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Esta Lisboa não é sítio onde se possa viver

Como se pode exigir a um senhorio que pague obras e recupere os edifícios e apartamentos, se estes alugueres lhe trazem mais prejuízo que benefícios? Não se pode.

Alexandre Homem Cristo
15:28 Terça feira, 11 de agosto de 2009

Um caso real: um senhorio recebe 70€ mensais por um apartamento que aluga na zona de Benfica, em Lisboa, somando 840€ no final do ano. O prédio onde aluga o apartamento está degradado, e precisa de obras. Nessas obras, não só se renova o prédio como se troca de elevador, pois o existente estava ultrapassado e sempre a avariar. No final, esse senhorio teve de pagar um oitavo das obras, o equivalente da sua parte do prédio, o que atingiu os 1.400€. Assim, no final do ano, o balanço é um evidente prejuízo de 560€.

Este é apenas mais um dos muitos casos provocados pela nossa actual 'lei das rendas'. Como se pode exigir a um senhorio que pague obras e recupere os edifícios e apartamentos, se estes alugueres lhe trazem mais prejuízo que benefícios? Não se pode. Da mesma forma, como é que se pode exigir que jovens que querem emancipar-se tenham de pagar rendas inflacionadas em prédios prestes a ruir, e onde os seus vizinhos pagam rendas abaixo dos 100€? Não se pode.

Estamos a dois meses das eleições autárquicas, e os candidatos prometem o costume: tornar o centro habitável, trazer os jovens de volta à cidade, dar vida ao centro histórico. Muito bem, mas para que tudo isso aconteça, será necessário enfrentar a sagrada 'lei das rendas', que para os portugueses é legitimada por 'direito natural'. António Costa já mostrou que não é capaz. Se vencer, será Santana Lopes? Seria positivo mostrar que Lisboa não precisa de mais catástrofes para rejuvenescer, como a de 1755 ou como a do incêndio de 1989 na Rua do Carmo.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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QUARTINHOS E ECONOMIA PARALELA
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 21:34 | Terça feira, 11 de agosto de 2009
Anda toda a gente a fazer dinheiro com a habitação, Lisboa está cheia de quartinhos e semiquartinhos para estudantes nacionais e estrangeiros, até do Erasmus. Deixem-se dessas coisinhas, quem tem uma casa própria rentabiliza-a o mais que pode, como aqui já se disse.
Anda muito dinheiro por aí, tudo limpinho, o ministrinho coitadito nem sonha.
Uma casita em Telheiras é alugada por 750 euros. Nos subúrbios longínquos é 400 euros no mínimo. Fazem ideia de qual é o salário mínimo em Portugal?
 
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Senhorio pobre vs senhorio rico.
BrunoS (seguir utilizador), 1 ponto , 16:09 | Terça feira, 11 de agosto de 2009
Até tenho pena destes senhorios. Mas estes são os que alugam as casas já há muitos anos, geralmente a alguém idoso.

Mas e quanto aos que fazem milhares por mês a alugarem quartos a estudantes, sem condições, com rendas absurdas, que impõem uma data de regras estúpidas a quem lá vive, que não estão legais e que sobretudo não pagam impostos?

Já era altura da câmara tratar disto, se esse senhorios ricos e aproveitadores cumprissem as regras, melhorava muito a qualidade de vida para milhares de estudantes/trabalhadores jovens que têm que viver longe de casa em Lisboa e com o dinheiro desses impostos podiam ajudar senhorios como este, que tem razão não recebe para o gasto, a manter a casa em condições até a poder alugar por um preço mais aceitável.

P.S. - Só por curiosidade, posso dizer-vos que o preço normal a pagar por um quarto num T4/T5 em Lisboa é de €250 ... ao fim do mês o senhorio leva mais de €1000 e muitos deles fazem a vida negra a quem lá vive.
 
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