tempos em que ao se entrar na Universidade já se era "doutor". E que ser "doutor" era uma espécie de título nobiliárquico da República, perante a qual a plebe respeitosamente se vergava com um "senhor doutor" em cada frase. A Universidade, democratizada e aberta a muitíssimo mais gente, perdeu a capacidade de oferecer aos seus estudantes prestígio social. E foi aí que, fora da cidade de Coimbra, começou a inventar-se uma tradição. A tradição académica. Mas até aqui tudo bem. Amigo não empata amigo. Cada um veste os trajes que entender e ninguém tem nada a ver com isso.

Compreendo esta necessidade de ritualizar aquele momento da vida. Para muita gente a entrada na Universidade não é uma mera continuação dos estudos. É motivo de orgulho familiar. Resultado de enormes sacrifícios de pais e filhos. No momento em que entram na Academia muitos daqueles caloiros acreditam que conseguiram dar o primeiro passo na sonhada ascensão social. Serei o último a julgar.

Bem diferente é a praxe. Também ela pretende dar àquele momento uma importância que não tem. É um ritual de passagem sem qualquer tradição na maioria das faculdades - também elas recentes. Bruno Moraes Cabral acompanhou este momento. Em Lisboa, Santarém, Coimbra, Setúbal e Beja. E fez um documentário que estreia, no DocLisboa, na próxima sexta-feira (Culturgest, Pequeno Auditório, 21h). Chama-se "Praxis", a origem grega da palavra "praxe". Tudo o que filmou foi com autorização dos envolvidos. Ali não está, portanto, aquilo que os próprios podem ver como um abuso ou um excesso. É a versão soft da praxe.

O que vemos é uma sucessão de humilhações consentidas - ou toleradas por quem, estando fora do seu meio, não tem coragem de dizer que não. A boçalidade atinge níveis abjectos. Os gritos alarves , a exibição de simulações forçadas de atos sexuais, o exercício engraçadinho do poder arbitrário de quem, por uns dias, não conhece qualquer limite. Tudo isso impressiona quem tenha algum amor próprio e respeito pela sua autonomia, liberdade e dignidade. Mas a questão é mais profunda do que a susceptibilidade de cada um. É o que aquilo quer dizer.

Como o documentário não é um mero ato de voyeurismo, mostra-nos o outro lado. Como a esmagadora maioria dos caloiros se sente bem naquela pele. Porquê? Porque, como já disse, aquilo marca o início de um momento que julgam que mudará a sua vida. Mas, acima de tudo, porque os "integra". E não se trata de uma mentira. De facto, naqueles rituais violentos e humilhantes, conhecem pessoas e sentem-se integrados num grupo. Eles são, naquele momento, rebaixados da mesma forma. Não há discriminações. São todos "paneleiros", "putas", "vermes". Na sua passividade e obediência, não se distinguem. Até, quando deixarem de ser caloiros, terem direito à mesma "dignidade" de que gozam os que bondosamente os maltrataram. Aceitam. Porque, como escrevia Jean-Paul Sartre, "é sempre fácil obedecer quando se sonha comandar".

Sim, a praxe integra. A questão é saber em que é que ela integra. Porque a integração não é obrigatoriamente positiva. Se ela nivela todos por baixo deve ser evitada a todo o custo. Perante o que é degradante os espíritos críticos distinguem-se e resistem. Não se querem integrar.

Ingénuos, supomos que a Universidade deveria promover o oposto: a exigência, o sentido critico, a capacidade de recusar a tradição pela tradição, a distinção. A Academia que aceita o espírito bovino da obediência está morta. Porque será incapaz de inovar, de pôr em causa e de questionar o resto da sociedade. A universidade que, através de rituais (que têm um significado), promove o seguidismo e a apatia, não é apenas inútil para a comunidade. É um problema para o conhecimento e para a cidadania.

Mais do que as cenas dignas de muito do telelixo que nos entra em casa, o que impressiona é a relação que a comunidade mantém com aquilo. São raros os que põem em causa tão estúpida tradição sem tradição nenhuma. E é normal. Vemos no documentário como as estruturas universitárias - corpo diretivo e docente - não só toleram como promovem a boçalidade. As autarquias emprestam meios. As empresas de bebidas patrocinam. E até membros do clero vão lá benzer a coisa, perante jovens de caras pintadas ou com penicos na cabeça. Não se trata apenas de um momento de imbecilidade de alguns jovens e adolescentes. Porque é aceite por todos, porque é mesmo assim que as coisas são, foi institucionalizada e parece ser vista por todos como um momento que dá dignidade à Universidade.

Assim, com pequenos gestos simbólicos, se forja a alma de cidadãos sem fibra. Incapazes de dizerem que não. Incapazes de se distinguirem dos demais. A praxe é a iniciação de uma longa carreira de cobardia. Na escola, perante as verdades indiscutíveis dos "mestres". Na rua, perante o poder político. Na empresa, perante o patrão. A praxe não é apenas a praxe. É o processo de iniciação na indignidade quotidiana. O pior escravo é aquele que não se quer libertar. E que encontra na escravidão o conforto de ser como os outros. Os caloiros que aceitam a praxe não são ainda escravos. Apenas treinam para o ser.


Opinião


Multimédia

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As praxes
Gostei muito de ler esta notícia. Sou aluno do 12ºano e para o ano esperam-me as benditas praxes, ou não?! Sou totalmente contra este principio, até porque perdeu toda a utilidade quando deixou de ser uma série de eventos para integrar as pessoas e passou a ser uma forma de humilhação voluntária. Parecem galinhas, não têm cérebro para perceber que esta " tradição sem tradição" é uma forma de estupidificar as pessoas, neste caso os caloiros. Triste este meu país.
Para todos os que atacam o DO por ser de esquerda
www.publico.pt/sociedade/noticia/a-abjeccao-1621031
Praxe
É bom ver o uso da praxe com fins consumistas e de renome. Faço parte do mundo da praxe e nunca fui rebaixado a estatuto de nada, hoje em dia como veterano zelo pelo bom uso da praxe, ainda a semanas um superior foi impedido de poder praxar depois de ter sido apanhado a inrresponsavelmente praxar um caloiro. Para todos os que dizem que a praxe não passa de um bando de "doutores" a gozar com os caloiros abram os olhos, quem na escola não sofreu de bulling, quem na rua não é gozado por ter peso a mais ou pelo modo que se veste, quem não é gozado pelas escolhas que faz ou pelas suas crenças. Digam-me que a praxe não deveria existir, digam-me porque. Uma so má experiencia por uma pessoa não justifica todo este odio que se gerou em torno das praxes. Sim podem chamarme de imbecil, de besta, de retardado, o nome que quiserem mas nunca vou abdicar da praxe, tanto de ser como de praxar.
Sem palavras
Decidi ler este artigo opinativo por sugestão de amigos no Facebook.
Não consigo descrever tamanha desilusão ao ler o que acima está escrito.
Sou praxante e fui praxada. Como tal sinto-me extremamente ofendida com esta crónica. Sim, porque este texto é uma ofensa a toda a comunidade das Universidades, que não anti-praxe.
Como é que nos dias que correm há uma opinião tão demolidora como esta acerca da praxe? Como é que se está a ofender desta forma os caloiros e restantes membros da praxe? Como é que se pode estar a generalizar desta forma: dizendo que quem é praxado começa aí a sua carreira de cobardia?
Não entendo.
Acredito que haja muitas pessoas que tentem humilhar e gritem que nem alarves; no entanto, na maioria (pelo menos segundo a minha realidade), o objectivo de todos é que a praxe seja integradora e divertida. O que aconteceu no meu caso, como praxante e praxada.
Os trajados também têm sucesso, assim como qualquer outra pessoa que frequente uma Universidade.
Enfim... é de lamentar tal opinião.
Este artigo é QUINHENTAS VEZES melhor
p3.publico.pt/actualidade/educacao/9399/praxe-e-dizer-nao#.UkNTLnwZUic.facebook
Discordo Completamente
Porque tenta esta gente inferiorizar a todo custo uma opção que nos tomamos? Queres ver que somos todos doentes mentais? xD

Este gajo é um pessimista e ignorante de todo tamanho, ter poder crítico não significa que pode falar com tanta certeza de uma coisa que ele não viveu e muito menos pode esperar que seja uma crítica aceitável.
E não, não é uma crítica aceitável e sinceramente precisa de argumentos muito melhores que estes para mostrar que a praxe é uma forma de nos "integrarmos na cobardia".

Diz que nos inferiorizamos e aprendemos a gostar que mandem em nós mas porque não pensou ele que "lutamos para pertencer a uma hierarquia superior e transmitir a tradição com a qual nos identificamos e gostamos?".
(de todo não estou a dizer que alguma destas coisas seja o ponto fulcral de se ser praxado, porque quem fui sabe que não é só isso e tem muito orgulho de tudo que passou).

Há muitos argumentos que ele poderia utilizar mas o que referi a meu ver fui COMPLETAMENTE estúpido e depois da crítica que ele fez (a mim e a todos que foram praxados) sinto-me com todo o direito e razão de dizer isto. xD
Seremos nós os "imbecis"?
Caro Daniel, saiba que essa "cobardia" deu-me um dos melhores anos da minha vida, permitiu-me conhecer amigos que, provavelmente, serão para a vida.

A verdade é que essa "estúpida tradição sem tradição nehuma", existe há bem mais de 100 anos. E a verdade é que muitos continuam a abraça-la. Teremos todos falta de "amor próprio e respeito pela autonomia, liberdade e dignidade"?
Tenho realmente pena que, neste caso, a excepção faça a regra. Nem tudo são exageros e maus tratos. Mas falemos apenas desses casos...não é assim que funciona?
A Praxe nunca poderá ser compreendida por quem nunca a viveu. E quem viveu pode, ou não gostar. Mas, falar sem saber? Seremos realmente nós os "imbecis"?
.
TOTALMENTE DE ACORDO
Li, com interesse e completa concordância, o artigo sobre as "praxes académicas". Resquícios que deveriam ser de tempos de má memória,são aceites prazenteiramente (e atingindo, agora, excessos inimagináveis) por jovens que pretendem ser escutados, em todas as outras situações, como seres pensantes e inteligentes (por vezes até o são , o que torna mais confusa esta duplicidade). Assisti, por mero acaso, enquanto esperava por um autocarro, a uma degradante cena constituída por cerca de 30 caloiros de ambos os sexos, rastejando e LAMBENDO as lajes do passeio (largo) fronteiro à antiga Cadeia da Relação do Porto - hoje Museu da Fotografia - sob as ordens de 2 "doutores" boçais que proferiam palavrões a cada pequena distração dos seres rastejantes. Só que, os seres rastejantes, que ,decerto, não aceitariam de pais, avós, professores...qualquer ligeira chamada de atenção que lhes iria ferir a personalidade, aceitavam tudo aquilo como os mais dóceis carneiros. Na paragem, não era só eu que estava indignada, mas ninguém -mea culpa- teve coragem de intervir, ciente de que, de repente, "doutores" e caloiros se iriam unir contra os cotas ou os atrasos de vida que gostariam de os chamar à razão. Graças que os meus filhos já concluíram os cursos há 30 anos...Quanto aos meus netos, confio na boa educação a nível de valores pessoais e sociais que estão a ter.
E as mortes e internamentos, alguém se lembra?...
Um forte apoio a DO pelo seu artigo, como incentivo para "todos" irmos ver o documentário -versão soft de uma realidade quase inimaginável! E, pelo que vi ainda ninguém recordou, a morte daquele rapaz de uma Tuna aqui há uns anos, após "praxes" sucessivas nesse ambiente tão "alegre"! E os internamentos, alguns graves e com consequências futuras, inclusive com perigo de vida -se a memória não me atraiçoa, mais recentemente houve o caso de uma rapariga! Sem dúvida que Sartre tem toda a razão!...
Sobre a praxe e os rituais de iniciação
libertoprometheo.blogspot.pt/2013/09/as-praxes-e-os-rituais-de-iniciacao.html
Discordo!
Não concordo em maior parte do que foi dito. Assim como também não vou falar de modo geral, porque não vivi a praxe fora da academia do porto. Mas garanto-lhe que aquilo que disse está longe da verdade. A praxe envolve muita coisa e como é obvio não significa que tudo seja positivo ou seja bom, mas não significa que seja própriamente mau. Eu fui caloira, fui praxada e fui doutora e sou. E se há algo de que me orgulhe foi de escolher peretencer a "esta" familia. A praxe não só integrou-me como me ensinou um pouco de tudo. Ensinou-me valores, ensinou-me a crescer.. Eu na praxe fui e sou feliz com tudo e com todos. Eu fiz amigos e mais que amigos tornei-me parte de uma familia. Não considero praxe humilhação. Poderá haver um certo gozo mas saudável. A praxe á qual eu pertenço não transmite violência, não nos ensina a humilhar os outros mas sim a acompanha-lhos e a ensinar-lhes tudo o que aprendemos quando fomos caloiros e quando nos tornamos doutores. É uma tradição e cabe-nos a nós fazer com que esta continue a existir. Não discordo, que haja casos de violência ou humilhação em determinadas praxes, mas não o vou afirmar, pois nunca vi e nunca o vivi. Mas as pessoas generalizam. Há praxes boaa e provavelmente outras más mas não em toda a instituição ou academia. Normalmente aquelas pessoas que falam e desprezam a praxe desta maneira são aquelas pessoas que nunca a viveram, nunca partilharam da experiência.
"Dura praxis, sed praxis"
A CM em conluio
E é a estes merdas a quem a Câmara Municipal deu autorização para fazerem ruído até às 02:00 a 30 metros de residências de quem, ao fim de um dia de trabalho, se está a cagar para as "aceitações"/"integrações" dos filhos dos outros.
A Dura Realidade do Artigo
Concordo em absoluto com o Artigo do Jornalista Daniel de Oliveira. Já tive a oportunidade de assistir ao terror vivido por alunos em tempo de praxe. Senti vergonha. Indignei-me com as atrocidades cometidas por estudantes com problemas do foro psíquico, frustrações pessoais , maus tratos sofridos anteriormente, falta de valores mínimos de Educação etc. pela forma desumana como trataram os novos estudantes.
As Praxes Genuínas potenciam o espírito do Estudante, promovem a instituição frequentada pelo rigor do Nível dos Valores de Cidadania e respeito pelos elementares direitos humanos.
Mas quem pratica a verdadeira praxe são a excepção e não a regra.
A culpa de quem é ? Dos senhores reitores das universidades ou presidentes das Faculdades e Institutos Politécnicos. Mas e também e sempre em segundo lugar os alunos mais velhos responsáveis pelas praxes indignas. Deveriam estes senhores serem sentados em tribunal e sofrer as consequências das barbáries praticadas na maior parte dos casos do tempo de praxe e aplaudidas pela sociedade pelo seu silêncio. Perdemos nós Portugueses os maiores valores da dignidade e humanismo. Porque a Educação é a Essência da Vida de qualquer Nação.E isto não é Educação!
A praxe
Por favor...
A questão de Auschwitz
A questão que não se põe
Sobre a Praxe
Deixo aqui um link para todos vós, em especial para o senhor que escreveu o texto a cima. Tenho pena da sua opinião, tirando uma pequena coisa, existem de facto Universidades em que a tradição académica não tem mais do que uns quantos anos, e que, tomando como exemplo Universidades mais antigas criam a sua própria tradição académica, por vezes mal. Estudo actualmente na Universidade de Évora, uma das mais antigas do nosso país e onde a tradição académico já tem vastos anos. Fui praxado e ainda não tive o direito de praxar (em Évora só se praxa a partir da nossa 3ª matrícula). Espero que a tradição académica cá não se perca, pois não se trata de humilhação mas sim de integração e faz parte do próprio conceito da Universidade de Évora.

Fica aqui o link:
https://www.facebook.com/notes/%C3%A9-a-puta-da-vida-sr-saraiva/sobre-a-praxe/197171037128 519
LINK
LINK
Enfim...
Este é um dos artigos mais preconceituosos que já li!
Quem concorda com isto não sabe na realidade o que é a praxe, não sabe o que se passa fora deste ritual... porque na verdade também existem momentos de convívio entre caloiros e "doutores" fora da praxe, em que os mais velhos e experientes dão conselhos sobre cadeiras, professores ou como fazer isto e aquilo na universidade, são como irmãos mais velhos que já estiveram na nossa pele.
Para além disso nem todos os cursos em todas as universidades apoiam as humilhações forçadas que tanto o artigo destaca... e falo disto por experiência própria porque quando fui caloira a praxe era um momento de descontração das aulas onde fazíamos simples joguinhos e passavamos momentos de diversão a rirmo-nos uns dos outros. Claro que havia aqueles dias em que ficávamos cobertos em lama ou molho de tomate... mas quem nunca ficou todo sujo e molhado em criança??
No fundo a praxe é apenas uma forma de aproveitarmos enquanto somos ainda "crianças" pois a partir daí, a partir dos próximos anos iremos passar a ser considerados adultos.
A praxe é também uma forma aprender a respeitar os nossos colegas e quem nos rodeia, ou seja, aprendemos uma pequena e simples lição para a vida pois no mundo académico e do trabalho o respeito é essencial.
Portanto, não me venham dizer que a praxe é escravidão porque isso é simplesmente absurdo e é levar as coisas ao extremo. E digo já que da praxe levo muito boas recordações para a vida!
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